Bruno Pedretti
Nos últimos tempos os bombeiros ganharam destaque especial na cidade. Inúmeros resgates e tentativas de salvamentos foram efetuados pelos “heróis anônimos”, como são agora chamados pela população friburguense. Alguns dos militares pagaram com suas próprias vidas, tudo em prol do exemplar trabalho realizado pelos incansáveis combatentes.
O 6º Grupamento de Bombeiro Militar de Nova Friburgo entrou para história do município depois de tantas batalhas em busca de vidas. A partir de agora, a corporação inicia um novo ciclo, tendo no comando o tenente-coronel Luiz Emanuel Palência Barbosa. O novo comandante se mostra empolgado, mas ciente dos desafios que tem pela frente. “Percebo que é muito importante neste momento a união de todos. Venho com o espírito de lutar pra ajudar a melhorar o quartel e, consequentemente, a cidade”, declara.
Coronel Palência destaca que atualmente os bombeiros estão empenhados em buscas ainda ligadas à catástrofe e também trabalha numa grande reformulação do quartel. “Haverá reformas estruturais e reformas operacionais”, revela.
A troca de comando do coronel João Paulo Móri por Luiz Emanuel Palência já era naturalmente prevista. Após um período de aproximadamente dois anos no comando de uma unidade, a substituição é feita de forma administrativa. O tenente-coronel Palência estava trabalhando como coordenador do Centro Estadual de Gerenciamento de Emergência Nuclear (ligado ao Sistema de Proteção ao Programa Nuclear Brasileiro), que cuida da resposta do Estado em caso de uma emergência em usina nuclear ou qualquer acidente nesta área.
No começo do trabalho à frente do 6º Grupamento de Bombeiro Militar de Nova Friburgo, Palência afirma que a meta inicial é obter o sucesso na busca das vítimas que ainda não foram encontradas. “A informação atual é que dez corpos ainda não foram localizados. Estamos com a operação em andamento”, conta.
Após a tragédia na cidade, o Corpo de Bombeiros protagonizou imagens marcantes, como o grito de guerra emocionado na Praça Dermeval Barbosa Moreira, os abraços da população aos combatentes, entre outras cenas. O tenente-coronel Palência afirma que a corporação está consciente do dever na cidade. “Os bombeiros estão coesos, conscientes da missão que precisam cumprir, mas, ao mesmo tempo, feridos, porque perdemos companheiros nessa tragédia também”, explica, referindo-se aos três militares que morreram em salvamentos na Rua Augusto Spinelli. Alguns bombeiros estão recebendo apoio psicológico devido à situação pela qual passaram diretamente. “Especificamente um dos sargentos trabalhava no Inea, emprestado, mas, independente disso, ele era bombeiro e respondeu como bombeiro. Os outros dois eram militares do nosso quartel, um estava de folga e outro de serviço, ou seja, os três que faleceram responderam como bombeiros, independente de estarem ou não na função”, diz Palência. Após as reformas que o Corpo de Bombeiros de Nova Friburgo pretende efetuar na unidade, um local será destinado a homenagear os três militares falecidos.
O quartel de Nova Friburgo conta atualmente com 116 praças e 14 oficiais. Nos primeiros dias após a catástrofe, a quantidade de bombeiros no município aumentou bastante. “Só viaturas de fora da cidade foram 43, fora os helicópteros, 272 militares extras, que vieram colaborar, além do pessoal do quartel, cerca de três vezes o efetivo da corporação em reforço”, informa. Também foi essencial a renovação da frota no Grupamento Militar para agilizar os salvamentos. “Os carros que estão no pátio vão em qualquer terreno e algumas viaturas certamente salvam vidas”, diz o coronel.
O Corpo de Bombeiros é a instituição que tem maior prestígio e confiança da população. E o novo tenente-coronel Palência conta que a vontade do povo friburguense em reconstruir a cidade e a união de todos é algo contagiante para iniciar o trabalho. “Tudo isso me comove demais. Sinto no povo a vontade de fazer uma Nova Friburgo melhor, e é fundamental esse sentimento. Estamos unidos”, finaliza.

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