Bomba desarmada

sexta-feira, 25 de setembro de 2015
por Jornal A Voz da Serra

A CHAMADA “pauta-bomba” foi desarmada pelo Congresso, ao manter 26 dos 32 vetos da presidente Dilma a projetos que ampliam os gastos públicos do governo. A “bomba” agora desarmada alivia o cenário político institucional que fatalmente encaminharia o país para uma crise ainda mais profunda do que a atual.

FALTA AINDA votar o polêmico reajuste dos servidores do Judiciário e a extensão a todos os aposentados do índice de correção do salário mínimo. Ainda assim, ao evitar um aumento considerável de gastos, o Congresso enfraquece a defesa do Planalto para a necessidade de criação de mais impostos, incluindo a insistência na volta da CPMF.

O QUE PODERIA ser visto com um sinal de maturidade do Congresso e de sobrevida do Executivo acaba se prestando para escancarar a falta de coerência na política, que ajuda a explicar muito do impasse enfrentado hoje pelo país. O fato de o Planalto ter conseguido evitar um impacto bilionário nos gastos só ocorreu depois do aceno de espaços generosos para políticos da base de apoio parlamentar.  

AINDA QUE algumas das mudanças em debate sejam positivas, quem acaba pagando a conta é o contribuinte. Por isso, é importante que, na votação das questões ainda pendentes, os parlamentares deixem de lado interesses menores e votem a favor da maioria dos brasileiros.

A VITÓRIA momentânea reforçou a crença do Planalto sobre a importância de valorizar o PMDB na reforma administrativa. A expectativa da bancada do pemedebista na Câmara para receber ministérios foi considerada decisiva na votação dos vetos, pois a relação com o Senado está praticamente resolvida.

APESAR DO sucesso na semana, ainda é prematuro afirmar que a presidente Dilma Rousseff encontrou a governabilidade. A ameaça do impeachment segue, conduzida por partidos oposicionistas e alas do próprio PMDB. O impasse continua.

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