Como já ocorreu, a partir de outubro de 2011, em Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis, Bom Jardim recebeu no domingo, 29, o Sistema de Alerta e Alarme, da Secretaria de Defesa Civil do estado. A ação fechou o ciclo desta primeira etapa, que priorizou os municípios da Região Serrana mais afetados pelas enchentes de janeiro de 2011. O plano, entretanto, é estender o programa para todas as cidades do estado, onde o Departamento de Recursos Minerais (DRM) mapeou mais de 700 pontos de risco de desabamento ou de inundações.
Agentes estaduais e municipais de Defesa Civil aplicaram no Centro e no bairro São Miguel o primeiro exercício simulado do sistema que visa preservar vidas de moradores em áreas de extremo risco de acidentes geológicos e hidrológicos. Bom Jardim recebeu conjuntos de sirenes em mais sete comunidades mapeadas. O município não registrou mortes nas enchentes de 2011, mas sofreu muitos danos materiais com o transbordamento do Rio Grande.
Paralelamente, as lideranças e agentes comunitários foram treinados pela Defesa Civil do estado para realizar os procedimentos de evacuação de moradores em caso de alerta de temporais. No total, o estado implantou na Região Serrana sistema de sirenes em 48 comunidades: além das oito de Bom Jardim, 20 em Nova Friburgo, dez em Teresópolis e outras dez em Petrópolis. Esses municípios tiveram mais de 900 mortos e inúmeras perdas materiais com as enchentes de 2011.
As simulações do sistema fazem parte do cronograma definido pelo Centro Estadual de Administração de Desastres (Cestad), que tem por objetivo esclarecer a população sobre os procedimentos de evacuação em situações emergenciais causadas por chuvas. As secretarias municipais de Defesa Civil ficarão encarregadas de realizar, a partir de maio, uma avaliação funcional dos equipamentos sempre às 10h do dia 10 de cada mês, além de treinar periodicamente as comunidades. Segundo o superintendente da Defesa Civil, coronel Luiz Guilherme Santos, o Estado do Rio é o pioneiro no país na implantação deste tipo de sistema de alerta.
“Sua eficiência já foi comprovada em outros lugares do mundo, como Bogotá e Medellin, na Colômbia, Santiago, no Chile, e Tóquio e outras cidades japonesas que convivem com o risco de desabamentos provocados por terremotos ou outros acidentes naturais”, afirmou o superintendente.
Dona Iza Jasmim da Rosa, 70 anos, que nasceu e mora no bairro São Miguel, viveu um pesadelo com a família em 2011. Ela perdeu quase todos os móveis com a inundação de sua residência e a situação só não foi pior porque se refugiou, com o marido e o filho, no andar de cima onde vivem a filha, o genro e um neto.
“Hoje me sinto aliviada com este programa que foi a implantação das sirenes. Para mim e para todo morador de São Miguel. Vivemos naquele dia uma noite de muita tragédia. Fomos pegos de surpresa com uma avalanche de água, lama, árvores e tudo que você possa imaginar. Não estávamos preparados como agora”, afirmou a dona de casa.
O projeto piloto na Região Serrana, que custou quase R$ 5 milhões, servirá de experiência para sua expansão no estado até 2014. A Secretaria de Defesa Civil já entregou à Secretaria Nacional de Defesa Civil, do governo federal, um pedido para colocação do sistema em áreas de risco de inicialmente 31 municípios e, mais tarde, nos demais. A capital do estado foi a primeira a instalar o sistema de alarme.

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