Eloir Perdigão
Algumas das encostas desabadas na tragédia de janeiro passado no centro de Nova Friburgo, como a das ruas Juvenal Namen e Cristina Ziede, estão recebendo obras de contenção. Porém, desde outubro, uma novidade começou a fazer parte das obras: a aplicação da biomanta antierosiva junto aos retentores de sedimentos. É uma tentativa de evitar a ocorrência de lamaçais, principalmente no centro da cidade. E a expectativa dos friburguenses é que essa técnica dê certo e poupe a cidade de novos deslizamentos e lama.
A biomanta é confeccionada com telas fabricadas a partir de fibra de coco que protegem o solo até que a vegetação se restabeleça. Já os retentores também são constituídos por fibras vegetais, altamente compactados e flexíveis, envolvido por uma malha resistente de polipropileno. A intenção, com a aplicação dessas técnicas, é reduzir o risco de novos deslizamentos de terra nas encostas, proteger contra o escoamento superficial de água no solo e garantir rapidez no processo de revegetação.
A aplicação e o resultado
De acordo com o engenheiro Marcos Barreto, da empresa Floxsil, o processo erosivo é contínuo e a função da biomanta é justamente mitigar esse processo—mas ele deixa bem claro que a biomanta não é obra de contenção.
Antes da aplicação da biomanta é feito o semeio do solo com gramíneas e leguminosas e a adubação. Junto à biomanta, então, são aplicados os retentores de sedimentos, parecidos com rolos. A metade fica enterrada e, com isso, diminuem a velocidade da água que escorre, mas o sedimento não corre. “Mas não têm função de estabilização. Essa função é do muro de gabião, da intervenção na parte alta, o retaludamento e o sistema de drenagem”, frisa Marcos.
O engenheiro explica ainda que o mato cresce sobre a biomanta e a paisagem tende a se recompor com o tempo. Não vai acontecer de uma hora para outra. A recomposição vegetal já pode ser observada em seu processo inicial—o mato já está nascendo—nas contenções das encostas das ruas Juvenal Namen e Cristina Ziede, no sítio situado no fim da Cristina Ziede (onde funcionava o Centro Holístico Mangalan) e atrás do antigo Clube dos 50.
Friburguenses esperam que
biomanta gere mais segurança
As obras de contenção das encostas da cidade, principalmente das ruas Juvenal Namen e Cristina Ziede, e a aplicação da biomanta, têm sido acompanhadas por várias pessoas, muitas delas moradoras das proximidades, na expectativa de que as técnicas empregadas livrem as encostas de novos deslizamentos e lhe deem mais segurança. Para saber o que pensam, a reportagem de A VOZ DA SERRA ouviu seis pessoas nas imediações das ruas Juvenal Namen e Cristina Ziede, para saber, principalmente, se acreditam que a biomanta funciona.
Confira as opiniões
“Funciona muito bem. Não vai haver infiltração nenhuma e vai ficar bem seguro. Se fizerem da maneira que tem que ser feito vai ficar perfeito. Eu já vi na Avenida Brasil e outros lugares onde andei no Rio, já aconteceu de ter escorregamento de barranco e usaram essa técnica e não teve mais problema nenhum. Aqui também não vai haver mais problema nenhum porque não vai haver mais infiltração.”
Valter Martins, 54 anos, técnico em eletrônica, Perissê
“Funciona. Ela vem com uma semente que a própria natureza vai desenvolvendo e ela segura sim. Fizeram aqui e ali atrás do Clube dos 50 e eu acho que resolve sim. É um serviço bem feito.”
Paulo Benoni, 54, comerciante, Vila Nova
“Eu acho que não funciona. Não confio. Não adianta, fizeram em baixo e não tem como fazer em cima. Para funcionar mesmo teria que ser o barranco todo e só fizeram uma parte. Se tiver outra chuva igual aquela está arriscado cair de novo.”
Sérgio Luiz Reis, 50, porteiro, Campo do Coelho
“Eu duvido bastante. Depois de tudo que a gente viu é difícil acreditar que uma manta vá segurar o barranco. Eu acho que é pouca coisa. Até onde eu sei isto é um experimento, pode dar certo ou não. Nem eles têm certeza. Então a gente fica com dúvidas. Bom, eu até espero que dê certo. A gente fica na torcida, mas eu acho meio duvidoso.”
Mariana Guimarães Pinheiro, 22, estudante, Ponte da Saudade
“Eu vi essa manta sendo colocada certa vez na estrada de Teresópolis, depois do Soberbo. Como eu passava ali todos os dias vi que o mato foi crescendo. Lá funcionou, mas não sei aqui. Aqui, quem diria que aconteceria o que aconteceu? Espero que dê para confiar, que dê certo, porque, olha, foi feio. Toda essa tentativa aí está sendo válida. Se vai funcionar ou não, são as chuvas que vão dizer depois.”
Fernando Ramos Teixeira, 51, comerciante, Centro
“Eu estou acompanhando a obra e espero que a biomanta funcione, mas não tenho certeza. Mas, pelo menos, eles estão tentando, é válida a tentativa, sem dúvida. Eu moro aqui perto e sempre venho ver, ando por aqui e quem dera que a biomanta resolvesse. A gente espera que seja uma solução. Tomara que funcione. Vamos torcer para isto.”
Maria Nazaré Heringer, 61, auxiliar de enfermagem, Centro

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