Batalhão reduz efetivo administrativo para reforçar policiamento

Com total de 502 policiais, incluindo afastados, unidade atende oito municípios da região
quarta-feira, 19 de dezembro de 2018
por Paula Valviesse (paula@avozdaserra.com.br)
Batalhão reduz efetivo administrativo para reforçar policiamento

Buscando equilibrar o serviço de policiamento ostensivo prestado a população em todos os oito municípios que fazem parte da área de abrangência do 11º BPM, com sede em Nova Friburgo, o comandante da unidade, coronel Eduardo Vaz Castelano, disse ter diminuído ao máximo o quantitativo de PMs no serviço administrativo, também chamado de atividade-meio ou de expediente. Atualmente o batalhão conta com 502 policiais, sendo que 30 deles trabalham no expediente e cerca de 100 estão afastados, por motivos variados, como licenças-médicas e férias.

Um levantamento publicado pelo jornal Extra esta semana sobre a situação dos batalhões do Grande Rio, mostrou que quase a metade do efetivo das unidades não atua na atividade-fim: o policiamento ostensivo. Segundo o jornal carioca, metade dos 43.860 PMs na ativa em todo o estado do Rio de Janeiro estão nas ruas, enquanto a outra metade encontra-se em serviços administrativos ou cedidos a outros órgãos ou afastados.

O 11º BPM atende a Nova Friburgo, Bom Jardim, Duas Barras, Cantagalo, Cordeiro, Santa Maria Madalena, Trajano de Moraes e Macuco. Quando observado apenas os números absolutos, o Batalhão Tiradentes está na contra-mão da maioria das unidades operacionais, uma vez que, segundo o comandante, utiliza menos de 15% do contingente no serviço administrativo e não possui agentes da ativa cedidos para outros órgãos:

“Os 14 agentes que estavam a serviço do TRE [Tribunal Regional Eleitoral] já retornaram ao quartel. Estamos trabalhando no expediente com o efetivo mais reduzido possível, o que permite um reforço no policiamento ostensivo, mas sem a atividade administrativa o batalhão não funciona”, explica Castelano.

Sobre esse policiais, ele ainda reforça que cerca de 90% estão alocados no expediente em função de estarem, seja por motivos médicos ou por avaliação psicológica, incapacitados de trabalhar nas ruas. “Temos 30 policiais em trabalho interno. Mais de 20 deles foram colocados nesta função por determinação médica. Se eles não podem estar nas ruas, colaboram com o funcionamento do batalhão trabalhando no expediente. Um exemplo é o policial que está incapacitado por conta de um problema no pé, ele não pode nem calçar o coturno, então é direcionado para outro serviço até estar apto novamente”, explica o comandante.

Déficit de pessoal

Ao ser avaliado pela área atendida, o 11ºBPM sofre também com o déficit de pessoal. “Temos quase 400 policiais na ativa e trabalhando no policiamento ostensivo. No entanto cobrimos uma extensão territorial muito grande e, além disso, para cada município atendido pela unidade temos um destacamento, o que requer uma equipe operacional”, pondera o coronel Castelano.

Para ele, a grande expectativa para o aumento do contingente está nas políticas elaboradas durante a Intervenção Federal: “A corporação vem enfrentando uma diminuição no efetivo, uma vez que temos as aposentadorias e, em função das dificuldades financeiras do estado, não abrimos novos concursos. Existem planejamentos sendo feitos para resolver isso, mas estamos cientes de que esse efetivo primeiro será destinado para suprir as necessidades dos batalhões da capital e, conforme for, depois será a vez do interior, já que temos um índice de criminalidade muito menor”, observa Castelano.

 

Batalhão fez ação “Fecha Quartel” neste fim de ano

 

A forma encontrada pelo comandante de contornar esse déficit e garantir o policiamento foi a diminuição do expediente. Essa ação neste fim de ano foi ainda mais drástica, segundo Castelano: “Desde dezembro, com o aumento da movimentação de pessoas nas ruas em função do período de festas, estamos reforçando o policiamento. Para isso fizemos um ‘Fecha Quartel’, onde tiramos do expediente todos os policiais aptos. Isso atrasa um pouco a atividade-meio, mas garante o aumento da sensação de segurança da população e a manutenção dos índices”, diz o coronel.

Outra maneira de contornar a situação é o Regime Adicional de Serviço (RAS), onde os PMs que fazem parte da unidade são escalados para serviços extras, com carga horária menor que a normal: “Ano passado tivemos o serviço de 40 PMs por RAS, esse ano estamos atualmente com 15 vagas. Pode ser um número menor, mas qualquer aumento, mesmo que seja por meio de adicional já ajuda na prevenção”, afirma o comandante.

 

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