Balanço negativo

quinta-feira, 13 de agosto de 2015
por Jornal A Voz da Serra

VEM GANHANDO FORÇA em toda a sociedade brasileira a discussão sobre a reforma política, como forma de estancar a onda de irregularidades na vida pública, praticamente interminável. O mais recente escândalo da vida parlamentar brasileira é o que trata do envolvimento de políticos na Operação Lava Jato, que investiga a corrupção na Petrobras. A lama respinga até mesmo nos presidentes do Congresso, Renan Calheiros, e da Câmara, Eduardo Cunha.

SEMPRE QUE ESTOURA um escândalo numa empresa pública, como recentemente este da Eletronuclear investigado pela Operação Lava Jato, os brasileiros ficam sabendo que a estatal ou o ministério que a comanda é controlado por determinado partido político. Assim se faz o rateio do Estado e assim se abre a porta para a corrupção que drena recursos públicos para campanhas eleitorais ou para o bolso de políticos e empresários desonestos.

O ATUAL PROCESSO de depuração do país, comandado pelo juiz Sergio Moro e pelo Ministério Público, com a participação decisiva da Polícia Federal, precisa ir além da punição dos corruptos e corruptores, gerando um modelo de profissionalização da administração pública baseado em critérios de capacitação e eficiência, acima dos interesses políticos.

O CIDADÃO BRASILEIRO cada dia se desencanta mais com o processo político, fato este comprovado a cada período eleitoral, evidenciado pelos votos brancos, nulos e abstenções verificados em cada eleição. Diferentemente do que ocorre em outros países, o brasileiro não se sente atraído nem vinculado a políticos ou partidos políticos. Em razão de sua dimensão e complexidade, os partidos distanciaram-se do indivíduo, as decisões políticas são tomadas em gabinetes, entre um punhado de líderes partidários, sem que haja a menor condição de participação popular.

COM O OBJETIVO de ganhar vantagens individuais imediatas, os políticos hoje, infelizmente, não representam mais a sociedade, esquecendo que os partidos são associações de pessoas unidas pelos mesmos ideais. Hoje os partidos chegam ao cúmulo de omitir seus endereços para evitar o ingresso de novos associados que possam vir a tumultuar a “paz interna” dos detentores do comando político.

A INFLUÊNCIA NEGATIVA decorrente dessa ausência atinge a todos os municípios, indistintamente. A mudança poria fim a uma série de dissabores e escândalos que hoje assolam a sociedade brasileira, transmitindo a perspectiva de melhores dias para a nossa democracia. O desafio é grande, mas a vontade popular poderá obter êxito na medida em que os parlamentares forem pressionados pelos eleitores a discutir e votar o mais rápido possível a sonhada reforma.

OS POLÍTICOS que vislumbram as eleições de 2016, disputando as cadeiras nas prefeituras e câmaras municipais, deveriam mostrar ao eleitor um novo viés das atribuições públicas, lutando pela moralização de uma classe que, se está ruim com ela, através do desempenho de alguns irresponsáveis, ainda é a melhor alternativa para atender os grandes desafios da sociedade brasileira.

TAGS: Operação Lava Jato | Sergio Moro | Ministério Público