Ativistas comemoram‭ ‬neste sábado‭ um ano de mobilizações na Praça Getúlio Vargas

Grupo ocupará mais uma vez o espaço público com discussões,‭ ‬reflexões‭ ‬e arte
sexta-feira, 29 de janeiro de 2016
por Jornal A Voz da Serra
O Trio Glaziou em apresentação no ano passado (Foto: Arquivo A VOZ DA SERRA)
O Trio Glaziou em apresentação no ano passado (Foto: Arquivo A VOZ DA SERRA)

‬Música,‭ ‬dança,‭ ‬exposição de fotografias,‭ ‬roda de conversas e leitura,‭ ‬e oficinas são algumas das intervenções que os ativistas do movimento social‭ ‬“Abraço às Árvores‭ ‬-‭ ‬S.O.S.‭ ‬Praça Getúlio Vargas‭”‬ realizarão na tarde deste sábado,‭ ‬30‭ ‬de janeiro,‭ ‬no‭ ‬Centro.‭ ‬O grupo ocupará‭ ‬a principal praça de Nova Friburgo‭ ‬mais uma vez,‭ ‬a partir das‭ ‬16h,‭ ‬para celebrar um ano de mobilizações em torno dos‭ ‬polêmicos cortes e poda dos‭ ‬centenários eucaliptos,‭ ‬mas,‭ ‬principalmente,‭ ‬em defesa da participação social nas decisões que envolvem a cidade.

“O grupo entende que é preciso‭ ‬atuar criticamente sobre a estagnação pública da política cultural e artística em nossa cidade,‭ ‬e reagir contra a aceitação passiva de discursos factóides e posturas autoritárias advindas de reproduções colonialistas.‭ ‬Efetivamente participar e influenciar‭ ‬nas tomadas de decisão pública.‭ ‬E uma das formas dessa atuação é por vias artísticas e culturais através da ocupação do espaço público‭ ‬-‭ ‬a praça,‭ ‬local de origem de formação do grupo‭”‬,‭ ‬dizem os ativistas.‭

Entre as atrações do evento neste sábado,‭ ‬haverá‭ ‬apresentação musical dos grupos Trio Glaziou e Dança Sagrada,‭ ‬oficinas sobre espécies da Mata Atlântica e de produção de sementes e mudas de eucalipto robusta,‭ ‬típico da praça.‭ ‬As pessoas que passarem pelas alamedas poderão observar instalações do artista‭ ‬Marcelo Brantes,‭ ‬as obras em tecelagem de Cesar Marçal e também o projeto‭ “‬Ondulações‭”‬,‭ ‬de Lúcia Vignolli.‭

“Quando pensamos em Nova Friburgo,‭ ‬vem a nossa memória a praça.‭ ‬Ali passeamos,‭ ‬buscamos sombra,‭ ‬conversamos,‭ ‬crianças brincam,‭ ‬namorados se encontram,‭ ‬artesãos fazem feira,‭ ‬a arte acontece nas apresentações das bandas e dos artistas.‭ ‬Ali tem histórias,‭ ‬tem encontro de pessoas,‭ ‬tem patrimônio vivo e imaterial‭”‬,‭ ‬diz o manifesto do grupo.‭

O movimento social‭ ‬“Abraço às Árvores‭ ‬-‭ ‬S.O.S.‭ ‬Praça Getúlio Vargas‭”‬ é formado por profissionais voluntários,‭ ‬historiadores,‭ ‬pensadores,‭ ‬cineastas,‭ ‬arquitetos e artistas que ao longo de‭ ‬2015‭ ‬ocuparam a praça com protestos e intervenções depois que pelo menos‭ ‬20‭ ‬árvores foram cortadas durante operação de poda e corte dos eucaliptos realizada pela prefeitura.‭

A quantidade de cortes e a suspeita de irregularidades nos serviços repercutiu a ponto de o Ministério Público Federal‭ ‬abrir inquérito para investigar a operação na praça.‭ ‬Um Termo de Ajustamento de Conduta‭ ‬(TAC‭)‬ foi assinado e estabeleceu condições para a operação de corte emergencial dos eucaliptos da praça,‭ ‬e fixou prazos para o cumprimento de medidas compensatórias e para o início da execução do projeto de revitalização do local.‭ ‬Enquanto isso,‭ ‬a prefeitura só pode realizar intervenções nas árvores em situações emergenciais,‭ ‬para evitar queda de galhos e acidentes.

‬A Praça Getúlio Vargas foi projetada pelo paisagista francês Auguste François Marie Glaziou,‭ ‬o mesmo que desenhou a Quinta da Boa Vista,‭ ‬no Rio de Janeiro,‭ ‬e os jardins do Museu Imperial,‭ ‬em Petrópolis.‭ ‬A praça foi tombada como patrimônio histórico em‭ ‬1976.‭

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