Associação de Cervejeiros quer fortalecer polo com calendário de eventos e marca coletiva

Segundo a Beer Alliance, em breve serão 14 fábricas na região, fora os mais de 90 cervejeiros que produzem por hobby
quinta-feira, 20 de setembro de 2018
por Paula Valviesse (paula@avozdaserra.com.br)
Associação de Cervejeiros quer fortalecer polo com calendário de eventos e marca coletiva

Em Nova Friburgo é possível beber três cervejas artesanais por dia, durante um mês inteiro, sem repetir os rótulos produzidos na região. Quem garante é a Associação das Indústrias Cervejeiras de Nova Friburgo e Região (Beer Alliance) e chama atenção para a pujança do Polo Cervejeiro Artesanal. Em maio, o município foi oficializado como o berço da nova geração de produtores da bebida, com a sanção de lei estadual, e agora a valorização da marca coletiva e a manutenção de um calendário de eventos busca dar mais visibilidade aos produtos.

Segundo o presidente da Beer Alliance, Sérgio Paiva (foto), a associação é composta por dez fábricas e duas empresas ciganas (que têm distribuidoras de bebidas e vendem exclusivamente a própria marca, mas produzem nas fábricas já existentes). Hoje funcionam na região com inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) 30 marcas, cada uma produzindo pelo menos três rótulos diferentes, o que permite a degustação sem repetição.

“Destas 30, pelo menos 12 são fábricas que produzem ainda 18 marcas ciganas. Além, é claro de cervejeiros artesanais de outros municípios, como Campos dos Goytacazes, Macaé, Rio das Ostras, que procuram a nossa região para fabricação, especialmente por conta do clima e da água. Outros dois projetos de implantação estão em andamento e, em breve, serão 14 fábricas na região”, conta Sérgio Paiva, que ressalta que ainda existem mais de 90 cervejeiros artesanais nas redondezas.

Para aumentar a divulgação do polo, foi construída uma marca coletiva, a “Cervejas da Região de Nova Friburgo”. “Fizemos o registro da marca coletiva, que identifica as cervejas produzidas nesta região, dentro do polo. Essa marca é gerenciada pela Beer Alliance e pode ser utilizada por todos os associados. Ela permite a promoção das nossas cervejas para todo o país ao mostrar a força da nossa produção. Com uma atuação coletiva, seremos reconhecidos pela quantidade e qualidade de nossos produtos”, diz Sérgio.

Outra ação pensada pela associação é a criação de um calendário anual de eventos. Essa estratégia visa dar visibilidade ao polo, proporcionar a aproximação do produtor e do consumidor final e ajudar no escoamento da produção. “Queremos no calendário pelo menos seis eventos de pequeno porte, com duração de um dia. A proposta é estimular feiras nas praças e nos bairros. Propomos quatro festas de médio porte, fixadas próximo a datas importantes, se possível, com duração de três dias - sexta-feira à domingo. E uma festa de grande porte, com shows e atrações para toda a família”, afirma o presidente.

Para esse grande evento, o que tem sido pensado pela associação é a possibilidade de resgate da MaiFest. “Temos a intenção de resgatar este importante evento da cidade em sua tradição, destacando a cultura local, com a participação das colônias. Ela vai começar pequena, mas o objetivo é no futuro próximo termos uma festa emblemática como a Bauernfest em Petrópolis e a Oktoberfest em Blumenau”, torce Sérgio Paiva.

Lúpulo regional fortalecerá a marca coletiva

Com o polo cervejeiro reconhecido pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Nova Friburgo agora caminha para ter uma variedade exclusiva de lúpulo que se adapte às condições naturais do município. A notícia foi dada pelo presidente da Associação dos Engenheiros Agrônomos do Estado do Rio de Janeiro (Aearj), Leonel Rocha Lima, em agosto, durante a realização da 8ª edição do Congresso Estadual de Agronomia (CEA 2018), que teve o município como sede.

E, segundo Sérgio Paiva, a Beer Alliance tem participado dos grupos de trabalho e vê nessa criação como uma oportunidade de receber o selo que destaque os produtos do município como únicos: “Hoje, com a nossa história de produção, já podemos ter uma indicação de procedência, mas queremos chegar na denominação de origem”, diz Sérgio Paiva. Ainda de acordo com ele, nesta fase as pesquisas do lúpulo seguem em duas direções. “O primeiro é na produção propriamente dita, ou seja, no tipo de espécie vamos plantar (cultivares), que pragas vão atacar e qual tipo de solo receberá determinada adubação para obter a flor do luṕulo necessária. Não basta apenas ter uma flor, ela tem que ter os óleos essenciais. A segunda direção é a pós-colheita, ou seja, como é seco, embalado e conservado este produto (lúpulo) e como transformá-lo em novos produtos”, resumiu Sérgio Paiva.

 

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