Assalto inusitado

sexta-feira, 26 de outubro de 2012
por Jornal A Voz da Serra

Alessandro Lo-Bianco / @AlessandroLB

Esse negócio de assalto está deixando muita gente de cuca fundida. Também não é pra menos. Estão assaltando à luz do dia em plena via pública e nas horas de maior movimento. Os ladrões concluíram que a Polícia Militar enrustida nos quartéis e a Polícia Civil desaparelhada e indisposta já nada podem fazer contra eles. Consequentemente, há em diversas regiões centenas de pessoas amedrontadas e complexadas com os assaltos.  E foi com um desses complexados que aconteceu o assalto, mais fora de série dos últimos tempos em Nova Friburgo. Certo cidadão, cujo nome obviamente não vou citar, passou a andar armado até para ir ao boteco comprar cigarro. E foi justamente quando se dirigia à padaria do bairro, já na boca da noite, sem lua, que o nosso herói foi esbarrado por um sujeito negro, com 1,80 de altura por 60 de largura. Após a trombada, o nosso amigo saltou para o lado para fugir do corpo a corpo e, rápido, ao sentir falta da carteira de dinheiro, sacou do revólver, e irado, ele que já fora vítima de um “trombadinha” na praça Dermeval Barbosa Moreira, havia menos de um mês, gritou: “Para aí, moleque safado; passa a carteira”. E o negro, apavorado com a reação do “assaltado”, não titubeou e, diante do cano do 38, passou-lhe a carteira. “Agora corre, moleque, antes que eu lhe estoure com uma bala…” O negro não esperou segunda ordem.  Sumiu num salto triplo diluído no negrume da noite. Tremendo, ainda sob efeito da reação, como sói acontecer com os indivíduos pacatos, o nosso homem correu para casa em direção oposta a do assaltante. E lá chegando, aos berros, disse à mulher: “Tá vendo, você vive me criticando por andar armado. Mas, se não fosse o revólver, eu, há pouco, seria roubado”. E contou à esposa o ocorrido, já agora sobre os olhares de alguns vizinhos. E aí vem o desfecho da história: o assaltado havia deixado a carteira em casa… E o herói, agora mais nervoso e envergonhado, remexeu a carteira de sua “vítima” na busca de um endereço ou telefone. Achou. Telefonou e a resposta veio mais perturbadora: “Meu marido não pode atender agora. Ele está muito traumatizado, pois acabou de ser assaltado e quase foi morto em plena rua”. Desculpas, explicações, calmantes para os dois, abraços e início de novas amizades. Moral da história: assaltar não é difícil, só carece de motivação.

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