Artista plástico friburguense expõe obras inéditas retratando a infância

Bê Sancho apresenta toda a sensibilidade de suas memórias com “Afetos”, na Usina Cultural
sexta-feira, 02 de agosto de 2019
por Guilherme Alt (guilherme@avozdaserra.com.br)
Artista plástico friburguense expõe obras inéditas retratando a infância

O artista plástico friburguense Bê Sancho inicia sua exposição Afetos, neste sábado, 3, às 15h. As obras serão expostas na Usina Cultural Energisa (Praça Getúlio Vargas, 55 – Centro), até o dia 6 de setembro, de terça à sexta, das 13h às 18h . “Afetos” terá obras inéditas que vão retratar a infância, época, em que, na visão do artista plástico, “os afetos encontram terreno fértil. “O recorte que proponho, de forma sutil, nas pinturas em óleo sobre tela, sugere que há uma vulnerabilidade latente nesse tempo da vida humana. Há que se ter acolhimento e proteção para que a infância seja plena de afeto. E assim a vida das pessoas sigam em plenitude”, explica Bê.

Segundo o artista, a exposição contará com duas salas. Uma delas são obras de sua última exposição individual, realizada no Espaço Cultural dos Correios, intitulada “Morada”. “A exposição compreendia a morada como o lugar de origem das memórias afetivas, da dignidade humana, do acolhimento, das identidades, da segurança e dos diferentes sentidos de pertencimento”, disse o artista.

Na sala principal estarão as obras de “Afetos”.  Em tempos de abandono e contrastes sociais, Bê Sancho buscou representar um grupo social mais vulnerável e, portanto, afetar (com sua arte) as pessoas que admiram a arte. “No protagonismo sugerido na série apresentada sugiro que o visitante acione suas memórias e recordações e assim potencialize a dimensão cultural, religiosa e lúdica dos tempos vividos, mas que não deixem de se afetar por aqueles que estão ao nosso redor, no presente. Que nossos afetos se mantenham vibrantes e não se percam com a vida corrida dos tempos atuais”, propõe o artista. 

Diferente das séries anteriores, onde apresentou uma pintura vibrante e multicolorida, com elementos geométricos e tridimensionais (que poderá ser conferida na segunda sala), o artista plástico buscou um conjunto monocromático (cores em tons de terra) desprovidos de elementos secundários, visando, sobretudo, o contato direto com os personagens e seus afetos.

Um pouco mais de “Afetos”

Campos vibratórios de energia semântica, moradas de percepções e afetos constituem a trajetória de Bê Sancho, artista da poesia visual e das representações sensíveis. Sua presença provoca fissuras perceptivas cuja potência intensiva nos chama a refletirmos sobre o poder da criação e de vida em nossa própria existência.

A série Afetos nos traz a leveza da infância que nos afeta de forma arrebatadora. Nos convida a explorarmos a experiência da arte à emergência da (re)construção do homem. Mais do que saberes e histórias, trata-se do resgate da cultura popular como escrita genuína nascida da simplicidade e da autenticidade de saberes, vivências e expressões.

Tal série marca um momento de plenitude e harmonia, após um período de explosão e estilização geométrica e despojamento cromático. Bê Sancho é um pesquisador da arte, da história, dos temas da atualidade e, sobretudo, do humano. Cores organizadas em torno de uma dominante, cuja vibração de luz irradia emoção como um reencontro, como uma integração profunda do intelecto e do sensível, enquanto resposta sensível à vulnerabilidade que encobre a infância... Bê Sancho por Angelina Accetta Rojas, professora e doutora em Ciência da Arte.

Sobre o artista 

Nascido em Nova Friburgo, começou a pintar em 1992, ano em que se graduou em História. Seu trabalho é marcado por representações da cultura popular brasileira. É ainda um entusiasta, com influência cubista. Sua obra reflete luz e movimento, produzindo vitalidade e dinamismo de uma poética própria. Ao longo de sua carreira participou de diversas exposições, individuais e coletivas, deixando a sua marca e raiz afetiva. Deflagra a linguagem da arte como linguagem de vida, permitindo ao expectador interceptar a criatividade em sua obra. Bê Sancho dirige-se aos objetos do mundo como transcendentais à medida que se oferecem para serem compreendidos e interpretados em seus sentidos e em suas correlações. Sua experiência estética é desvelada na dimensão perceptiva do ser e do sentir.

 

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