Após prender Pezão no Rio, PF cumpre mandados em Bom Jardim

Ex-prefeito de município vizinho de Friburgo, já preso no início do mês, é alvo de novas buscas
quinta-feira, 29 de novembro de 2018
por Jornal A Voz da Serra
Pezão chega preso, mas não algemado, à Superintendência da PF no Rio (Foto: mediamax.com)
Pezão chega preso, mas não algemado, à Superintendência da PF no Rio (Foto: mediamax.com)

A operação da Polícia Federal que prendeu na manhã desta quinta-feira, 29, o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, também cumpre mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão em Bom Jardim. Os policiais também estão nas cidades fluminenses de Piraí, Barra do Piraí e Volta Redonda, e na cidade mineira de Juiz de Fora.

Em Bom Jardim, a PF cumpre mandados que envolvem o ex-prefeito da  cidade e atual secretário de governo de Pezão, Affonso Monnerat. Monnerat já havia sido preso no início deste mês durante a operação Furna da Onça, que também levou à cadeia dez deputados estaduais, entre eles André Corrêa (DEM), ex-secretário estadual de Meio Ambiente com relações políticas com Nova Friburgo.

Nesta quinta-feira, 29, os policiais cumprem, ao todo são 39 mandados judiciais, sendo nove de prisão e 30 de busca e apreensão. De acordo com a PF, a operação Boca de Lobo é mais um desdobramento da Lava Jato no estado. Os agentes investigam crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa e corrupção ativa e passiva, cometidos pela alta cúpula do governo do Rio.

Quem é Affonso Monnerat

Homem de confiança do governador, Affonso Monnerat, de 57 anos, era secretário de governo desde 2012 e tinha como função a interlocução com a Alerj e as prefeituras, além de ser o responsável pela articulação do gabinete do governador com as demais secretarias.

Monnerat chegou ao governador pelas mãos do ex-presidente da Alerj Paulo Melo (MDB), de quem foi chefe de gabinete entre 1995 e 2004. Melo, que já está preso. Monnerat saiu do cargo no gabinete do emedebista para disputar a Prefeitura de Bom Jardim, sendo eleito e reeleito. No segundo mandato, deixou a administração municipal para se tornar subsecretário da Região Serrana. A nomeação aconteceu após a tragédia das chuvas na serra.

Monnerat responde junto com Hudson Braga, outro homem da confiança de Pezão que já foi preso pela Lava-Jato, a um processo por irregularidades na contratação de empresas para a reconstrução de pontes após a tragédia. A ação corre na Vara Federal de Nova Friburgo.

As denúncias

As investigações da Polícia Federal tiveram início, em julho deste ano, com a homologação da colaboração premiada de operador financeiro Carlos Miranda, do ex-governador Sérgio Cabral, que já cumpre pena na capital. A operação também conta com a participação do Ministério Público Federal (MPF) e Receita Federal.

Segundo os investigadores, Pezão é acusado de operar esquema de corrupção próprio, com seus próprios operadores financeiros. Há provas documentais do pagamento em espécie a Pezão de quase R$ 40 milhões, em valores de hoje, entre 2007 e 2015. A assessoria do governo do estado afirmou que não vai se pronunciar. Com a prisão de Pezão, assume automaticamente Francisco Dornelles, seu vice.

Além de Pezão e Monnerat, também foram cumpridas as prisões de José Iran Peixoto Júnior, secretário de Obras; Luiz Carlos Vidal Barroso, servidor da Casa Civil; Marcelo Santos Amorim, sobrinho do governador; Cláudio Fernandes Vidal e Luiz Alberto Gomes Gonçalves, sócios da JRO Pavimentação; Luis Fernando Craveiro de Amorim e César Augusto Craveiro de Amorim, sócios da High Control.

A VOZ DA SERRA tenta contato com os citados.

Furna da Onça

A operação que prendeu deputados e ex-presidentes do Detran foi realizada no último dia 8 de novembro. A operação Furna da Onça investiga a participação de deputados estaduais em esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e loteamento de cargos públicos e mão de obra terceirizada em órgãos da administração estadual.

Dez deputados da Alerj tiveram a prisão decretada: André Correa (DEM), Edson Albertassi (MDB, nova ordem de prisão), Chiquinho da Mangueira (PSC), Coronel Jairo (MDB), Jorge Picciani (MDB, nova prisão, continuando em domiciliar), Luiz Martins (PDT), Marcelo Simão (PP), Marcos Abrahão (Avante), Marcus Vinícius “Neskau” (PTB) e Paulo Melo (MDB, nova prisão). Também foram presos o secretário de governo, Affonso Monnerat, o presidente do Detran, Leonardo Silva Jacob, e seu antecessor Vinícius Farah, recém-eleito deputado federal pelo MDB.

Os parlamentares são suspeitos de usar a Alerj em troca de propina mensal (“mensalinho”) durante seu segundo mandato (2011-14). De acordo com as investigações, a propina resultava do sobrepreço de contratos estaduais e federais. A Furna da Onça é um desdobramento da operação Cadeia Velha, deflagrada em novembro de 2017, e que prendeu a cúpula da Alerj, o presidente Jorge Picciani e o vice Paulo Melo e o ex-líder do governo Edson Albertassi.

 

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