Após descobrir que tinha câncer de mama, Rosângela Coelho Gomes resolveu criar, com o apoio do médico José Luiz Souza Ramos, uma associação que desse apoio às mulheres com esta doença. Em 11 de abril de 2000 era inaugurada então a Associação da Mulher Mastectomizada de Nova Friburgo, a Amma. A entidade – sem fins lucrativos – foi se firmando, ganhando espaço e voluntários, e conquistando o respeito da comunidade.
Além de dar apoio às vítimas da doença, a associação tem como missão conscientizar a população para a importância da prevenção desse tipo de câncer, o que consiste em realizar o autoexame e não deixar de fazer consultas periódicas.
Rosângela, que atualmente está em alta do tratamento, presidiu a entidade até que precisou passar o cargo para outra pessoa – Maria Helena Moraes dos Santos – por conta de seu emprego.
Com a experiência adquirida na associação, as voluntárias – pelo próprio fato de terem passado ou estarem passando por um câncer – têm a habilidade e sensibilidade de saber como receber uma nova vítima da doença e também promover, na prática, ações que possibilitem ajudá-las. Por isso, o número de serviços prestados pela instituição é grande: acolhimento e orientações, atendimento psicológico e fisioterápico, assistência jurídica e social, terapia familiar, palestras, empréstimos de perucas e gorros para as pessoas que estão passando por quimioterapia, doação de próteses e sutiãs especiais, aulas de artesanato e oficinas, doação de cestas básicas durante o tratamento, mediante a avaliação da assistente social, além de adiantamento financeiro para quem precisa se tratar fora de Nova Friburgo. Além disso, a Amma promove e participa de vários eventos e campanhas, como o "Outubro Rosa”, o projeto "Se Toca, Friburgo”, entre outros.
"No dia 2 de novembro vamos participar de um chá beneficente promovido pela Afridev (Associação Friburguense de Inclusão do Deficiente Visual). Achamos importante essa parceria com as outras instituições”, diz a presidente Maria Helena, lembrando que os homens também têm que se preocupar com o câncer de mama, já que, contrariando o que muitos pensam, eles também têm possibilidade de serem vítimas dessa doença.
"O agravantes nesse caso é que dificilmente os homens ligam caroços que aparecem ao câncer de mama. Acham que foi um esforço, que foi no futebol, que logo vai passar. Geralmente eles não costumam muito ir a médicos mesmo, e se nem passar pela cabeça que o tal caroço possa ser um câncer de mama, aí é que eles deixam passar. E a descoberta tardia da doença pode ser fatal”, esclarece Maria Helena.

O calendário não poderia começar de outra forma: Rosangela Coelho Gomes, a fundadora da Amma, é a musa do mês de janeiro
Alegria de Viver
Durante a Fevest de 2012 o grupo Loucos por Lingerie – formado por profissionais de diferentes áreas – lançou uma campanha cujo tema foi "Alegria de Viver”, cujo ponto central foi a produção de um calendário com fotos de mulheres da Amma. O cenário foi o barracão da Escola de Samba Unidos da Saudade e a fotógrafa foi Érika Castro. Com renda das vendas revertida para a associação, o calendário foi um sucesso. Melhor, alavancou a autoestima das "modelos”. "Eu sou a Fevereiro”, diz Suely Santos. "Eu sou a Março”, rebate Maria Inês Gomes”. "Mas o mês mais bonito é junho”, provoca Aldaléia Martins, brincando.
"Foi uma coisa muito legal, muito importante para elevar a nossa autoestima”, reitera Suely, todas mostrando a alegria de viver pós-câncer.

"As pessoas vêm para cá pela dor ou pelo amor. Mas geralmente é pela dor.”
Assim Maria Helena Moraes dos Santos descreve o sentimento de quem passa a ser voluntário da Amma, presidida por ela. E normalmente é isso que acontece em qualquer entidade: a adesão se dá depois que as pessoas sentem na pele o problema, ou tem algum ente querido com a doença ou deficiência.
No entanto, este não é o caso de Irlene Klein Ribeiro. Considerada "braço direito” da Amma, ela não teve câncer e não tem parentes vitimados pela doença. Em 2002, foi chamada pela fundadora da ONG, Rosangela Coelho Gomes, para ajudar a entidade. Não saiu mais. É claro que no começo as histórias que ouvia a assustavam. Sofrimento físico e psicológico, luta pela vida, Irlene só conhecia à distância. Passou a conviver ali, no dia a dia, e a se tornar amiga das vítimas do câncer. "Tem casos e casos, mas a gente tenta fazer o melhor em cada um deles”, diz Irlene, que trabalhou como auxiliar de tesouraria na antiga fábrica Ypu. "Este é o meu primeiro trabalho como voluntária. É muito bom. A gente esquece os próprios problemas, das nossas dores, esquece um pouco da gente mesmo. É muito bom ajudar os outros”, finaliza ela.

Um dos serviços oferecidos pala Amma é a fisioterapia, fundamental para a recuperação funcional de quem passou pela mastectomia, e independente do tipo de cirurgia a que o paciente tenha se submetido.
Há um ano e meio na instituição, Luciana Guedes explica que após a operação a pessoa perde a mobilidade do braço, o que interfere na qualidade de vida.
"Existe uma fisioterapia própria para a oncologia. Toda pessoa que passa por uma mastectologia fica com limitação de movimentos no braço relativo à mama operada. E tem o fator psicológico, que provoca medo também: ela acha que não vai conseguir mexer, usar o braço, direito, fica insegura. A fisioterapia é capaz de reverter este problema rapidamente, chegando a 100% de mobilidade”, esclarece a fisioterapeuta, que veio do Rio de Janeiro por causa do marido, que veio trabalhar em Nova Friburgo. A sogra pediu para ela ajudar uma pessoa com linfedema – inchaço crônico devido à deficiência da drenagem no sistema linfático – que a indicou para a Amma. Luciana foi à associação a passou a trabalhar lá, atendendo vários tipos de caos, como o da costureira que após a cirurgia teve linfedema. "Obviamente ela precisava dos braços para trabalhar, mas com linfedema era impossível. E aí o problema aumenta, porque o governo não considera esta doença como motivo de aposentadoria, apesar de ela não ter cura e limitar os movimentos da pessoa. Aí entra a fisioterapia e também a busca por outras atividades, como a arteterapia e as aulas de artesanato que temos aqui, e que pode se transformar numa fonte de renda”, ressalta Luciana. "Existe até um núcleo da Amma em Amparo, onde as pessoas aprendem artesanato”, diz ela, aconselhando a quem passa pela mastectomia a pedir ao médico um encaminhamento para a fisioterapia assim que sair da cirurgia. "Quanto mais o tempo passar, mais difícil é a recuperação”, avisa Luciana.
A AMMA fica na Rua Mato Grosso 20, Centro, horário de atendimento de segunda a sexta, das 13h às 18h. O telefone é (22) 2526-5104; fax (22) 2526-5322; e-mail ammanf@hotmail.com e site ammanf.org.
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