Águas de Nova Friburgo completa um ano de concessão

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
por Jornal A Voz da Serra
Águas de Nova Friburgo completa um ano de concessão
Águas de Nova Friburgo completa um ano de concessão

Concessionária Águas de Nova Friburgo

completa um ano de serviços prestados à população

Um ano se passou desde o anúncio da nova era do saneamento básico em Nova Friburgo. Por trás da inovadora proposta da concessionária Águas de Nova Friburgo, que assumiu a concessão em 22 de janeiro de 2009, está o espírito desafiador do superintendente, o engenheiro civil Alexandre Bianchini. Em entrevista exclusiva para A Voz da Serra, o engenheiro, que tem 20 anos de experiência em saneamento, fala das mudanças implementadas pela empresa em 2009 e dos projetos para o futuro.

A VOZ DA SERRA - Por que podemos dizer que Nova Friburgo está vivendo a nova era do saneamento básico?

Alexandre Bianchini - O Grupo Águas do Brasil assumiu os serviços de água e esgoto em Nova Friburgo, transferindo o controle acionário da Caenf e das outras empresas do grupo americano Tyco International, para o grupo genuinamente brasileiro. Entre os objetivos da empresa ao longo dos 15 anos de concessão está o desafio de mudar o cenário do saneamento na cidade, trazendo, entre outras melhorias, o tão sonhado tratamento do esgoto. Na verdade foi um pedido do senhor prefeito, o engenheiro Heródoto Bento de Mello, para alterarmos o projeto criado pela antiga concessionária, que previa apenas uma estação de 300 litros/s para seis estações que, juntas, tratarão 472 litros/s. Um antigo sonho do friburguense que já está se tornando realidade. Afinal, a primeira estação de tratamento de esgoto já começou a ser construída em Olaria e deve ser inaugurada em maio deste ano.

AVS - Qual será a primeira estação de tratamento de esgoto da cidade?

Alexandre Bianchini - A ETE-Olaria, a primeira estação da cidade, foi projetada para receber uma vazão média de 120 litros de esgoto por segundo, podendo atingir picos de até 220 litros, ou seja, aproximadamente 310 milhões de litros de esgoto por mês. A nova estação tratará 30% do esgoto da cidade, beneficiando diretamente cerca de 50 mil pessoas. Além da capacidade de tratamento, a tecnologia que será utilizada na ETE-Olaria será inovadora. Pela primeira vez no estado do Rio de Janeiro uma empresa de saneamento utilizará o sistema de Biorreatores de Leito Móvel (MBBR - Moving Bed Biologic Reactors). Este sistema permite que cerca de 95% da matéria orgânica sejam removidas durante o processo de tratamento do esgoto, necessitando, para isso, de um espaço relativamente pequeno, sem ruídos e sem emissão de odores desagradáveis. Apesar de este modelo requerer maior custo de operação, o compromisso da empresa com a cidade é o mais importante nesta nova relação.

AVS - O projeto também inclui a construção de outras estações?

Alexandre Bianchini - Além da estação de Olaria, o projeto prevê a construção de mais cinco Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) nos próximos quatro anos, nas seguintes localidades: Cônego, Centro, Ponte da Saudade, Córrego D’Antas e Conselheiro Paulino. As obras já estão a todo vapor. Em seis meses quase seis quilômetros de tubos de ferro fundido, de 250 e 400 milímetros, foram instalados às margens do Rio Santo Antônio, em Olaria. Ao todo serão cerca de 47 quilômetros de tubulação que serão instalados por toda a cidade. As seis estações de tratamento tratarão, juntas, 90% do esgoto de toda a cidade. O projeto está dividido em três fases: na primeira, que vai até dezembro de 2010, serão tratados 30% do esgoto; na segunda fase, até dezembro de 2011, 60% de cobertura e, na terceira fase, 90% de cobertura, até dezembro de 2012. Com isso, mais de um bilhão de litros de esgoto deixarão de ser jogados in natura no Rio Bengalas.

AVS - Além de iniciar a construção da primeira estação de tratamento de esgoto, quais foram os outros feitos da empresa neste primeiro ano?

Alexandre Bianchini - Em 2009 a concessionária deu o primeiro passo no que diz respeito ao compromisso de transformar Nova Friburgo em referência nacional do saneamento básico, iniciando uma relação de confiança com os clientes. Levamos mais conforto e agilidade para os clientes, através no novo posto de atendimento, na Rua Moisés Amélio, no centro da cidade. Desde setembro, cerca de nove mil pessoas puderam pagar suas contas, solicitar serviços e negociar seus débitos naquele espaço. A flexibilização nas negociações foi outra ferramenta primordial utilizada para aproximar os clientes da empresa. Em 2009, em trabalho conjunto com o Poder Judiciário, o número de acordos judiciais realizados pela empresa foi quase três vezes maior do que o volume de acordos realizados pela antiga gestora no ano anterior. Além disso, implantamos cerca de dez mil metros das redes de água e esgoto em todo o município, reformamos as Estações de Tratamento de Água, modernizamos elevatórias e implantamos o Centro de Controle Operacional com telemedição a distância on-line. Mas, estamos apenas começando, muita coisa vem por aí.

AVS - E o valor da tarifa? O reajuste de 16,38% está relacionado à implantação do projeto de tratamento de esgoto?

Alexandre Bianchini - Excelente pergunta, afinal, uma relação de confiança se estabelece com transparência. O reajuste é fruto de decisão judicial, que determina o cumprimento integral do contrato de concessão, no que tange a obrigações (investimentos) e direitos da concessionária. O reajuste de 16,38% é composto por 10,32% referentes ao reajuste inflacionário de 18 meses, calculado pela forma paramétrica do contrato de concessão, que inclui custo de mão de obra (índice de FGV), custo da construção civil (índice da FGV), custo de produto químico (índice FGV) e pela variação da energia elétrica (Energisa) no período. Estes insumos, que formam os principais custos de operação da concessionária, somados aos 5,5%, que se referem ao reequilíbrio do contrato, que consta no quarto termo aditivo, tornam possíveis os investimentos que contemplam a construção de seis estações de tratamento em quatro anos, elevando a taxa de esgoto tratado de 0 a 90%. Vale lembrar que a média nacional é de 20%. Não há como negar que o remédio é amargo, porém, diante do quadro de caos que vivemos, principalmente no que tange ao tratamento de esgoto, se considerarmos que finalmente estamos chegando à resolução definitiva deste problema, com uma tarifa básica de R$ 1,4660, que é uma das menores do país, estamos em patamar de modicidade.

AVS - A implantação dos projetos em Nova Friburgo tem um valor especial para o senhor?

Alexandre Bianchini - Minha família é daqui da região. Passei a minha infância e adolescência vindo a Nova Friburgo, onde fiz grandes amigos. Quando entrei para a área de saneamento, principalmente depois que comecei a trabalhar em Águas do Brasil, considerando a experiência e o compromisso social e ambiental deste grupo, passei a ter o sonho de um dia poder contribuir para o crescimento desta cidade. Este sonho virou realidade e agora estamos trabalhando muito para tornar Nova Friburgo referência em serviços de água e esgoto, o que ajudará a recuperar a capacidade do turismo, o potencial econômico e a qualidade de vida da população.

Prefeitura e Águas de Nova Friburgo caminham juntas nessa nova era

Também em entrevista para A Voz da Serra, o prefeito Heródoto Bento de Mello faz um balanço do primeiro ano de serviços prestados pela Águas de Nova Friburgo.

A VOZ DA SERRA - Como é a relação hoje da Prefeitura com a concessionária Águas de Nova Friburgo?

Heródoto Bento de Mello - Foi uma proposta de campanha minha resolver o problema do saneamento em Nova Friburgo. A Prefeitura vinha discutindo há mais de dez anos com a antiga concessionária e não se chegava a uma solução. A Águas de Nova Friburgo, ao assumir a concessão na cidade, se prontificou a resolver o problema e colaborar com a Prefeitura. Propusemos uma alteração no projeto antigo, que não atendia às nossas necessidades. A Águas de Nova Friburgo concordou logo em mudar o projeto e estabelecer as novas Estações de Tratamento de Esgotos (ETEs), o que já começou a ser executado. Eu vejo isso com muita satisfação. De fato, o contrato está sendo cumprido e nós vamos ter nos próximos quatro anos, conforme a Águas de Nova Friburgo propôs, o sistema de tratamento de esgoto.

AVS - O que o senhor acha de uma cidade, como Nova Friburgo, não ter o esgoto tratado?

Heródoto Bento de Mello - Qualquer cidade tratada sem esgotamento sanitário não é uma cidade civilizada. Não se pode admitir o esgoto correndo a céu aberto pelos nossos rios. A Águas de Nova Friburgo está mudando isso.

AVS - Há um ano a Águas de Nova Friburgo assumiu a concessão dos serviços de saneamento da cidade, concessão essa que é válida por 15 anos. O que o senhor espera da empresa nestes próximos anos?

Heródoto Bento de Mello - A concessionária Águas de Nova Friburgo tem se mostrado disposta a discutir os problemas junto com a Prefeitura. Temos encontrado soluções juntos. Estou certo que com o decorrer do tempo a empresa vai continuar com a mesma proposta.

AVS - Como o senhor pode avaliar esse primeiro ano de serviços prestados pela concessionária?

Heródoto Bento de Mello - Foi um ano de muito trabalho, quando a empresa realizou vários projetos. Ela está se organizando e creio que isso vai continuar.

AVS - Com as Estações de Tratamento de Esgoto, cerca de um bilhão de litros de esgoto deixarão de ser jogados in natura nos rios da cidade. A despoluição dos rios é um antigo sonho do senhor?

Heródoto Bento de Mello - Eu me lembro, há 60 anos, quando entrava no Rio Bengalas sem medo. Ter o Rio Bengalas limpo, como deve ser, com águas cristalinas, é um sonho de todos nós, friburguenses.

TAGS: