Adoção de animais: responsabilidade é a palavra-chave

Confira 7 dicas para uma adoção responsável
segunda-feira, 14 de março de 2016
por Ana Blue
(Foto: Nguyen Hoangnam/Flickr)
(Foto: Nguyen Hoangnam/Flickr)

Ela tem um comércio no centro da cidade, onde trabalha todos os dias de manhã até a noite, menos aos domingos. Mãe, esposa, trabalhadora, uma mulher como muitas outras, cumprindo o sacrossanto direito à rotina. No cenário, um detalhe curioso: a quase todo tempo, Luciana recebe visitas mais que animadas. Carinhas felizes, orelhas hiperativas, rabos que se abanam quase sem controle. E olha que sua loja não é de petiscos caninos nem felinos, tampouco padaria com aquele montão de frangos no espeto, não. O segredo entre Luciana e os animais é a gratidão.

“Nossa ajuda não pode parar, e nossos corações não podem parar de bater por eles, eles precisam de nós!” Assim começa uma das muitas postagens de Luciana Silva no seu perfil no Facebook, que entre uma e outra foto pessoal ou novo meme da internet, é cheio de pedidos de ajuda para esses “anjos” – como ela mesmo gosta de chamá-los. E, claro, vê-se também muitas manifestações de carinho e respeito pelo trabalho desenvolvido com os animais abandonados, indefesos, muitas vezes doentes ou feridos em decorrência de atropelamentos – e, em sua maior parte, fêmeas.

Além da corrida pela adoção, Luciana recebe denúncias de maus-tratos diariamente. Não, ela não trabalha em nenhum órgão público – é comerciante, como já foi dito. Ela não tem responsabilidade de fiscalizar tampouco dar destino aos casos que lhe chegam. “Mas quem tem que fazer não faz. Eu vou esperar, vou deixar bicho morrer?”, dispara. Lembrando que no Brasil maltratar animais de qualquer espécie é considerado crime ambiental, segundo prevê o art. 32 da Lei nº 9.605, de 1998, com pena de detenção de três meses a um ano e multa.

Assim como Luciana, Cristina Paxeco e Celina Müller também são personagens que se dedicam à causa animal. A história das três mulheres se cruza no período pós-tragédia, quando tantos animais perderam suas famílias e suas casas. Cristina fundou um abrigo temporário e Celina, que é presidente da CPA (Cooperativa de Trabalho de Proteção Animal de Nova Friburgo), pioneira no Brasil, é também responsável pelo projeto Amicão e Amicat, que dentre muitas atividades de resgate e amparo, promoveu ainda diversas feiras de adoção.

Mas é aí que o bicho pega (ou não pega)

Quem conhece Liliana Sarquis sabe: ela faz o tipo durona, mas tem um coração de manteiga. E essa manteiga toda derrete quando o assunto é o Rufus, seu cãozinho. “Amor incondicional à primeira vista. Independentemente de ser bonitinho saudável, com pedigree e etc, adotar é diferente de você ir em uma loja e escolher um filhote. Foi o Rufus que nos escolheu”, diz ela.

Mas nem todos os cachorros são o sortudo Rufus, nem todos os donos são tão dedicados quanto Liliana. Especificamente no caso das feiras promovidas pela Celina Müller, mesmo com tanta repercussão positiva nas redes sociais a respeito das feiras de adoção, um dado velado chama a atenção. Celina atenta para a quantidade de pessoas que adotam um bichinho no impulso, sem se certificarem de que possuem as condições e instalações necessárias para recebê-lo, e depois, tal qual o sapato que não serve mais, larga-o a Deus dará se as coisas não estão indo bem no ambiente doméstico.  

Pensando nisso, A VOZ DA SERRA preparou uma lista com alguns pontos essenciais para se pensar na hora de adotar um novo amigo. Tome nota e boa sorte!

Confira 7 dicas para uma adoção responsável

1) Adote animais de abrigos públicos e privados (vacinados e castrados), em vez de comprar por impulso.

2) Informe-se sobre as características e necessidades da espécie escolhida – tamanho, peculiaridades, espaço físico.

3) Antes de ter um animal, considere que seu tempo médio de vida é de 12 anos. Pergunte à família se todos estão de acordo, se há recursos necessários para mantê-lo e verifique quem cuidará dele nas férias ou em feriados prolongados.

4) Informe-se sobre as características e necessidades da espécie escolhida – tamanho, peculiaridades, espaço físico.

5) Mantenha o seu animal sempre dentro de casa, jamais solto na rua. Para os cães, passeios são fundamentais, mas apenas com coleira/guia e conduzido por alguém que possa contê-lo.

6) Ele não é só um brinquedinho bacana. Cuide da saúde dele, forneça abrigo seguro, alimento, vacinas e leve-o regularmente ao veterinário. Dê banho, escove, exercite, acarinhe, recolha suas sujeirinhas.

7) Eduque o animal, se necessário, por meio de adestramento, mas respeite suas características.

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