Bruno Pedretti
A catástrofe ocorrida no início do ano na Região Serrana mobilizou o povo brasileiro. Enquanto a mídia nacional transmitia ao mundo o que estava acontecendo em Nova Friburgo, Teresópolis, Bom Jardim, Sumidouro e Petrópolis, entre outros municípios afetados, grupos de vários estados se reuniam para colaborar com as vítimas das chuvas. O resultado do esforço coletivo foram as toneladas de alimentos, milhares de peças de roupas e litros d’água, remédios e vacinas, materiais de limpeza, e abraços.
Isso mesmo! Uma proposta diferente, que começou pela internet com o seguinte anúncio: “Campanha de arrecadação de abraços em favor dos desabrigados de Nova Friburgo”. O palhaço e malabarista Wesley Cipriano e a internauta Geise Gomes se reuniram no Rio de Janeiro e vieram para a cidade distribuir os abraços que a população friburguense tanto precisava. “O intuito era mobilizar nossos amigos espalhados pelo Brasil a virem à Friburgo abraçar as pessoas. Mas, como as pessoas não podiam vir, pediam que nós entregássemos seus abraços”, comenta Wesley, que encontrou uma forma de representar os amigos que gostariam de vir ao município. “Pensamos em como poderíamos entregar o abraço de outra pessoa, aí tivemos a ideia das bolas: nós chegávamos aos lugares com um saco cheio de bexigas e uma plaquinha que dizia: entrega dos abraços”, conta o palhaço.
A dupla proporcionou às crianças oficina de malabares, brincadeiras e carinho. “As pessoas nos receberam de braços abertos e com muito carinho. Parecia que estávamos entregando algo material, como roupa ou dinheiro, de tão emocionadas e com tanta gratidão que recebiam nosso simples abraço”, garante Geise Gomes.
Ela conta que se encontrou com Wesley dias depois da tragédia e vieram para Nova Friburgo de imediato. “Não sabíamos, de início, por onde começar, e ao chegar à cidade tivemos poucas informações de onde ou para onde estavam sendo remanejados os desabrigados”, relata Geise. Eles visitaram o Ciep de Olaria e o Lar Abrigo Amor a Jesus, levando abraços às crianças do Ciep e aos idosos da entidade localizada no Lagoinha.
De acordo com a dupla solidária, os momentos emocionantes foram muitos, mas um marcou bastante. “O dia mais emocionante foi na praça. As pessoas nos agradeciam tanto, os abraços duravam muito tempo. Eu, particularmente, me senti rica e útil por perceber que um abraço e um sorriso, às vezes, valem mais do que grandes ações”, relata Geise, que gostou da ação diferenciada para ajudar a reerguer Nova Friburgo. “Sabíamos que estavam sendo muitas as doações de roupas, alimentos e coisas do tipo. Queríamos trazer algo diferente, como carinho e atenção, ouvir as pessoas, fazê-las sorrir, e não explorar suas tristezas”, afirma.
A campanha de arrecadação de abraços pretende continuar. “Assim que percebermos algum lugar no Brasil precisando receber abraços, não vamos medir esforços para estarmos lá, entregando os abraços. Pretendemos voltar à Friburgo daqui a um ano, reforçando os abraços, e desta vez queremos ir com todos os amigos que fazem parte desse movimento”, declara Geise. Bem-humorada, ela cita: “Dizem que uma andorinha só não faz verão, isso eu não sei, mas sei que pelo menos duas fazem”, encerra.

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