A política por baixo da bola

sexta-feira, 25 de junho de 2010
por Jornal A Voz da Serra

Por Thiago Mercier*

Enquanto todos têm os olhos bem voltados para o que acontece lá na África do Sul, aqui, no Brasil, por baixo da jabulani os artilheiros estaduais, federais e presidenciais realizam suas jogadas. Se em campo Robinho não vinha conseguindo qualquer entrosamento com Kaká, na pré-campanha eleitoral as convenções parlamentares vêm surpreendendo com alianças, digamos, inusitadas. O PV e o PSDB seria apenas uma delas, já que ambos possuem candidatos próprios à Presidência da República.

Se serão bem entrosadas ou não, aí já é outra conversa.

A bem dizer, a Seleção Brasileira passou por uma TPE (Tensão Pré-Estreia), enquanto que os engravatados por aqui vivem um período de TPE (Tensão Pré-Eleitoral), que é outra coisa. Um período, aliás, já bastante chacoalhado por conta da aprovação da emenda ‘vamos roubar o dinheiro dos estados petrolíferos’, (leia-se ‘emenda Ibsen Pinheiro’), que altera a distribuição dos royalties do petróleo para todos os estados e municípios brasileiros. Os fanfarrões do Senado, numa madrugada em que não tinham nada para fazer, aproveitaram a abstração da imprensa brasileira com a Copa e, às 2h da manhã (será que eles vão requerer hora extra por isso?) do dia 10 de junho, aprovaram o “assalto federativo” ao estado do Rio, São Paulo e Espírito Santo.

Conseguiram, a partir daí, amarrar o rabo da candidatura da mulher de ferro do governo Lula. Caso vete o projeto – inconstitucional, vale ressaltar –, Lula corre risco de desagradar uma grande parcela de eleitorado, mas faria uma grande média com Rio, São Paulo e Espírito Santo, estados, contudo, insuficientes para eleger Dilma. Se, ao contrário, Lula sanciona, constitui forte aliança com demais estados que até então não viam um centavo sequer dos benefícios do petróleo. Mas ao mesmo tempo se apresentará com um governante sem qualquer respeito pelo que é ou não Constitucional.

Voltando a falar das alianças, um possível apoio do ex-governador Garotinho ao candidato do PV, Fernando Gabeira, soa quase como piada, sem falar que não pegaria nada bem para o candidato verde aparecer ao lado de alguém que se encontra, neste momento, inelegível por abuso de poder econômico e, em outrora, encenou uma vergonhosa greve de fome depois de sofrer com maçantes denúncias de corrupção pelo jornal O Globo. E essa é apenas uma das muitas curiosidades que vem acontecendo enquanto todo mundo presta atenção na Copa. E eu, que também sou brasileiro, volto a minha atenção para a jabulani rolando lá na África do Sul, onde a bola ainda rola redonda, pois, por aqui, a política brasileira anda estranha e mal das pernas. Tão estranha quanto uma bola quadrada... E bola quadrada é coisa que nunca se viu por aqui.

*jornalista

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