A hora e a vez das mulheres

segunda-feira, 08 de março de 2010
por Jornal A Voz da Serra

Nesta segunda-feira, 8, comemora-se o Dia Internacional da Mulher, mas, na verdade, um dia só por ano é pouco para elas. Com a modernidade, que impõe às mulheres, homens, jovens e até crianças cada vez mais compromissos, muitos já chegam à conclusão de que 24 horas num dia é pouco para tantos afazeres. E as mulheres lideram o ranking das multitarefas. Elas administram o lar, cuidam dos filhos, dos maridos, vão às compras, trabalham fora e muitas ainda arrumam um tempinho em meio aos compromissos, quase que milagrosamente, para atividades voluntárias, que engrandecem e contribuem na realização pessoal.

Por conta de mais esta data especial, A VOZ DA SERRA encontrou uma dessas mulheres que se desdobram em mil para realizar tantas tarefas num só dia, dividindo-se entre mãe, profissional, dona de casa, esposa, conselheira e muito mais. É a dentista Wilma Teixeira Rocha, 49 anos. Ela é casada com o protético Sérgio Teixeira e divide com ele o atendimento diário a dezenas de pacientes num consultório na Rua Sete de Setembro, no Centro. Wilma tem ainda um casal de filhos: Natália, de 20 anos, que cursa Relações Exteriores no Rio, e Rodrigo, de 11 anos.

Antes das 7h Wilma já está de pé e corre para administrar a rotina da casa da família, no alto do bairro Cascatinha. Sem empregada doméstica e apenas com faxineira uma vez por semana, fica exclusivamente por conta de Wilma limpar a cozinha, o banheiro, arrumar os demais cômodos da casa, lavar e passar roupa, acompanhar o rendimento de Rodrigo no 5º ano do ensino fundamental e ajudá-lo nos deveres de casa. Tudo rapidinho, porque, às 12h30, ela tem que sair de casa para atender aos pacientes no consultório dentário. Epa! E o almoço? Dá tempo de preparar? Não! E também não tem problema: a culinária é tarefa exclusiva de Sérgio em casa.

“Não sei cozinhar. Ainda bem que meu marido dá conta do recado. Senão teríamos todos que fazer as refeições fora de casa. Um gasto a mais”, observa Wilma, que começa o atendimento no consultório às 13h30 e dificilmente acaba antes das 20h. De volta a casa ainda tem o segundo tempo das tarefas domésticas. “Só tiro mesmo o sábado para as compras de supermercado, ir ao salão de beleza e curtir a família. A vaidade não pode ser vencida pela falta de tempo”, entrega. Às quartas e sextas-feiras Wilma também trabalha pela manhã no consultório. Nestes dias as tarefas domésticas ficam para a noite e ela só faz um pequeno intervalo para ir em casa almoçar. Porém, o que chama a atenção na rotina árdua de Wilma, comum para as mulheres modernas, é sua dedicação às causas sociais.

Prazer e satisfação que não vêm pelo dinheiro

A dentista reserva todas as tardes de terça-feira para prestar seus serviços profissionais gratuitamente aos vovôs e vovós internos do Lar Abrigo Amor a Jesus (Laje), que possui um consultório odontológico, mas quase sem equipamentos. A maioria dos apetrechos necessários para o atendimento aos internos Wilma leva do próprio consultório e, para os casos mais graves, ela conta com a ajuda de dentistas amigos, que também atuam voluntariamente.

“Poderia não abrir mão do expediente no meu consultório, mas o dia que reservo para trabalhar de graça no Abrigo tem uma recompensa fenomenal. Os vovôs de lá precisam, claro, do tratamento dentário, mas o que mais eles querem mesmo é a companhia. Nos dias que não tem tantas consultas para fazer, cumpro o tempo previsto inteiro conversando com eles, dando carinho. E como volto de lá mais leve e recompensada! Dinheiro nenhum pagaria essa tamanha satisfação”, sustenta Wilma, que dá um verdadeiro exemplo com a atitude filantrópica, que poderia ser seguida por demais profissionais, principalmente os de saúde.

“Eu recebo muito mais que eles, não em dinheiro. Quando, por algum motivo, não posso ir lá, eles sentem uma imensa falta. Como aprendo com eles! É uma troca de experiências”, revela a dentista, que conheceu o Laje através de outra filantropia feita no consultório de amigos vicentinos da instituição beneficente Sociedade São Vicente de Paulo, que são atendidos por ela gratuitamente no consultório e a apresentaram ao Laje. “Quando meu marido ficou desempregado, minha família enfrentou dificuldades e hoje sei muito bem o que é passar necessidades. Por isso, jamais me importo de fazer o bem e ajudar a quem precisa. A recompensa e a satisfação pessoal são muito maiores que qualquer valor financeiro”, diz Wilma.

Claro que a dentista não é única no desdobramento de tantas tarefas diárias e ainda encontra tempo para filantropia. Seu exemplo de vida é louvável e é registrado aqui com o intuito de homenagear as mulheres que fazem acontecer e incentivar outras a fazer o bem a quem mais precisa. Certamente é uma recompensa e tanto!

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