Não é fácil para um colunista ter assuntos interessantes toda semana para escrever uma coluna no jornal. A dificuldade reside exatamente no fato de não havendo uma pauta específica, ficar por conta do próprio escolher um tema; e haja imaginação.
Hoje eu me sinto exatamente assim, mas ocorreu-me levantar um assunto que embora seja específico para os amantes do futebol, pode interessar aos leitores de um modo geral, quando se trata da irresponsabilidade de alguns dos nossos dirigentes.
Foi o que aconteceu domingo no Engenhão, Estádio João Havelange, onde o time do Botafogo enfrentava a equipe do Olaria. No final do primeiro tempo desabou um temporal sobre a cidade do Rio de Janeiro, com raios e relâmpagos riscando os céus, tornando arriscada a continuação de uma partida de futebol. Os raios poderiam atingir um ou vários jogadores, o campo pesado e escorregadio colocaria em risco integridade física dos atletas, inclusive com a possibilidade de fraturas.
A luz acabou por cerca de 20 minutos, a intensidade da chuva persistia a ponto da excelente drenagem do campo começar a ficar comprometida. Mesmo com a energia elétrica restabelecida, o bom senso apontaria para a suspensão da partida.
É aí que entra em campo a irresponsabilidade dos nossos cartolas. Por causa de um calendário mal planejado, com jogos de duas até três vezes por semana, com horários os mais estapafúrdios como o das 19h30 de um domingo ou 8h de um dia de semana, o espetáculo não pode parar. Ou seria a palhaçada que não pode parar, como disse o técnico Dé do Olaria e que foi expulso por causa desse comentário.
Por outro lado, se o jogo fosse suspenso antes do reinício do segundo tempo, a partida teria que ser jogada de novo, com portões abertos. Quanto a isso, nenhum problema, pois com os portões abertos talvez o público fosse maior. Mas, provavelmente, orientado pelos chefões da federação o juiz Grazianni Manoel Rocha iniciou o segundo tempo. Jogou para o alto a cautela, o bom senso e o respeito aos atletas simplesmente por que sabe que se um jogo de futebol for interrompido após os 30 minutos do segundo tempo, vale o placar daquele momento. O calendário fica preservado e os jogadores que se danem.
Quando o jogo Flamengo X Vasco da Gama começou, às 19h30, apesar de ainda chover muito, o volume de água que caía não era suficiente para ameaçar a integridade física dos jogadores, e a também muito boa drenagem do Maracanã preparada para garantir um gramado sem poças, em condições de suportar um jogo sem maiores contratempos.
Entra ano sai ano esses contratempos sempre acontecem e a obtusidade desses dirigentes não mostra sinais de melhora. Talvez por nunca terem chutado uma bola de meia, vestido calções e chuteiras, sejam incapazes de avaliar os riscos de se jogar futebol nessas condições.

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