Editorial - Lixo que preocupa

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
por Jornal A Voz da Serra

UM ALERTA foi feito nesta segunda pela ONU através do Programa para o Meio Ambiente (Pnuma), sobre a geração de lixo eletrônico no planeta. Segundo o relatório, 40 milhões de toneladas dessa engenhoca são geradas anualmente, sendo a maior parte pelos países desenvolvidos, mas o Brasil não fica fora dos grandes que descartam tais produtos, traduzindo um grave risco ao ambiente e à saúde pública.

DOS PAÍSES emergentes, o Brasil é o mercado que gera o maior volume de lixo eletrônico per capita a cada ano e até o momento não existe preocupação política nem interesse prioritário para lidar com esta nova forma de poluição. Além disso, a estabilidade econômica e a geração de empregos no país garantem a expansão de mais e mais produtos eletrônicos, com um aumento exponencial do consumo ao longo dos anos. O resultado: mais lixo.

O LIXO eletrônico é mais um capítulo na história da reciclagem no país, que ainda apresenta baixos índices de reaproveitamento. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que apenas 2% do lixo produzido no país são de fato reciclados e que somente em 8% das cidades brasileiras existe algum tipo de coleta seletiva.

AINDA QUE não sofra com tanta intensidade a problemática do lixo urbano, Nova Friburgo tem um longo caminho a percorrer para chegar à plena coleta seletiva do lixo e, mais ainda, ao adequado tratamento do lixo eletrônico. Apesar da coleta seletiva feita nos ecopontos instalados pela concessionária do serviço de limpeza urbana, a maior parte da população descarta o lixo sem a devida preocupação.

ALÉM DO lixo doméstico, o industrial deve merecer maior atenção. No caso friburguense, devido à moda íntima, tramita na Alerj projeto de lei do deputado Olney Botelho (PDT) que estabelece convênios entre o governo estadual e as prefeituras da Região Serrana para a instalação de unidades de reciclagem de resíduos têxteis e de confecções, com a finalidade de minimizar o acúmulo de lixo despejado diariamente pelas empresas do chamado ‘mundo fashion’.

O DESAFIO do lixo será o desafio de todos os cidadãos e não apenas do governo. A este, cabe estabelecer medidas de proteção à saúde humana e à natureza. Aos cidadãos, cabe assumir a consciência para a gravidade do problema e os cuidados que devem ser tomados com o seu descarte. Em respeito ao ambiente e à saúde.

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