Bandeira brasileira: um pavilhão justo e perfeito

quinta-feira, 19 de novembro de 2009
por Jornal A Voz da Serra

Valfredo Melo e Souza

Positivismo é o sistema filosófico fundado por Auguste Comte (1798-1857) o qual trata de dados sociais e fenômenos outros objetivamente observados. Foi considerado no Brasil como uma alternativa de mudança da sociedade ao tempo do Império. Era um momento propício à renovação das mentalidades e das formas de organização social. Immanuel Kant (1774-1804) foi o influenciador maior da ideia. O positivismo veiculou a fé na ciência e no progresso histórico como fonte de prosperidade econômica e moral. A religião fundada no cientismo e no humanismo. A maçonaria abraçou dentro dessa área de influência muitos de seus postulados. O ideal ético. A primeira feição do positivismo no Brasil foi o caráter religioso organizado em torno do apostolado. Depois, a feição política com expressão no castilhismo (Julio Castilhos, 1891, Patriarca do Rio Grande do Sul) para aproximar as ideias de Comte a uma ordem político-jurídica liberal.

As ações floresceram na filosofia política, a partir do movimento republicano brasileiro: o amor por princípio. A ordem por base. O progresso por fim. Comte defendia a transformação das forças armadas em milícias cívicas. Benjamim Constant, ao contrário, justificava organização militar como reserva moral da sociedade. Comte distinguia os poderes espiritual e temporal com o primeiro responsável pela educação.

Feito este excurso, entro nos aspectos que estruturaram a bandeira nacional. Nosso Pavilhão foi idealizado pelo positivista Raimundo Teixeira Mendes (1855-1927), sob a orientação de Miguel Lemos (1854-1917), originariamente desenhada pelo pintor, Décio Vilares (1851-1931). As posições das estrelas foram fornecidas pelo engenheiro e astrônomo Manuel Pereira Reis (1837-1922), representando o céu daquela noite histórica. E dentre tantos, há um projeto que “transfere a estrela Spica (Alfa da constelação de Virgem) correspondente ao estado do Pará, aquela que fica isolada acima do dístico que corta o círculo”, para a representação do Distrito Federal.

Gustavo Barroso em História Secreta do Brasil, anotando vários aspectos cabalísticos, maçônicos e positivistas, acolhe divergências de autores e descreve-os como influências na confecção pavilhão republicano do Brasil. Na bandeira imperial de 1822 a sugestão do losango maçônico francês; as armas imperiais ao centro cristianizavam o pavilhão. Os positivistas substituíram-nas pelo globo azul modificado da Confederação do Equador. Traços também ficaram das bandeiras das Legiões do Império Napoleônico com a forma do losango branco entre os triângulos de cor. O losango é a união pela base dos dois triângulos da judaica estrela de Davi. Esta forma losangular está no escudo da República dos Farrapos. Enfim, uma marca no mundo, da intervenção maçônica e revolucionária nas bandeiras dos povos. As antigas bandeiras reais encerravam, geralmente, a cruz latina, grega ou de Santo André.

Muitas outras influências estão no Pavilhão Nacional: do esboço para a bandeira da Confederação do Equador, onde se notavam sinais cabalísticos e maçônicos da estrela de cinco pontas, o microcosmo salomônico, rodeado de símbolos esotéricos. Do projeto da bandeira da Revolução Pernambucana de 1817: sobre a cruz sangrenta, o arco-íris, a estrela flamejante dos templos maçônicos, o Sol que representa o olho onividente, a gnose, tudo vendo e dirigindo, veio dar lugar ao globo azul, indicação mais fácil do círculo, antigo emblema simplificado do Olho de Horus. As estrelas das constelações foram distribuídas representando individualmente os estados da Federação. Bandeira nacional: um pavilhão justo e perfeito.

TAGS: