Ballet Bibiana de Sá: a dança ao alcance de toda uma cidade

segunda-feira, 05 de outubro de 2009
por Jornal A Voz da Serra

Maria Rita sempre quis ser bailarina. Sonhava acordada quando via as meninas indo para as aulas de dança com seus coques e uniformes cor-de-rosa. Mas ela sabia que seus pais jamais poderiam pagar por isso. Sim, na Oficina Escola de Nova Friburgo tem aula de balé no período da tarde, mas Rita estuda numa escola de horário integral e, portanto, não pode se matricular.

Um dia, porém, surgiu uma luz no fim do túnel. Sabendo da paixão de Ritinha pelo balé, a patroa de sua mãe conseguiu para ela uma bolsa de cem por cento na Escola de Dança da Bibiana de Sá. De lá para cá já se passaram oito anos. A menina sempre foi uma das alunas mais aplicadas e disciplinadas da escola. Faz sucesso nas apresentações e até já dá algumas aulas na escola.

O mais interessante é que a história de Maria Rita não representa um caso isolado na escola de Bibiana. Lá, inúmeras meninas carentes estudam balé de graça, sem pagar nem pelos uniformes nem pelos figurinos usados nas apresentações de fim de ano. Uma chance e tanto para elas darem os primeiros passos em direção ao futuro.

Bibiana e as demais professoras de sua escola sempre fizeram questão de encontrar um espaço em suas agendas para ensinar aquilo que levaram anos para aprender. Atualmente, cerca de 50 alunas da rede pública estudam balé de graça com Bibiana e pelo menos outras 200 já passaram por lá nos últimos dez anos, sem nada pagar pelas aulas. Ou seja, o projeto Dança ao alcance de todos já existia informalmente, mas Bibiana queria mais. Até porque, a demanda pelas aulas gratuitas de balé aumenta a cada dia.

Balé clássico de graça para quem quiser

O objetivo continuou o mesmo. Aproximar ainda mais o balé clássico de jovens e adolescentes que não têm como pagar por uma academia de danca. Além de estar mais do que na hora de sair da esfera do favor e das rifas para arrecadar fundos e poder bancar os figurinos das alunas, Assim, Bibiana resolveu ir à luta de uma forma, digamos, mais profissional.

No ano passado conseguiu aprovar o projeto junto ao Ministério da Cultura, através das leis de incentivo à cultura do governo federal, o que dá aos doadores o direito de abater do Imposto de Renda 100% de sua doação. Até agora o projeto é o único na cidade que permite o desconto integral da doação. Vamos combinar: quem tem que pagar R$ 1000 de imposto de renda, por que não pagar apenas R$ 960 e doar R$ 40 para um projeto como esse, que se pode acompanhar e fiscalizar de perto?

A ideia é atender a 60 crianças de uma só vez. Elas teriam uma aula de dança e uma outra atividade, no contraturno do colégio. Além disso, receberiam noções de jazz, sapateado, história da dança, história da arte, higiene e anatomia, com acompanhamento de uma fisioterapeuta, uma assistente social e até auxílio pedagógico. O projeto prevê até uma viagem por semestre ao Rio de Janeiro para assistir a espetáculos de dança.

Apesar da beleza e abrangência do projeto, Bibiana está tendo dificuldades para captar recursos que permitam viabilizá-lo. Ela acha que a principal dificuldade é mesmo a desinformação. “As pessoas simplesmente não acreditam que podem abater do imposto de renda o valor integral da doação”, declara Bibiana. Uma pena, até porque muita gente doa por doar, sem nenhum retorno e nem sempre para instituições confiáveis.

Outro problema é que poucas empresas em Friburgo têm lucro real e, como tal, não pagam impostos. Por isso mesmo, a esperança de Bibiana são as concessionárias. Por enquanto, porém, não pingou nada e o tempo para fazer a captação termina em 31 de dezembro. No ano passado o projeto conseguiu captar R$ 5 mil da Hak e R$ 3 mil de pessoas físicas. Este ano, porém, ela já bateu na porta de diversos empresários, construtores, de todas as grandes empresas da cidade, enfim, e até agora, nada.

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