Coisa mais esquisita !
Nelson A. Bohrer (Guguti)
Muito já foi dito e escrito a respeito dos trabalhos de digitalização do acervo do Pró-Memória. Publicado desde o dia 16 de maio desse ano, o site do Centro de Documentação D. João VI já conquistou plateias em todos os cantos. Friburguenses espalhados por esse mundão de Deus e que lá deixam as mais saudosas mensagens. Elogios de todo tipo como se tudo já estivesse pronto e liquidado. Tão bom se assim fosse e estaríamos todos a brindar o sucesso pela revitalização de tão importante instituição! Todavia, essa missão não se encerra assim facilmente e o caminho a percorrer é longo e difícil. Quem comparecer a sede da Usina Cultural poderá perceber que o Pró-Memória já não é o mesmo e que muita coisa mudou. E cá pra nós, a primeira impressão é que mudou pra pior, tamanha é a confusão que lá se estabeleceu. O ambiente silencioso, propício à leitura e ao estudo não mais existe e o que se observa num primeiro momento é o caos absoluto: fotografias para todo lado, discos molhados e espalhados sobre as mesas, jornais embalados e prontos para viagem, sabe-se lá pra onde! Enquanto algum usuário mais preocupado e menos informado pergunta - “O que está acontecendo aqui?” ... “Cadê a Thereza?” - E, em meio à confusão estabelecida, o ambiente se enche de nostalgia embalado ora pela voz forte de Francisco Alves ora pela acordeom animado de Luiz Gonzaga. Feliz caos !
Assim tem sido o Pró-Memória desde o dia 16 de maio último, quando iniciamos nossos trabalhos. Dois computadores comandados por uma equipe incansável na digitalização de jornais, manuscritos, fotos, discos de 78 rotações contendo um magnífico acervo que durante mais de meio século viajou pelas ondas médias da saudosa Rádio Sociedade de Friburgo, a emissora das montanhas. Infelizmente, esse processo de digitalização é sistemático, muito técnico e leva algum tempo até que este material possa estar disponível ao público através do site.
Pois bem, os primeiros resultados já podem ser vistos. O Nova Friburgo, a partir de agora, chega pela internet esnobando o mundo jornalístico e esbanjando tecnologia. O segundo jornal disponível na rede mundial equipado com um sofisticado mecanismo de busca. Não somos o primeiro, pois esse crédito pertence ao famoso jornal londrino, The Times. Mas e daí? Somos o segundo, bem à frente de outros tantos mais famosos: New York Times, Washington Post, O Globo, O Estado de São Paulo, etc. Os primeiros jornais disponíveis abrangem um período que vai desde o ano de 1904 até meados da década de 1960. E lá está o doutor Heródoto Bento de Melo, estampado na primeira página, em plena mocidade, feliz vencedor do pleito municipal e futuro ocupante de uma das cadeiras da Câmara Municipal. Lá estão, também, as manchetes da terrível epidemia que grassou o mundo, em 1957, vitimando inocentes, e que ficou conhecida como A Asiática. Nas muitas páginas dedicadas a ela, os insistentes conselhos da saúde pública que pouco ou nada se diferem daqueles que recentemente ocuparam a mídia nacional em torno do H1N1. E mais, em 1938, O Nova Friburgo exibia manchete em torno da construção da estrada ligando Nova Friburgo ao município de Niterói, ainda nos tempos do prefeito Dante Laginestra. Enfim, notícias pra lá de antigas, que de tão velhas que são, voltaram a ser novidades. Então, o que você está esperando? Vá lá conferir e se atualizar... ou seria o contrário ? Vixe, coisa mais esquisita essa tal de internet !

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