O talento de Dirce Montechiari nas artes plásticas é indiscutível, com suas requintadas pinturas, esculturas, porcelanas, tapeçarias e mosaicos criativos como um dos seus mais recentes, o confeccionado com cascas de ovos, e que podem ser conferidos na mostra Dirce mostra tudo... em cartaz no Centro de Arte. Outro destaque da artista é a escrita. Prova disto se teve recentemente com a premiação dela no Concurso Nacional de Literatura promovido pela Academia Brasileira de Estudos e Pesquisas Literárias. Dirce faturou medalha de bronze junto com outros dois poetas mineiros ao homenagear com uma biografia o autor cantagalense Euclides da Cunha, que completa esse ano 100 anos de morte.
O trabalho intitulado Tempo de Euclides é resultado de uma pesquisa de cerca de 15 dias feita por Dirce. Ele debruçou-se sobre livros e biografias do famoso escritor e apaixonou-se com fatos marcantes de Euclides da Cunha, desde sua infância numa fazenda em Cantagalo e seu assassinato cometido pelo amante da esposa. “Me impressionei muito com o fato de Euclides ter se proposto a matar o rival e acabar sendo morto por ele em 15 de agosto de 1909, aos 43 anos. “Estou muito orgulhosa desse prêmio, ainda mais porque sempre admirei a obra de Euclides da Cunha. Sem dúvida, a história triste de sua vida e seu talento como autor emocionam qualquer um”, observa Dirce.
A vencedora de Nova Friburgo no concurso concorreu com mais de 500 autores de todo o Brasil que apresentaram textos, poesias, ensaios, reportagens, crônicas e trovas sobre o autor do clássico Os sertões. A biografia Tempo de Euclides será publicada na próxima edição da Revista Acadêmica, editada nacionalmente pela Academia Brasileira de Estudos e Pesquisas Literárias. De todos os participantes do concurso, porém, somente 98 enfocaram a personalidade marcante de Euclides da Cunha, sua obra, vida, estilo e importância literária.
A organização do Concurso Nacional de Literatura premiou três candidatos de Minas Gerais, São Paulo e Santa Catarina com medalha de ouro; outros três do Rio de Janeiro, Paraná e Bahia com medalha de prata e ainda outros 12 com destaques especiais e menções honrosas.
Um pouco mais sobre
Euclides da Cunha
Euclides da Cunha formou-se engenheiro militar do Exército no Rio de Janeiro em 1892, mas abandonou a carreira militar ao mudar-se para São Paulo onde construiu várias obras públicas no interior daquele estado. No Ministério do Exterior foi subordinado ao barão do Rio Branco e deixou a atividade em 1897 ao ser convidado para fazer a cobertura jornalística da Guerra de Canudos, na Bahia, para o jornal O Estado de São Paulo.
Cinco anos depois, Euclides publicou o clássico Os sertões, que o consagrou como escritor. Publicou também diversos artigos em jornais e voltou a exercer a função de engenheiro em São Paulo, seguindo depois para o Amazonas onde exerceu a função de chefe da comissão brasileira para o reconhecimento de fronteiras Alto Purus.
Em 1907 Euclides da Cunha foi eleito para o Instituto Histórico e para a Academia Brasileira de Letras em 1909, além de ter sido nomeado catedrático de lógica do Colégio Pedro II. Além de Os sertões, deixou outras obras famosas como Contrastes, Peru X Bolívia, A margem da história do Alto Purus e Castro Alves e seu tempo. O corpo de Euclides da Cunha está sepultado no interior de São Paulo, mas parte de suas relíquias encontra-se em sua terra natal, Cantagalo.

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