Mostra fotográfica reúne no Sesc quatro artistas diferentes este mês

sexta-feira, 31 de julho de 2009
por Jornal A Voz da Serra

A fotografia oferece muito mais do que apenas a captura de um momento, são ângulos, luzes, orientações visuais, linguagens e enredos – tudo depende do artista atrás da câmera, de sua sensibilidade diante da situação que ele pretende perpetuar. “Nesse lugar afetivo, transcorrem o jogo e a brincadeira com os objetos, com a luz e as sombras que a natureza revela e o humano decodifica como cultura”, diz Mônica Botkay, curadora da Mostra 4/quatro, que a partir do dia 6 estará em exposição no Sesc.

São quatro fotógrafos a integrar a mostra. Walter Firmo, Zeka Araújo, Levindo Carneiro e Américo Vermelho apresentam, cada um a sua maneira, de acordo com suas particularidades estéticas, oportunizando possibilidades capazes de surpreender e provocar múltiplas relações com o espectador. No total são exibidas 32 fotografias dos quatro profissionais na mostra que segue até o dia 29 de agosto, e que estará aberta ao público, com entrada franca, de terça a domingo, das 9h às 17h.

Os diferentes estilos presentes na mostra encantam por suas características individuais e autorais. O trabalho de Américo Vermelho, por exemplo, caracteriza-se pela documentação visual, onde o clandestino, a síntese do instante, se materializa diante do olhar do fotógrafo, que não é conduzido pela tecnologia usada para a captura, mas sim pela busca da “percepção dos instantes, pela busca da expressão humana”, como revela o próprio artista.

Já Levindo Carneiro utiliza-se da manipulação digital e dos efeitos 3D para ilustrar seu sentimento ante a multiplicidade da cultura contemporânea. “Estas imagens quase psicografadas, quase artificiais, quase humanas, estimulam o prazer pelo desconhecido, pelo pensamento, pelo caos, pela utilidade do nada, pelos estados de consciência alterada, visões, são quase um retrato da alma humana, o próprio DNA alterado”, diz Levindo, em defesa da própria obra.

Walter Firmo, por sua vez, busca valorizar a suavidade de cada elemento registrado na objetiva como traço poético da imagem. “O tempo tudo corrói, mesmo na pureza do amor, dia após dia, destrói trazendo-nos o enigma, o mistério e a dor”, diz o fotógrafo.

“As mãos impressas nas cavernas de Lascaux são auto-retratos. Hippolyte Bayard se auto fotografou usando objetos pessoais, como um chapéu de palha em 1840. Os Ready Made são a ‘cara’ de Marcel Duchamp. A obra de Farnese de Andrade é autorretrato de vida inteira. São essas poéticas artísticas que fazem a vida surpreendente e possível. Fotografo por mais de quarenta anos, faço desses passos uma ponte, com muito carinho no meio”, diz Zeka Araújo, pesquisador incansável, utilizando como base de suas criações a indagação permanente do que é natureza e o que é cultura.

O trabalho dos quatro poderá ser conferido a partir do dia 6, na mostra 4/quatro, no Sesc Nova Friburgo, na Avenida Presidente Costa e Silva, 231. Mais informações pelo telefone 2533-3705.

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