Cartões de Natal: uma gentileza que pode fazer a diferença

Na Avenida Alberto Braune, ambulantes vendem os mimos para ajudar na renda de fim de ano
quarta-feira, 21 de dezembro de 2016
por Dayane Emrich
Apesar das novas tecnologias, cartões ainda são opção para desejar boas festas (Foto: Henrique Pinheiro)
Apesar das novas tecnologias, cartões ainda são opção para desejar boas festas (Foto: Henrique Pinheiro)

Receber uma carta pelo correio, com exceção das contas, é claro, é muito prazeroso. Quando o recadinho vem em um belo envelope, junto a uma mensagem desejando boas festas escrita à mão, então, é ainda melhor. Apesar das inúmeras possibilidades de comunicação trazidas pelas novas tecnologias, como o telefone, o e-mail, as redes sociais e o mais recente WhatsApp, é exatamente por suas características tangíveis que as cartas e os cartões, especialmente nesta época do Natal, ainda sobrevivem.

Maria do Rosário dos Santos, de 75 anos, conta que tem o hábito de mandar cartões desde criança. “A primeira carta que escrevi e enviei pelos correios foi quando eu tinha apenas 12 anos de idade. Era para uma tia, que morava em Minas Gerais e foi, inclusive, durante o Natal”, disse ela, acrescentando que “sempre compro para dar a amigos, minhas filhas e netas. Acho que é uma boa lembrança minha para eles”.

Desde o início deste mês, em diversos pontos da cidade, especialmente na Avenida Alberto Braune, vendedores ambulantes já montaram seus expositores. Ivânia Carlos Lima Machado, que montou seu ponto de venda de cartões de Natal em frente à agência da Caixa Econômica Federal, conta que, embora estejam fracas, a expectativa é de que as vendas melhorem até o fim da semana. “Tem dia que vende mais, uns 50, em outros vende menos, uns 20. Os mais baratos custam R$ 1 e os mais caros, R$ 3. Este ano o movimento está mais devagar em relação a anos anteriores, mas acredito que até o dia 24 eu consiga vender mais alguns”, disse a doméstica, explicando que há mais de um ano está desempregada e viu na venda dos cartões um modo de garantir um dinheiro extra para o fim de ano.

“Nunca enviei uma carta ou cartão por correio, mas gosto de colocar junto ao presente. Acho que faz toda a diferença receber junto com a embalagem uma mensagem carinhosa, que demonstra o quanto a pessoa é especial”, disse a assistente administrativa Danielle Gomes de Almeida, de 26 anos.

Em frente à uma agência do banco Itaú, o pedreiro Valdecir Vieira conta que todo fim de ano, há mais de dez anos, deixa as obras de lado para vender os cartões. O objetivo: complementar a renda. Residente na Fazenda da Laje, ele está na avenida desde o último dia 3 e, se o setor de posturas permitir, pretende esticar o ofício até o próximo dia 30, já que depois do Natal ainda consegue lucrar com as vendas dos cartões de ano-novo. “Não dá para ganhar muito dinheiro. Nos anos anteriores vendia mais, mas dá para ajudar”, disse, explicando que “embora as pessoas pensem que são os mais velhos que compram, na verdade, é variado; muitos jovens recorrem aos cartões para presentear ou compor o presente”.

Para Carolina dos Santos, de 28 anos, os cartões também fazem toda a diferença. “O presente é ótimo, claro. Mas se ele vem acompanhado de uma carta, um cartão, fica ainda mais bonito. Se for roupa a gente cresce, engorda, emagrece e perde; sapato fica velho; bombons a gente come, mas o cartão fica lá, guardado pra sempre”, concluiu.

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