Os professores da rede estadual de ensino que decidiram pelo fim da greve na semana passada após 147 dias de paralisação e a Secretaria estadual de Educação realizam audiência nesta terça-feira, 2, na sede da Seeduc, no Rio, às 10h. O encontro tem como objetivo discutir as propostas da categoria e do governo do estado para a reposição das aulas.
Em assembleia realizada no último sábado, 30 de julho, os professores aprovaram uma série de itens para serem abordados durante a negociação com o governo. Entre as sugestões, os docentes propõem a suspensão do calendário de 2016 e sua desvinculação do calendário civil, garantindo o recesso em agosto e as férias de janeiro. Ainda conforme a proposta, não haverá sábados letivos e nem uso do contra turno.
De acordo com o professor Sidney de Moura, integrante do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Estado (Sepe), para os docentes é possível recuperar os dias letivos sem que haja prejuízo aos alunos. “Diferente da proposta do estado, de atividade autorregulada, isto é, a mera distribuição de material para os estudantes, nós, professores, apostamos na ideia da reposição de conteúdo, sem a perda da qualidade do ensino, através de trabalhos, exposições e outras atividades”, afirma ele.
Sidney explicou ainda que, em acordo com o discutido na última assembleia, os professores não abrirão mão dos recessos. “As aulas devem voltar no início de setembro e, dependendo do acordo com o governo, o ano letivo de 2016 terminar em 2017”, observou Sidney.
Outros itens que devem ser discutidos na audiência serão: a redução dos 200 dias letivos para 180 permitidos pela Lei de Diretrizes e Bases, em função da decretação de calamidade feita pelo governo do estado e o início da reposição apenas após o fim da negociação e com a revisão dos descontos nos salários.
A contraproposta da Seeduc será levada para uma assembleia geral, já marcada para a próxima sexta-feira, 5, a partir das 10h, na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Centro do Rio.
A greve
Em greve desde o dia 2 de março, os professores decidiram voltar ao trabalho no último dia 27 de julho, depois que o governo do estado, em assembleia realizada um dia antes, se comprometeu a suspender o corte do ponto e a repor os descontos nos salários. No entanto, embora a paralisação tenha sido suspensa, os estudantes continuarão sem aulas por pelo menos mais um mês. Isso porque os servidores da rede estadual respeitarão o calendário de férias, que teve início ontem, 1º.
A categoria pleiteia reajuste salarial e questiona atrasos e parcelamentos de salários e benefícios. Outra exigência é a manutenção do regime previdenciário dos servidores estaduais, sem aumento no tempo de contribuição.
Motivados pela ação dos servidores e indignados com a situação da educação, estudantes também aderiram ao movimento e ocuparam centenas de escolas do estado que, em sua maioria, por conta dos atraso nos repasses do governo para empresas terceirizadas, ficaram sem porteiro, limpeza e com o fornecimento de merenda afetado.
Ainda de acordo com o Sepe, no início da paralisação o movimento chegou a ter a adesão de 80% dos professores em Nova Friburgo. O número, entretanto, caiu para 30% no último mês, após o estado começar a cortar os salários dos professores com autorização da Justiça, que considerou a greve abusiva, já que o Sepe não teria cumprido a ordem de manter 70% do total de servidores em cada escola.
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