Vamos falar de compreensão?

quinta-feira, 10 de março de 2016

O governo estadual informou nesta semana que não tem dinheiro para pagar os salários dos servidores e pede que os servidores tenham compreensão, alegando, mais uma vez, que a queda do petróleo prejudicou a arrecadação do estado, embora tenha sido anunciado a previsão para o pagamento na sexta-feira, 11.

Os servidores públicos podem, sim, pensar em compreender, governador, mas, já que estamos falando em compreensão, seria legal se isso fosse uma mão de via dupla, então pedimos que V. Exa.  também compreenda algumas coisas:

1) Se o seu governo não tivesse gastado R$ 10 bilhões com olimpíadas haveria dinheiro não só para pagar aos servidores públicos, mas também para investir em saúde, educação e segurança, como deve fazer um governo decente. O senhor pode compreender isso?

2) Antes de pedir compreensão a quem já se sacrifica muito e faz este estado funcionar, apesar da falta de respeito do governo, este deveria dar o exemplo: V. Exa. pode determinar às concessionárias que prestam serviço ao estado e ao banco oficial que não cobrem tarifas e/ou juros nas contas de água, luz, telefone, pedágio e conta-corrente dos servidores que estão sem pagamento por culpa da sua administração. Por que não pede que eles também sejam compreensivos?

3) Experimente atrasar, nem que seja uma única vez, os bilionários pagamentos às empreiteiras doadoras de sua campanha eleitoral. Por que não tem uma única empreiteira reclamando de atraso, se o governo não tem dinheiro? Por que V. Exa. não pediu a compreensão dos empreiteiros?

4) O senhor não acha que é imoral gastar R$ 1,5 bilhão em propaganda nos últimos anos e ainda prever gastar mais R$ 150 milhões em 2016 se o governo não tem dinheiro? O senhor pode ter compreensão e colaborar dispensando este gasto?

5) O senhor acha correto ter concedido R$ 138 bilhões de reais em isenções fiscais para empresários milionários e agora não ter dinheiro para pagar aos servidores? V. Exa. pode pedir a estes empresários (inclusive donos de joalherias) que tenham compreensão da crise do estado e paguem os seus impostos como fazem os servidores e a população?  

6) O senhor não se sente envergonhado por conceder milhões em isenção fiscal para uma única empresa que, em troca, vai gerar míseros 90 empregos? O senhor pode ter a compreensão de que é muito mais decente e inclusive mais barato empregar diretamente esta gente, gastando muito menos?

7) Em que exatamente o seu governo gastou a arrecadação que entrou neste mês de IPVA (caríssimo), multas (extorsivas), ICMS e outros impostos que o estado arrecada? Porque com certeza não foi na educação (cortaram a luz das escolas), não foi na saúde (o senhor continua fechando hospitais), não foi na segurança (o estado está entregue aos bandidos), e, com certeza, não foi pagando aos servidores. Então, o senhor pode ser compreensivo e responder onde está o dinheiro da população?

8) V. Exa. e os seus muitos secretários serão compreensivos e ficarão também sem receber neste mês?

9) Quantos dos 15 mil comissionados apadrinhados o senhor dispensou, se não tem dinheiro? Quantos carros oficiais foram vendidos? O helicóptero do governador já foi a leilão? Quantas secretarias inúteis, que só servem como cabide de emprego, foram extintas para economizar? A reforma de R$ 2,5 milhões da piscina do palácio, paga com o dinheiro público, foi suspensa? O governo pode ser compreensivo e colaborar economizando, já que estamos em crise?

10) O senhor não tem vergonha de tratar os servidores públicos e a população que te elegeu desta forma?

 Quando o senhor puder responder estas perguntas, todos podemos pensar na sua proposta de sermos compreensivos. Enquanto isso não acontece, pode ter certeza: os servidores públicos e a população deste estado vão lutar, e muito, para que o senhor e o seu partido, que vêm destruindo o estado há anos, sejam extirpados da vida pública. Espero que V. Exa. compreenda...

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Alzimar Andrade

Alzimar Andrade

Alzimar Andrade é Analista Judiciário do Tribunal de Justiça, Diretor Geral do Sind-Justiça e escreve todas as quintas-feiras sobre tudo aquilo que envolve a justiça e a injustiça, nos tribunais e na vida...

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