Shaná Tová! Feliz 5774!

Ano novo judaico começa no próximo dia 5
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
por Jornal A Voz da Serra

Na próxima quinta-feira, dia 5, a comunidade judaica comemora a chegada do ano 5774. É o Rosh Hashaná, uma celebração voltada muito mais para a reflexão do que para uma festa, da forma como é concebida pela maioria. "Não tem oba-oba, nem fogos, champanhe, essas coisas. É uma festa familiar”, explica Fany Zissu, presidente da Associação Judaica de Nova Friburgo. "Nos reunimos com parentes e amigos em torno de uma mesa para um refeição, realizamos preces e bênçãos. Esse jantar é na noite anterior, ou seja, este ano, no dia 4. No nosso ano novo começa um período de dez dias, de muita reflexão sobre os nossos atos cometidos no ano que se encerra. E aí vem o Yom Kipur, o Dia do Perdão, a data religiosa mais importante para nós.”

Fany explica que a contagem do ano – no caso 5774 – é feita a partir da criação do mundo, ou seja, de Adão e Eva. Este é o motivo da grande diferença dos 2013 anos considerados pelos cristãos, baseando-se no nascimento de Jesus. Além disso, é um calendário lunar – as festas sempre coincidem com a mudança da lua. 

Diferenças à parte, o que desejamos a todos é Shaná Tová, um bom ano novo. Com muita paz no mundo. Para saber mais sobre essa data tão especial para os judeus, leia matéria abaixo.


Apaixonada pelas tradições e cultura do povo judaico, Fany Zissu vem realizando um trabalho para fortalecer a respectiva comunidade em Nova Friburgo. "Acho que é a minha missão”, diz ela. E deve ser mesmo. Ela é ponto de referência, é quem sempre está à frente dos assuntos e eventos judaicos. Nascida em São Paulo, ao chegar aqui ouvia dizer que só havia duas famílias judias no município: Segal e Hayut. Resolveu pesquisar e chegou a 53. "Existe uma documentação na Biblioteca Nacional mostrando que vários judeus, cerca de trinta famílias, vieram para esta região durante o período de imigração que deu origem à cidade. Alguns – a família Medeiros, por exemplo – foram parar em Caicó, no Rio Grande do Norte”, conta Fany.

Na noite do próximo dia 4 de setembro, ela vai reunir a comunidade judaica de Nova Friburgo para celebrar o Rashá Tová, a chegada do ano 5774. Ela explica que nessa reunião – um jantar –, além de iniciar o período de reflexão, que culmina com o Yom Kipur, são feitas preces pedindo a D’us que os inscreva no "Livro da Vida” por mais um ano, e também que lhes proporcione uma vida feliz e saudável. É a oportunidade ainda de explicar aos mais jovens o significado da festa e o porquê da ingestão de determinados alimentos, como o mel, a maçã e o peixe. "O jantar deve ter elementos doces para que o ano que está chegando também seja doce”, revela a presidente da Associação Judaica de Nova Friburgo, ao passar para o caderno Light uma de suas receitas – um bolo de mel –, que pode ser conferida nesta página.


A preparação para o Dia do Perdão

A festividade do Rashá Tová se inicia quando é tocado o shofar, um instrumento milenar, feito com chifre de carneiro, e que, segundo a tradição, é usado para que Deus ouça as preces dos participantes. Após dez dias – período em que os judeus refletem sobre os erros cometidos no ano que finda – acontece o Dia do Perdão, o Yom Kipur, quando se pede perdão pelas faltas cometidas e se assume o compromisso de não cometê-las no ano que se inicia. "Nesse dia é feito um jejum de 24 horas, sem nenhum alimento, água, fumo ou sexo. Essa penitência é para concentrar todas as nossas energias nessa revisão de vida, pedindo perdão e a inscrição de nossos nomes no Livro da Vida”, explica Fany.

 Rashá Tová é celebrado da mesma forma no mundo inteiro pelo povo judeu. "Dizem que Israel tem 700 km de comprimento, 60 km de largura e 5.000 anos de tradição”, acrescenta ela, terminando a explicação com a saudação "Shaná Tová”, ou seja, "Um Bom Ano”!

 

Maçã e mel

Uma das tradições praticadas no Rosh Hashaná é comer maçã embebida com mel, recitando uma oração que diz: "Que seja Tua vontade, Hashem, nosso D’us, que nos inaugures para um ano bom e doce”. O site www.shemaysrael.com explica que a palavra maçã é encontrada nas Escrituras três vezes: "Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo”,  Pv 25:11; "Sustentai-me com passas, confortai-me com maçãs, porque desfaleço de amor”, Ct 2:5; "Dizia eu: Subirei à palmeira, pegarei em seus ramos; e então os teus peitos serão como os cachos na vide, e o cheiro da tua respiração como o das maçãs”, Ct 7:8. 

Sendo assim, o significado atribuído pelo judaísmo à maçã é "recordação do momento de revelação no Sinai” e também "lembrar o povo judeu de sua escravização e libertação no Egito”. O site mostra ainda que, no Cântico dos Cânticos, o povo judeu é comparado à maçã: "Assim como a maçã é única e rara entre as árvores da floresta, assim é meu querido e amado – Israel – entre as nações do mundo”.  

Sobre o mel, o Shemaysrael explica que o valor numérico da palavra "dvash” (mel) equivale ao valor de "Av Ha’Rachamim” (Pai Misericordioso), representando assim a esperança de que a sentença decretada pelo Supremo Juiz seja amenizada pela Sua compaixão. Mas o mel não representa apenas doçura. Na Bíblia Israel é descrito como "a terra do leite e mel”. Sendo assim, o mel na mesa lembra sempre aos judeus, independente em que parte do mundo eles vivam, a sua pátria antiga de Israel e ao seu apego com a história e a terra santa. Ao contrário do que muitos possam pensar, o mel em questão não é produzido pela abelha, e sim, por tâmaras maduras, fruta bastante comum na região. 


O Mês de Elul

Para entendermos um pouco a importância de Elul – o mês da preparação – usamos como fonte o site http://www.beitlubavitch.org.br, indicado pela presidente da Associação Judaica de Nova Friburgo, Fany Zissu:


Observâncias de Elul

Elul é tradicionalmente uma época de introspecção e inventário – um tempo para rever as próprias ações e o progresso espiritual no ano que passou, e de preparar-se para os "Dias de Reverência” de Rosh Hashaná e Yom Kipur.

Sendo o mês do Perdão e da Misericórdia Divina, este é um tempo oportuno para teshuvá (retornar a D’us), prece e caridade na busca pelo autorrefinamento e para se aproximar mais de D’us. O mestre chassídico Rabi Shneur Zalman de Liadi compara Elul a um tempo em que "o rei está no campo” e, em contraste com o tempo em que ele está no palácio real, "todos que assim quiserem podem conhecê-lo, e ele recebe a todos com um semblante amigável e mostra a todos uma face sorridente.”

Os costumes específicos de Elul incluem o toque diário do shofar (chifre de carneiro) como um chamado ao arrependimento. O Báal Shem Tov instituiu o costume de recitar três capítulos adicionais de Tehilim a cada dia, de 1º de Elul até Yom Kipur (em Yom Kipur os restantes 36 capítulos são recitados, completando assim o livro inteiro de Tehilim).

 

Receita de Fany Zissu para celebrar o Rashá Tová

 

BOLO DE MEL


Ingredientes:

6 ovos

1 copo de óleo

250g de mel

1 copo de açúcar

3 1/2 copos de farinha de trigo

50g de nozes levemente quebradas misturadas a uma colher de açúcar

 

Modo de preparar:

Esta é uma receita que não usa fermento, portanto, o uso da batedeira é indispensável para misturar bem os ingredientes, por bastante tempo.

Use o mesmo copo como medida para os ingredientes.

Na batedeira, bata o mel com o açúcar até dobrar de volume. Vá acrescentando um ovo de cada vez, batendo muito entre um ovo e outro, com uns três minutos de intervalo. Depois de adicionar os ovos um a um, comece a adicionar a farinha intercalada por um pouco de óleo. Faça isso até que tudo esteja incorporado.

Use duas formas de "bolo inglês”, untadas e forradas com papel-manteiga.

Divida a massa nas duas formas e por cima polvilhe nozes ligeiramente quebradas, misturadas a uma colher de açúcar.

Asse em forno pré-aquecido a 180°C por uns 30 a 40 minutos. Espete um palito para se certificar que está assado por dentro. Espere esfriar antes de desenformar.



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