Carlos Emerson Junior
Um grupo de estudantes de medicina resolve passar o fim de semana em uma estação de esqui desativada, no interior da Noruega. O local fica a 45 minutos de caminhada da estrada principal, completamente isolado e sem sinal de celular. Mas o dia está lindo, a neve branca e fofa, todos muito felizes até que, sem querer, despertam um pelotão de zumbis, todos soldados da SS alemã da 2ª Guerra Mundial!
Daí para a frente é puro sangue, tripas de fora, cabeças estouradas, membros amputados e todos os clichês do gênero até o final inconclusivo, abrindo margem para uma continuação. Esse é o resumo do filme norueguês “Zumbis na Neve” (Dead Snow), de 2009, na minha opinião o pior filme que já assisti em toda a minha vida, talvez só perdendo para o incompreensível “Quem é Beta”, produção franco-brasileira de 1972, dirigida pelo Nélson Pereira dos Santos.
O famoso musical “Os Produtores” (The Producers), escrito pelo cineasta americano Mel Brooks, em cartaz durante muitos anos na Broadway, partia da premissa que o fracasso de um espetáculo pode ser lucrativo. Uma dupla de espertalhões resolve encenar o pior texto já escrito, reunindo os piores atores disponíveis e o pior diretor possível. Previsivelmente algo dá errado e a peça se torna um enorme sucesso de público e crítica, levando nossos heróis à falência!
Gargalhadas à parte, vamos ser justos, é muito difícil acontecer uma coisa dessas. Eu mesmo fiquei em dúvida se o melhor (?) filme para abrir a crônica seria a paródia “Deu a louca em Hollywood” (Troféu Framboesa de 2008 nas categorias pior atriz coadjuvante, pior refilmagem e pior roteiro) ou o infame “Cara, cadê meu carro”, um desastre completo com Asthon Kutcher e Sean Willian Scott em interpretações constrangedoras.
Bom, gosto é gosto e tem quem adore esse tipo de filme, inclusive eu!
Mas a literatura também tem suas barbaridades e aqui vou seguir a unanimidade: o pior livro do mundo é o “Código Da Vinci”, do Dan Brawn, presente em 10 das 10 mais respeitadas listas dos piores de todos os tempos. E já vou avisando que li e detestei. No entanto, vendeu mais de 40 milhões de exemplares e ainda quebrou as bilheterias com um filme ridículo, vai entender. Se o autor estava contando com um fiasco, quebrou a cara!
Os três livros da saga Crepúsculo, da Stephenie Meyers também são citados nessas listas e sofrem do mesmo fenômeno, venderam muito, viraram filmes e tem uma imensa legião de fãs. Desses eu consegui escapar mas, como todo mundo que gostava de ficção científica, me arrependo até hoje de ter comprado o romance Duna, do Frank Herbert e ainda assistido ao filme, verdadeiros pesadelos galáticos, sem pé nem cabeça. A gente faz cada uma!
Tudo bem, vamos falar de música! Afirmar que um gênero é pior do que o outro não faz muito sentido, já que cada um tem seus expoentes positivos e negativos. Também não dá para comparar a música daqui com a dos gringos, pródigos em apreciar porcarias. Aliás, temos alguma em comum sim, adoramos refrões idiotas e dançantes. Seria a receita para o sucesso? E como seria uma canção destinada a um fracasso completo?
Algumas piadas (ou brilhantes jogadas de marketing, como queiram) tornaram-se hits instantâneos: New Kids on the Block, Menudo, Jonas Brothers e por aí vai. O pior é que esse tipo de artista acaba virando cult, como os Monkees da década de 60, o Abba, dos 70 e o tal do rock brasileiro dos 80. Para piorar, sempre aparece um saudosista dizendo que adorava dançar “A Whiter Shade of Pale” de rosto colado, com a namorada da vez. Ô meu, muda o disco, ninguém mais dança assim e o Procol Harum sumiu no tempo!
A pior música brasileira que já ouvi é um iê-iê-iê brega do Wanderley Cardoso, chamado “Doce de Coco”, com o enjoativo refrão “você não é doce de coco, mas enjoei de você”. Diabéticos, afastem-se! Tocou demais nas rádios e o então rapaz tinha um enorme fã-clube. Se não me falha a memória, chegou a fazer mais sucesso do que algumas músicas do outro rei do brega, o Roberto Carlos.
O mesmo aconteceu com o rock Surfin’ Bird, uma bomba do grupo americano The Trashmen. Plágio descarado de uma canção do grupo vocal The Rivingtons (deu até processo na justiça), chegou ao quinto lugar na parada de sucessos dos EUA em 1963. Virou cult, foi regravada pelos Ramones e reapareceu em 2008, quando tocou no seriado “Uma Família da Pesada” (Family Guy). Aliás, confesso: adoro essa música!
E o que vocês me dizem da televisão? Bom, se formos esmiuçar item por item, esse artigo vai virar um livro! De cara temos duas séries pretensiosas que resultaram em retumbante fracasso: “Donas de casa desesperadas” (credo!), versão brasileira da série homônima americana, com Sonia Braga e Lucélia Santos e “The Walking Dead”, outra história de zumbis só que chata como ela só. Chega ao cúmulo de gastar um episódio inteiro com seus principais personagens humanos discutindo a relação. Me poupem!
Já a programação aberta é bem mais pródiga e aqui facilmente temos três grandes nomes, todos cafonas, ultrapassados e inexplicavelmente imbatíveis em seus horários. Estou falando do Programa do Faustão, Programa do Jô e o Programa do Sílvio Santos. É claro que existem pérolas de nível muito mais baixo mas esses aí, até pela sua importância na história da nossa televisão, continuam provando, através dos anos, que menos é sempre mais!
Pois é, o que apreendemos de tudo isso é que o conceito de bom e ruim é ditado pela crítica do momento e muito, mas muito mesmo, pelo gosto pessoal do público. O que um trabalho não pode é provocar a indiferença. Aí meus amigos, por melhor que seja, cairá no esquecimento, como tantas boas criações irremediavelmente perdidas por aí. É como diz o velho clichê, falem bem ou mal, mas falem de mim. Você pode ficar muito rico ou até mesmo virar cult!
* - carlosemersonjr@gmail.com
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