Carlos Emerson Junior
A realização da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a famosa Rio+20, além de discutir temas como “a economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e erradicação da pobreza” e a “estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável”, também se propôs a analisar tudo que já foi feito nos últimos 20 anos, recuperar os estragos, traçar novas metas e continuar a progredir.
Pois é, nosso planetinha já tem sete bilhões de moradores e se não agirmos com parcimônia e de olho no futuro, corremos o risco de esgotar nossos recursos e não ter como alimentar e abrigar essa gente toda. A questão é séria até porque envolve energia e geopolítica. Ninguém quer abrir mão do que já tem a troco de nada e o a tendência é empurrar a questão com a barriga, principalmente pelos países mais desenvolvidos.
A Natureza não precisa do ser humano, muito pelo contrário. A chuva de 12 de janeiro de 2011 deixou, de maneira trágica, uma série de lições para Nova Friburgo. Do dia para a noite nos lembramos ou aprendemos que a clássica lei da Física—“para cada ação há uma reação”—também vale para ela. Perdemos vidas e bens materiais porque subestimamos sua força e não respeitamos seus limites.
A ocupação dos poucos vales onde era possível construir foi feita de forma desordenada, sem qualquer planejamento, e fomos deixando de lado pontos importantes como o saneamento e planejamento urbano. Infelizmente a história de Nova Friburgo mostra que nossa convivência com chuvas, enchentes e desabamentos é, desde a época dos suíços, quase sempre desastrosa.
Moramos em uma cidade serrana com um clima maravilhoso, água em abundância e uma enorme floresta em seu torno, além da rica flora e fauna. Mas será mesmo que estamos cuidando dessa pequena maravilha a caminho do céu, como cantou o poeta? Depois de tudo o que passamos, estamos realmente fazendo o dever de casa?
O legado da Rio+20 para Nova Friburgo é a oportunidade de olhar em volta e perceber se estamos no caminho certo para nossa reconstrução. Sei que não podemos esconder as tristes imagens de obras inacabadas ou nem iniciadas, o medo que cada chuva forte ainda provoca e a apreensão diante do futuro e de uma situação política que ninguém queria e sequer esperava. Mas temos que ser proativos, não depender tanto do poder público para fazer a nossa parte.
Vamos reclamar, denunciar e exigir soluções quando nos depararmos com irregularidades. Jogar lixo nos rios e matas, provocar queimadas, desmatar áreas de proteção ambiental ou construir em áreas de risco são crimes passíveis de punições severas. Já ocorreu a alguém que nosso ar pode ficar irrespirável se continuarmos enchendo as ruas estreitas com veículos de todos os tipos, retidos em enormes engarrafamentos, como em São Paulo?
A luta pela nossa cidade começa com o respeito ao meio ambiente. Nós é que causamos todos os danos e nós, apenas nós, estamos pagando o preço da nossa irresponsabilidade. A Rio+20 de Nova Friburgo começou em uma madrugada de janeiro do ano passado, quando ainda atordoados descobrimos que ultrapassamos todos os limites da razoabilidade. Fomos protagonistas de um desastre ambiental colossal, cujas consequências ainda são doloridas e muito caras.
Um ano e meio depois, temos a obrigação de mostrar mais do que fotos registrando descasos e abusos. Precisamos de união e ação e muitas, mas muitas ideias novas. Gosto de acreditar que estou assistindo a criação de uma Nova Friburgo completamente nova, sem os equívocos do passado e completamente integrada ao meio ambiente, como sempre foi sua vocação. É o único caminho!
Que a lamentável imagem de um pneu dentro do Rio Bengalas sirva apenas para nos lembrar uma Nova Friburgo que não queremos e nunca mais iremos ver. Só depende de nós, amigos.
carlosemersonjr@gmail.com
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