Por Valdir Veiga - valdir.veiga@gmail.com
Junho é o mês em que se celebra o meio ambiente, as espécies que vivem neste planeta, incluindo nós, humanos! Quando modificamos este ambiente buscando melhores condições de sobrevivência muitas vezes somos nós mesmos que tornamos estas condições piores. Mas será que a “culpa” é nossa e estamos destruindo o planeta? Na Mata Atlântica todos se lembram como as chuvas mais fortes provocaram deslizamentos catastróficos. Na Amazônia, os maiores rios do mundo nunca estiveram tão cheios.
As variações no clima são comuns. Alguns anos são mais frios e secos, enquanto em outros períodos é o oposto. Mas, é claro, temos exagerado, ignorado os sinais da natureza e contribuído negativamente com diversos desequilíbrios. Ocupando as margens dos rios, queimando as florestas e liberando para a atmosfera gigatoneladas de gás carbônico. Mas, com tudo isso, o planeta não será afetado, em alguns poucos milhões de anos um novo ciclo pode ser reiniciado.
O pior que podemos fazer é acabar com a vida. Destruir as condições para que a nossa forma de vida, permaneça. Ou, pior, destruir de forma objetiva, outras formas de vida. Afinal, pra que serve uma baleia, ou uma planta?
Alguns exemplos: há alguns anos uma espécie de baleia chamada de cachalote quase foi levada à extinção porque produz um óleo que funciona como fixador de perfumes. Na Amazônia, o pau-rosa também esteve próximo de desaparecer para a extração de seu óleo essencial. Ou seja, para ficarmos mais perfumados e por mais tempo, somos capazes de destruir plantas e animais.
Hoje as cidades renascem nas esperanças de controle dos deslizamentos vendo os morros sendo cultivados. Ressurgem em plantas que podem fixar o solo, permitindo a passagem da água.
As mantas fibrosas que permitem a passagem da água são formadas principalmente de fibra de côco, mas também de juta, uma planta cujo extrativismo sustenta milhares de famílias na Amazônia. A falta de estudos sobre o seu manejo, entretanto, não permite a sustentabilidade. Este ano, com a cheia recorde, sua produção diminuirá bastante.
Já a fixação do solo das encostas serranas é obtida com uma espécie exótica, comum na Índia, mas que também toca nossa pele de outra forma. O vetiver (Vetiveria zizanoides) sempre foi utilizado pelo aroma que possui em suas longas raízes. O cultivo dessa planta foi estudado e controlado. Domesticada e aclimatada, o conhecimento científico permitiu sua exploração para o uso em perfumes finos, de elevado valor, e também para outras aplicações. Verificou-se, assim, que estas raízes aromáticas penetram vários metros no solo, são capazes de suportar cheias e secas e fixar grandes porções de terra. Essa planta não invade a floresta, não pega fogo facilmente na época de seca, se adapta facilmente e não carrega pragas, reduz a velocidade do escoamento da água, impedindo a lixiviação e o transporte de sedimentos que provoca os deslizamentos.
Lições que não aprendemos. É importante preservar, é importante pesquisar, é importante conhecer o meio ambiente que permite a existência da vida humana. Parece óbvio, mas os núcleos de excelência das pesquisas no Brasil, as universidades federais, continuam em greve por condições mínimas de infraestrutura.
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