Notícias da Floresta - As festas juninas e a invenção da Amazônia

sexta-feira, 08 de junho de 2012
por Jornal A Voz da Serra

Por Valdir Veiga

valdir.veiga@gmail.com

Começa o mês de junho, o frio traz as fogueiras e as festas com as conhecidas bebidas que também nos aquecem, como o quentão. Há diversas maneiras de se preparar esta bebida, mas um dos ingredientes é obrigatório: a canela. Assim como outras especiarias, a canela tem origem no Oriente e está profundamente ligada à história do Brasil.

Localizados no extremo oeste da Europa, os países ibéricos iniciaram a chamada Era das Grandes Navegações no Século XV com o objetivo de obter as ervas e especiarias aromáticas que vinham por terra (e muito caras) do distante Oriente. Elas eram essenciais à preparação dos alimentos naquela época em que não existia geladeira ou congelador para conservá-los. Diversos espanhóis e portugueses chegaram ao continente a oeste do Oceano Atlântico, mais tarde batizado de América, nessa busca pela rota das especiarias das índias orientais. Era dessa região, que incluía uma ilha próxima à Índia, o Ceilão, que vinha a canela, ou cinamomo, conhecido botanicamente como Cinnamomum zeilanicum ou Cinnamomum verum, a canela verdadeira.

Buscando os tesouros da América recém-descoberta, em 1541 o espanhol Gonzalo Pizarro, o Governador de Quito, no Equador, organizou uma grande expedição para localizar o “Eldorado”, a cidade toda ornada de ouro; e o “Reino da Canela”, onde encontrariam grandes quantidades da especiaria; bens de valor e importância semelhantes àquela época. Viajando rumo ao leste, com mais de duas centenas de espanhóis e milhares de índios, depois de 70 dias de muitas mortes na floresta fechada, a expedição foi considerada mal-sucedida e somente o tenente Francisco de Orellana continuou com outros 55 homens. Navegando pelo rio, que a cada momento mostrava-se maior e maior, em busca das caneleiras, os espanhóis foram sendo avisados pelos índios de que rio abaixo, na região da foz do Nhamundá, havia tribos de índios ferozes e guerreiros. O cronista da expedição, que escrevia tudo o que ocorria, era o Frei Gaspar de Carvajal. Foi ele que relatou o encontro com uma dessas tribos, que era comandada por valentes guerreiras, que Carvajal denominou de Amazonas: “muito alvas e altas, tapadas somente em suas vergonhas, lutavam como dez homens”.

Orellana e seus soldados foram os primeiros homens brancos a percorrer até a foz esse rio, que ficou conhecido como “o rio das amazonas” e, com o tempo, somente Amazonas. Em toda a região que hoje leva esse nome não foi encontrada a caneleira do Ceilão. Em sua busca, entretanto, muitas outras histórias foram vividas, como aquelas que hoje contamos em volta das fogueiras, nas noites frias das festas juninas, tomando um gostoso quentão.

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