Palavreando - Minhas paixões

sexta-feira, 08 de junho de 2012
por Jornal A Voz da Serra

Por Wanderson Nogueira

wandersonnogueira@gmail.com

Minhas paixões são tão passageiras como sou neste mundo. Todos nós somos passageiros e passageiros dessa nave - voamos... Ainda que partam o coração e viajem na velocidade da luz, marcam pelo instante que ficam ao ponto de serem eternas ainda que apenas como histórias das quais regozijem a vivacidade de seu tempo ou que se tornem marcantes como nostalgias futuras.

Riremos disso tudo! Rio gargalhando após romper a linha do choro dramático que me faz pular de abismos. Sofro com a paixão tanto quanto encontro a felicidade dos desafios que me vêm, dos que venço e dos que perco também. Sofro quando ela vai embora, como sempre, quase que sem avisar. Sofro quando fica por muito tempo ausente. Eu preciso me apaixonar...

Minhas paixões são o combustível dos meus anos. Minhas paixões me fazem encontrar o que há de melhor em mim. Minhas paixões aguçam minhas percepções e me dão o direito de olhar para as estrelas e de repente se deparar com Plutão.

Sou intenso nas promessas que cumpro e sou eterno ainda que minha eternidade dure um mês. E minha intensidade é o que me faz feliz, ainda que seja susto para quem não ouve a mesma música que eu. Mas se posso e deixam – contagio!

As minhas paixões são assim como devem ser todas as paixões. Repletas. Inebriantes. Altamente contagiosas... Só peço que não se vicie, ainda que eu goste de escrever poemas para minhas paixões, ainda que eu proteja a alma de minhas paixões e não permita que ninguém as machuque!

Minhas paixões podem durar um mês, um dia ou um minuto. Mas são paixões com as características próprias de uma paixão. Nem sempre harmônicas, mas intensas; nem sempre para sempre, mas inevitavelmente insistentes em seus sonhos de eternidade. As minhas paixões são todas felizes. Ainda que eu não conquiste aquilo que me tira o ar, ainda que eu não consume o encontro que vicejo, todas as minhas paixões tem final alegre. O que tinha que ser é e o que não foi me concede felicidades maiores do que as que sonhei. Sou protegido, agraciado, abençoado e não imploro por nada que realmente não seja meu ou para mim. E, assim, todas as minhas paixões jamais poderão ser rebaixadas a sentimentos menores como afeto de afã do momento. Perdura na intensidade e é intensa enquanto dura.

Não sei bem se tenho o poder de escolher quem eu quero. Mas sinto de alguma forma que se pudesse, acho que ainda sim escolheria cada uma das minhas paixões nos seus determinados momentos. E, nesses momentos e nessas escolhas sobrenaturais que sempre me fazem suspeitar da existência de outras vidas e/ou almas gêmeas, mergulho sem temor, me entrego por completo, porque não sei ser meio, metade ou pouco. As minhas paixões me fazem ser inteiro ainda que pareçam arrancar pedaços de mim, mas observando bem: acrescentam à minha história a magia que toda vida necessita.

E, não esqueço nenhuma de minhas paixões, as públicas, secretas ou impossíveis. Todas rodam como carrossel nas minhas lembranças e durmo com elas como almofadas que confortam meu sono. E, de vez em quando, até me apaixono de novo pelas minhas antigas paixões e tudo volta como se fosse possível retomar tempos de infância. Sim! Já virei menino quando adulto, tanto quanto já virei adulto quando criança. As paixões bagunçam as pseudo-inabaláveis linhas temporais. Causa confusão na sua combustão e faz crescer como reencontrar o que de importante ficou perdido pelo caminho.

Minhas paixões talvez, na cabeça de muitos, findem. Ainda que na exatidão da matemática durem uma hora, dois dias, três meses ou quatro anos, se estendem na sua intensidade para o infinito do horizonte onde dorme o sol. Minhas paixões não morrem jamais porque moram em mim para sempre, acordando e despertando, suturando e dilacerando meu fantástico mundo de crônicas, descobertas, fixação, poemas e canções. Sou por natureza um ser nostálgico que ama fabricar nostalgias futuras... E não há nostalgia melhor para se produzir que as inspiradas por paixões que nos movem e mobilizam todo nosso ser para o vôo da alma que se comprova na paixão existir.

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