Palavreando - Duas e meia

sexta-feira, 25 de maio de 2012
por Jornal A Voz da Serra

Por Wanderson Nogueira

wandersonnogueira@gmail.com

Eu preciso te contar um segredo. São duas e meia da manhã e faz doze horas que estive com você pela última vez. Nesses minutos que antecedem essa confissão não pensei em nada além de você. Você está em tudo! Diriam que tenho sintomas claros de paixão aguda e não precisa ser doutor das coisas do coração para afirmar que se trata mesmo de paixão dessas que sufocam, mas fazem feliz quem a sente.

Kriptonita. Seu nome deveria ser Kriptonita. Enfraquece meu corpo, mas me faz sentir humano. Rebaixa minha força, mas desafia meus instintos. Estou vivo, tanto quanto entrego minha vida. Sei o que quero e já não me importo com o que não quero. Eu quero você e dispenso todas as outras coisas, tanto quanto abraço tudo o que vem com você.

São duas e meia. E todo dia espero duas e meia pra te ver e te adorar ao ponto de deixar meu olhar fixo percebido ao te consumir sem te devorar. Desafio o tempo e correndo sou lento só para paralisar de alguma forma o momento. Penso em músicas, risco desenhos e me assanho a conversar com você além da educação de conhecidos que se reconhecem desde outras vidas. Utilizo as entrelinhas que me dão a dúvida dupla: enviei o recado certo e me fiz entender da forma correta? Será que você leu o que disse e soube da forma exata ou próxima do exato o que quis dizer? Jogo de interpretações, jogos mentais que você sempre vence por eu vencido te deixar vencedor.

Desisto, insisto, receio, duvido. Confuso, vejo o relógio passar frenético com suas horas que não param para me deixar entender o que dizem seus olhos castanhos e serenos. Seus olhos... Seu sorriso... Seu jeito de vender timidez que esconde tempestade solar. Sua alma que não se despe por intenções, mas que se revela linda.

Aposto. Venço. Não recebo. Temo. Ingênuo, digo abertamente o que sinto sem declarar o que gostaria...

Eu quero te contar um segredo. Espero todo dia duas e meia. Espero ansiosamente você chegar. Espero você gargalhar das minhas palhaçadas ensaiadas. Espero você me olhar quando não pareço estar vendo. Espero você caçoar das minhas ações e reações atrapalhadas próprias de menino. Espero a oportunidade para te responder com frases de filosofia, com poemas que sei de cor, com músicas sem qualquer pudor. Assusto sua face de dúvida, espanto seu encorajamento em me incitar ainda mais em te querer. Mas sei o que quero, dispenso o que não quero e dou de ombros para as suas impossibilidades. Observo tudo à minha volta, mas desleixo tudo o que não corresponde a você. Talvez os outros observem, mas os outros ficam inexistentes quando estou ali com você, às duas e meia. Observado, invado a sua vida e dou publicidade aos seus atos. Sorrio livremente, enquanto você, sem graça, esboça sorriso de educação. E eu lá quero só a sua educação? Kriptonita. Kriptonita para mim que não sei voar é como paralisia que finca meus pés nas nuvens de seus devaneios, nas turvas estradas de seus mistérios. Enigmas.

São duas e meia e eu preciso confessar, eu preciso te contar um segredo que ainda que aparentemente evidente, gera dúvidas para você. Eu quero você comigo. Eu quero te viver. Eu quero você além das duas e meia de todos os dias. Eu preciso saber. Eu preciso sentir você além dessa superfície profunda que se amostra, mas que não permite eu entrar.

Esqueço a paz que me traz e me rouba. Esqueço que pode estar com compromissos. Sinto falta quando vai mais cedo e quando não vem, fazendo parecer que em certos dias não existe duas e meia e por não existir duas e meia, não existe aquele dia.

Suturo as coincidências afim de nas evidências, nas minhas visões de evidências, sonhar que posso mudar os seus caminhos, tanto quanto você altera a minha rotina e os meus roteiros de felicidade. Sensação de sorte e azar em instantes. Mais do que desafio difícil desses que instigam, é um inexplicável querer em mergulhar nas entranhas de seus enigmas e vivenciá-los sem querer exatamente desvendá-los.

Você insinua que estou apaixonado—fujo. Mas agora eu quero te contar o meu grande segredo. Sim! Estou apaixonado... E é por você!

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