Notícias da Floresta - Os ensinamentos do mais belo céu de outono

Por Valdir Veiga - valdir.veiga@gmail.com
sexta-feira, 18 de maio de 2012
por Jornal A Voz da Serra

Por Valdir Veiga

valdir.veiga@gmail.com

Espaço, a fronteira final, com estrelas ao fundo... Assim começavam a ser relatados no cinema alguns dos mistérios que acompanharam a juventude da geração que pretendia chegar a Marte, pura ficção científica. Observar o céu e perceber as mudanças sutis ao longo de horas, semanas e estações sempre foi um costume das civilizações. Calendários foram construídos baseados nos astros, alguns até sugerindo quando os dias parariam de ser contados (2012?). Mais do que prever o futuro distante, a observação celeste foi extremamente importante para descrever o futuro próximo, as épocas de cheias e secas, o momento certo de plantar, de colher e ter filhos.

Na civilização ocidental, os mitos gregos recheiam o céu de histórias, como o caçador Orion, que nunca é visto no mesmo céu que Escorpião, com quem lutou. Os desafios de deuses e mortais, o conhecimento transmitido por via oral por séculos a fio, estão todos lá.

Nas civilizações indígenas brasileiras o conhecimento do céu é igualmente bastante difundido. As constelações em geral são maiores e mais visíveis e não incluem somente estrelas, mas também regiões da Via Láctea. Algumas delas, como a Ema, são conhecidas por diversos povos, de norte a sul. Nela, as duas estrelas mais brilhantes de Centauro, alfa e beta, são ovos recém-engolidos pela ema, e ainda em sua garganta. O Cruzeiro do Sul aparece sobre sua cabeça, é o que segura a cabeça da Ema e garante a vida, impedindo-a que beba toda a água da terra (viria daí o aquecimento global?).

O aparecimento da Ema no horizonte sinaliza o início do inverno, assim como a constelação de Veado marca o início do outono e a Anta marca a chegada da primavera. Tuivaé, ou O Homem Velho, é uma bela constelação na região de Touro e Órion. Seu aparecimento sinaliza o início do verão no sul e da estação chuvosa no norte do país. As três estrelas (Marias), que formam o cinturão de Órion, na cultura indígena formam o joelho da perna sadia do homem que se apoia em uma bengala. Segundo a mitologia guarani, o homem velho teria se casado com uma menina nova e essa se interessou pelo irmão mais novo do marido. Para poder ficar com o cunhado a mulher teria cortado a perna do marido à altura do joelho (a bela Bettelgeuse, uma supergigante vermelha).

Com o belíssimo céu no outono de Nova Friburgo, é aproveitar a estação e curtir um pouco do conhecimento dos nossos antepassados.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
TAGS:
Publicidade