Palavreando - 20:12 - 31 de dezembro de 2011 a 2 de janeiro de 2012

Por Wanderson Nogueira
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
por Jornal A Voz da Serra

Talvez eu não tenha sido tudo aquilo que planejei, talvez eu não tenha me tornado a pessoa que vislumbrei quando tudo isso começou. Essa condição pode me fazer um pouco menos feliz ou um tanto mais infeliz. Mas quando tudo termina para recomeçar (tudo acaba para começar de novo de uma maneira ou de outra), o que mais me intriga, ao mesmo tempo que me deixa satisfeito e esperançoso, é que estou bem com tudo o que vivi e me tornei.

Os sonhos sempre são bons, mas muitas das vezes o que nos tornamos sem ter imaginado é melhor ainda. As notas da música podem ser melhores do que aquelas que ouvimos só dentro de nós mesmos. Porque as músicas passam a fazer sentido quando as dividimos com o mundo. É assim também com as pinturas, com as poesias, com as conversas que temos com os anjos e que por um motivo inexplicável resolvemos compartilhá-las com os outros. Ninguém precisa acreditar em você, mas você precisa acreditar no que faz, no que ouve e no que diz.

Eu gostaria de saber o que serei ou o que estarei fazendo no dia 20 de dezembro de 2012 às 20h12. Já me imaginei nesse dia rindo de toda essa profecia de que o mundo acabará. Já me vi também no meio do fim do mundo com um bichinho de pelúcia no sovaco e de mãos dadas com todos que convidei para serem amados por mim. Todos cantando em volta de uma linda e pacífica fogueira capaz de iluminar toda a cidade.

Disse e digo adeus sem querer me despedir. Não há adeus que seja feliz, mas todo adeus é divino e deve ser respeitado. Sou pequeno demais para decidir acerca do destino daquilo que não sou dono. Não sou proprietário do tempo, não sou mestre da vida, não sou capitão da morte. Apenas vivo e aproveito o quanto de vida existe ao meu redor. É triste ver que o meu redor fica cada vez mais vazio e que meus abraços ficam cada vez mais ávidos por abraços que não existirão mais. Porém, não me foi dado o direito de paralisar, ainda que muitos dias é melhor ficar estático olhando para a ausência do futuro que não virá ao ver recortes de dias que já me escapuliram. Mas as horas seguem e me convocam para olhar para a janela e ver que para além das estrelas anjos me sorriem.

Sorrio de longe, sinto de perto que a vida é mais do que um ano que passou com todas as suas tragédias e milagres e bem mais do que um ano que chega com todas as suas promessas e planos.

Agora sou o que sou, amanhã já não sei. Pode ser que eu alcance o que presumi. Pode ser que eu vá além do que sonhei. Pode ser que eu aterrisse em Marte ou apenas surfe num mar de pequenas demências. Deixa eu sorrir com vontade. Deixa eu chorar com veemência.

E dançarei até a lua cair e se ela não cair, ainda sim continuarei dançando. Medirei meus passos, mas às vezes meus passos serão em falso. Pode ser que os tropeços se coloquem em meu caminho e que pular não seja suficiente. Pode ser que a vida me arme algumas situações difíceis de se escapar, então apenas armarei minha barraca no jardim para respirar o gélido ar da madrugada. Talvez meu corpo congele, talvez meu coração se aqueça ou quem sabe minha alma voe. É sempre assim e assim sempre será. Não é exatamente previsível o imprevisível?

Fecho os olhos quando rezo, pulo sete ondas no mar. Na carteira tenho fotos de rostos que enxergo na luz e na escuridão, por onde ando e para onde vou. Tenho fé. Jamais demito a sorte. Quero todos os meus lados repletos, quero minhas mãos cheias de mãos, meus abraços cheios de abraços. Sinto saudade de alguns dias que se foram rápido, aprendi com horas que tive o desgosto de ter. Sinto falta de quem já não me empresta seu olhar e não me permito esquecer certos sorrisos. Alguns sorrisos são eternos e não se apagam jamais.

Sempre me pergunto o que faria no meu lugar e tento no exemplo estabelecer conselhos para mim mesmo. Se consigo? Não sei...

São 20 horas e 12 minutos, não conto os segundos. O mundo gira sem que eu perceba. Se não fosse o tempo lá fora...

2011, 2012, 2020, 2033... Se coloco dois pontinhos, são apenas marcas no relógio digital.... São anos que passam sem que eu saiba se (e se) como chegarei lá.

Os planos nem sempre saem como imaginamos. Não somos condenados a sermos exatamente o que vislumbramos. Talvez eu me leve. Pode ser que a surpresa me carregue. Pode ser que o tempo me varra. O que vai ser depois? Depois do agora talvez eu pense nisso...

Por enquanto apenas digo: adeus ano velho! Feliz ano novo!

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
TAGS:
Publicidade