Hospital friburguense investe em programas de prevenção

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
por Jornal A Voz da Serra
Hospital friburguense investe em programas de prevenção
Hospital friburguense investe em programas de prevenção

Dalva Ventura

Pode até ser uma tendência, mas ainda não é comum um hospital investir em prevenção de doenças. Mais incomum ainda é um hospital particular desenvolver um programa de promoção de saúde aberto à comunidade, oferecendo palestras sobre os mais diversos temas, cursos de gestantes e grupos de apoio para fumantes e obesos.

Pois é exatamente isso que vem acontecendo há cerca de sete anos no Hospital São Lucas. Em vez de apenas tratar doentes, a ideia é investir maciçamente em saúde. E não apenas dos associados do GS, o plano de saúde vinculado ao hospital, mas de toda a população do município e da região.

O projeto surgiu da necessidade de oferecer atendimento e acompanhamento psicológico aos pacientes da Cirurgia Cardíaca, que era cada vez mais procurado, consolidando-se como um dos melhores do Estado. Os responsáveis pelo serviço, Jesuíno Cunha e Gustavo Ventura Couto, sentiam claramente a necessidade de oferecer um suporte adicional aos pacientes, transmitindo-lhes informações importantes para a manutenção de sua saúde.

O então diretor do São Lucas, Chamberlain Noé, deu a maior força ao programa. “Se somos um hospital que oferecemos uma medicina curativa com qualidade, é fundamental que ofereçamos também a medicina preventiva”, dizia.

Surgia a Ratera (Reunião de Apoio Terapêutico), um evento bimensal, onde já foram abordados temas como hipertensão, tabagismo, obesidade, diabetes, depressão, insônia e outros. As palestras são sempre muito concorridas até porque são dadas pelos maiores especialistas da cidade em suas áreas. Basta dizer que mais de 4.200 pessoas já participaram das mesmas.

A criação da Ratera representou um diferencial da maior importância, pois os pacientes do pré e do pós-operatório passaram a contar com informações sobre o que está acontecendo em suas vidas, principalmente no que diz respeito à medicação, exercícios, dieta, sono, mas também a emoções e relações familiares. Como diz a psicóloga Silvia Deslandes, “o coração é o órgão que concentra o mais alto grau de tensão das doenças do corpo”.

O mais bacana, porém, é que as reuniões logo começaram a ser frequentadas por pessoas que não têm nenhum problema cardíaco, já que os temas tratados interessam a qualquer um.

Grupo de Controle do Tabagismo comemora vitória sobre o cigarro

O hospital também mantém gratuitamente um grupo de apoio aos fumantes que querem largar o vício e também os que estão tentando parar de fumar, com reuniões quinzenais. Em quatro anos, mais de 500 pessoas já participaram do grupo e embora nem todas tenham conseguido deixar de fumar, um número expressivo comemora esta façanha.

“Fumei durante 45 anos e não acreditei quando consegui parar. Minha qualidade de vida melhorou muito. Não fumo faz 11 meses”, conta Ana Maria Ribeiro, que trabalha como secretária particular.

Assim como os demais participantes, Ana Maria já havia tentado de tudo para deixar de fumar. Ela foi praticamente “carregada” para o grupo por uma amiga que não era fumante, mas que queria ajudá-la a largar o vício.

A maior arma do grupo é a ajuda mútua, mas a conscientização sobre os males provocados pelo tabagismo e a disposição de deixar o vício são muito importantes. “Sabemos que é difícil, mas atualmente há uma série de recursos que podem ajudar, inclusive medicamentosos e psicológicos, para auxiliar os que realmente decidem parar de fumar”, destaca a coordenadora do programa, a pneumologista Ana Acácia Lima.

Ela destaca, porém, que, apesar de os adesivos de nicotina fazerem a reposição da substância no organismo em doses menores do que as que seriam absorvidas pelo fumo, é preciso que o dependente esteja mesmo disposto a deixar o vício.

“Apesar de saber o mal que o cigarro provoca, algumas pessoas só tomam consciência do perigo quando passam por uma experiência traumática, como uma doença grave ou a perda de alguém próximo por causa do fumo”, afirma Ana Acácia. A médica lembra outro aspecto da questão: “Ser fumante é mais que uma opção pessoal, é uma questão de saúde pública e bem-estar social. Muitas vezes, inclusive, causa constrangimentos, já que o cigarro incomoda os outros e quem fuma está se sentindo cada vez mais segregado”, diz.

A verdade, no entanto, é que muitas pessoas não conseguem abandonar o vício sozinhas. “É para isso que estamos aqui, para motivar, auxiliar e mostrar que é possível”, destaca Silvia Deslandes, que também participa ativamente do grupo como psicóloga.

Nas reuniões, são trabalhadas as dependências química, psicológica e comportamental de cada indivíduo. O objetivo é entender por que se fuma e como isso afeta sua saúde. Temas como os sintomas de abstinência nos primeiros dias sem fumar, como vencer os obstáculos para permanecer longe do cigarro e, nunca é demais repetir, os benefícios que se obtém ao parar de fumar. O grupo também conta com palestras eventuais de vários profissionais da área da saúde, como dentistas, cardiologistas e fonoaudiólogos.

Gordinhos vencem guerra contra a balança

Ao fazer um check-up de rotina e se deparar com um quadro de diabetes e tendência à hipertensão, Marcia de Almeida, de 35 anos, tomou um susto e uma decisão: mudar de vida. Em seis meses, perdeu 15 quilos e, o que é mais importante, está com a saúde em dia.

Marcia já tinha até se acostumado com o estigma de gordinha, embora isso sempre tenha lhe feito sofrer. Aos 15 anos, chegou a pesar quase 80 quilos, depois conseguiu se equilibrar um pouco. Comprar roupas, o que para toda mulher é um prazer, para ela era uma tortura. Tudo isso a aborrecia, mas, diz ela, não chegava a abalar mesmo sua autoestima nem era suficiente para afastá-la das delícias da mesa, especialmente dos doces e do chocolate. “Eu era uma formiguinha”, conta. Já tinha feito algumas dietas e malhado, às vezes emagrecia um pouco para logo depois engordar. Mas só recentemente, quando fez o tal check-up, tomou realmente a decisão de emagrecer.

A conselho da médica que a atendeu, procurou o grupo de ajuda do São Lucas e se identificou de cara com os demais participantes. “No começo eu só ouvia os depoimentos, não conseguia falar nada. Aos poucos, porém, fui me soltando e conversando mais”, conta, Só depois percebeu que isso aconteceu à medida que ia emagrecendo. “No começo, detestava ter de subir na balança no começo das reuniões. Gordinho odeia balança, não é? Quando comecei a perder peso, era o contrário, adorava ficar sabendo quantas gramas consegui perder naquela quinzena”, conta.

Quando ingressam no grupo, os participantes preenchem um questionário detalhado e, a partir daí, passam a ser monitorados de perto pela equipe, que inclui endocrinologista, nutricionista e psicólogo.

Participação dos pais movimenta cada vez mais o grupo de gestantes

Criado há quatro anos, o grupo de gestantes do Hospital São Lucas é a menina dos olhos da psicóloga Silvia Deslandes, que mobiliza um grupo de 12 especialistas todos muito conhecidos em suas áreas de atuação, como os obstetras Carlos Pecci, Claudio Pecci e Noberto Louback, a nutricionista Maria Jusânia Thurler, o anestesista Murata.

São cinco aulas, sempre às 18h, e nelas são tratados temas que interessam de perto aos casais grávidos, como a importância do pré-natal, as diversas etapas do trabalho de parto, tipos e vantagens da anestesia, puerpério, atividade física e sexual durante a gestação, aleitamento, contracepção, alimentação da gestante e ganho de peso durante a gestação.

Assim como a Ratera e os grupos do tabagismo e da obesidade, a participação no curso de gestantes também é absolutamente gratuita. Com isso, a procura costuma ser muito grande. Pela primeira vez, desde sua criação, no último curso todos os participantes eram casais. “A mentalidade dos homens realmente vem mudando e isso é bom. Eu me lembro que no primeiro curso, há quatro anos, só havia gestantes. A participação dos homens foi aumentando e agora chegou ao ponto esperado, ou seja, cem por cento”, afirmou Silvia.

As aulas aconteceram todas as quartas-feiras de agosto, às 18h, no auditório do hospital. Assim como a Ratera (Reunião de Apoio Terapêutico), destinada aos pacientes do Serviço de Cirurgia Cardíaca e os grupos de controle do tabagismo e da obesidade, o curso de gestantes integra o Programa de Promoção de Saúde e Prevenção de Doenças do hospital.

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