Uma das mais importantes e emblemáticas bandas da nossa cena de rock progressivo nos anos 70, o grupo O Terço lançou sua obra-prima no ano de 1975. Criaturas da Noite é o terceiro álbum da banda em que ela se encontrava no seu auge tanto em criatividade quanto na habilidade dos músicos. Contudo, ainda é importante falar de dois outros músicos que integraram o grupo. A formação que quero destacar em si, contava com Sérgio Hinds na guitarra, Cesar de Mercês no baixo, Vinícius Cantuária na bateria e o ilustre Jorge Amiden, na “tritarra”. Junto com o Guarabyra—integrante do trio de rock rural Sá, Rodrix e Guarabyra—criaram esses dois instrumentos inovadores: a já citada tritarra e o violoncelo elétrico (na época tocado pelo Sérgio Hinds), o que passou a dar uma sonoridade ímpar ao grupo. A tritarra consistia numa guitarra de três braços e o detalhe maior é que nessa época Jimmy Page ainda não usava a Gibson de dois braços! Amiden era a mente do grupo; porém, após algumas confusões com os integrantes, ele abandonou o grupo e formou o Karma, que não durou muito e desde então sumiu. Voltando ao disco, ele se mostra diferente dos trabalhos anteriores do Terço, mesclando o rock rural com o já adotado estilo progressivo da banda. O Cesar de Mercês, mesmo não integrando mais o grupo, foi bastante presente no álbum com suas composições. Nessa época, passou a integrar o grupo o futuro 14 Bis Flávio Venturini, que trouxe novas composições e deu um caráter mais melodioso ao grupo. A primeira canção “Hey Amigo”, composição do Cesar de Mercês, fala sobre amizade e compaixão, sobre como se nos uníssemos poderíamos tornar o mundo um lugar muito melhor. “Queimada” é um tema bem acústico de parceria do Venturini com o Mercês no estilo música para acampamento e fogueira. O virtuosismo do grupo começa a aparecer em “Pano de Fundo”, que possui uma letra simples mas uma melodia muito bem elaborada, composta por Magrão e Mercês. Um belíssimo tema de um dos grandes bateristas brasileiros, Luiz Moreno, possui um coro vocal e uma introdução do teclado de Venturini que dão todo um ar clássico à música em que este mesmo é o destaque da faixa “Ponto Final”. O fim do lado A ficou por conta da composição de Sérgio Hinds, “Volte na Próxima Semana”, onde o pessoal do grupo “desceu a lenha” tanto tocando quanto protestando sobre o momento e como as coisas estavam acontecendo. E lá estava de novo o rock rural no lado B. A canção que dá título ao álbum, “Criaturas da Noite”, foi composta por uma dupla sensacional, Venturini e Luís Carlos Sá (o Sá que precede o Rodrix e o Guarabyra no nome do trio). A canção possui uma letra linda e os arranjos de orquestra, enfim, apenas um nome: Rogério Duprat. A penúltima música, que mostra mais um pouco do lado “calmo” da banda, chama-se “Jogo das Pedras” e é mais uma obra de arte da parceria de Venturini com o Mercês. Para fechar o disco, temos um fenomenal tema instrumental de mais de 12 minutos chamado “1974”. Uma belíssima melodia composta pelo Venturini, que talvez sintetize tudo que está no disco sem dizer uma palavra. A arte da capa ficou por conta dos irmãos Antonio e André Peticov, e leva o título de “A Compreensão”. O disco foi gravado em 16 canais e inclui arranjos de orquestra do maestro Rogério Duprat.
Nome: Criaturas da Noite
Ano: 1975
Produção: O Terço, Santiago Malnati e Mario Buonfiglio
Músicos: Sérgio Hinds (vocal, guitarra e viola), Sérgio Magrão (baixo e vocal), Luiz Moreno (percussão e vocal) e Flávio Venturini (piano, órgão, sintetizador, viola e vocal)
Faixas:
1. Hey Amigo
2. Queimada
3. Pano de Fundo
4. Ponto Final
5. Volte Na Próxima Semana
6. Criaturas da Noite
7. Jogo das Pedras
8. 1974
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