O segundo semestre de 2014 parece não ter começado positivo para empregado e empregador. De acordo com informações divulgadas pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), os meses de junho e julho contabilizaram 260 vagas a menos em Nova Friburgo (98 em junho e 162 no mês seguinte).
Ainda segundo o registro, o setor de construção civil, que obteve alta em maio e queda em junho, registrou, novamente, números negativos no mês passado, com 95 postos de trabalho fechados. No geral, em um ano, a cidade alcançou 1.879 demissões e 1.717 admissões.
Contudo, engana-se quem pensa que este é um problema somente de Nova Friburgo. Nos 49 municípios do Estado do Rio com mais de 30 mil habitantes, também houve queda do número de empregos, totalizando 7.049 vagas — 0,18% a menos em relação ao número de empregos com carteira assinada no mês anterior. Foram considerados os principais responsáveis pelo saldo negativo no estado os setores de Serviços, Construção Civil e Indústria de Transformação. Petrópolis e Cachoeiras de Macacu foram os únicos municípios da Região Serrana que obtiveram números positivos quanto ao número de empregos gerados em relação aos postos reduzidos.
Essa queda no número de postos de trabalho nos últimos meses reflete na vida de muitas pessoas e faz com que o número de desempregados aumente. A estudante Jaiane Caldas, 21, conta que é difícil arrumar uma ocupação pelo grande número de exigências, algumas, segundo ela, absurdas. "Querem que você tenha experiência na aérea, determinam a idade, se tem carro próprio ou não e, às vezes, até o bairro onde mora. Como alguém vai ter experiência se as pessoas não dão nenhuma oportunidade?”, disse.
Já Karina Cardoso, 21, diz que faz três anos que está à procura de emprego e também destacou a necessidade de experiência. "Desde que eu me formei no ensino médio procuro por emprego, não só em Nova Friburgo, mas também em algumas cidades ao redor. A maioria das vagas exige experiência, e pra quem nunca trabalhou, como eu, esse fator dificulta ainda mais”, diz ela.
"Outra fato que complica é morar longe, em um bairro distante ou outra cidade. Os patrões acham que você não chegará no horário, outros não dão vale-transporte e, por isso, não contratam funcionários que moram mais afastado do local de trabalho”, acrescentou.
Por outro lado, apesar do número de postos terem sidos reduzidos e ser grande a quantidade de pessoas à procura por uma ocupação, o que se vê nas ruas da cidade é exatamente o oposto. A equipe de A VOZ DA SERRA percorreu o centro de Friburgo na tarde da última segunda-feira, 25, e foram encontrados, somente na Avenida Alberto Braune, dezenove estabelecimentos com placas e avisos de vagas para trabalho. Entre algumas das vagas ofertadas destacam-se vendedor, atendente e operador de caixa.
Se a dificuldade para encontrar emprego é grande, principalmente entre os jovens, os lojistas não ficam atrás e reclamam dos problemas enfrentados para contratar profissionais. Segundo eles, a maioria das pessoas não quer trabalhar no horário comercial, das 9h às 19h, e grande parte dos que se candidatam as vagas não possuem qualquer experiência. "Contratar pessoas sem nenhuma experiência não é nem um pouco vantajoso. Temos que investir em tempo e capital em treinamentos”, disse a gerente de uma loja que preferiu não se identificar.
Em Nova Friburgo, o Sine (Balcão de Empregos) tem como principal função auxiliar a população que busca por uma oportunidade de trabalho. Semanalmente, são disponibilizadas vagas em diversas áreas como segurança, ajudante de motorista, caseiro, auxiliar de serviços gerais, pedreiro, recepcionista, entre outros. Somente na última semana foram contabilizados um total de 22 vagas.
Apesar do número grande de postos de trabalho fechados, de acordo com a Secretaria Municipal de Assistência Social, Direitos Humanos e Trabalho, desde 2013, todos os meses foram batidas as metas de empregabilidade no município com o objetivo de dar acesso ao mercado formal de trabalho, fazendo a captação das vagas junto aos empregadores bem como atendendo a população que busca por uma oportunidade seja de trabalho formal, seja de cursos profissionalizantes. A secretaria destacou também a grande oferta de cursos de capacitação técnica voltada ao mercado de trabalho através dos programas Pronatec, Plansec e Plantec — cursos gratuitos ofertados pelo Sistema S/Senai - Senac.
Matéria realizada pela estagiária Dayane Emrich sob supervisão da chefia de redação
Comparando os dados do Caged, nos meses de julho, no período de 2010 a 2014, nota-se uma oscilação nos números referentes à admissão e desligamentos nos postos de emprego. E julho de 2010, por exemplo, o saldo foi positivo, ou seja, foram 1923 vagas ocupadas contra 1712 de desligamentos — o que dá um total de 211 postos abertos. O que chama a atenção é que em julho de 2011 — seis meses depois da tragédia climática em Nova Friburgo — foram 2.237 admissões e 1694 desligamentos, ou seja, 314 novas vagas ocupadas e menos 18 desligamentos em relação ao ano anterior. Em 2012 o total de admissões também superou o de desligamentos — 1852 para 1789. Já em 2013 a quantidade de desligamentos foi maior do que a de admissões, um total 95 vagas a menos. Este ano, o número de desligamentos foi de 1717 admissões para 1879 desligamentos.

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