Caso Camila: investigação da Polícia Civil está 99,9% concluída

Laudo da necropsia deve ser emitido ainda hoje; Bombeiros reforçam confiança na investigação policial
quarta-feira, 27 de agosto de 2014
por Jornal A Voz da Serra
Caso Camila: investigação da  Polícia Civil está 99,9% concluída
Caso Camila: investigação da Polícia Civil está 99,9% concluída

Passados quatro dias desde a morte da comerciária Camila de Castro, 23 anos, a Polícia Civil aguarda apenas a emissão do laudo da necropsia para concluir a investigação. A possibilidade de violência sexual encontra-se completamente descartada.

"O caso já está 99,9% resolvido”, explicou o inspetor Roberto, chefe do núcleo de homicídios da 151ª Delegacia Policial. "Estamos apenas aguardando as confirmações do laudo da necropsia para concluirmos a investigação, mas com base em todas as informações que pudemos reunir, a possibilidade de a vítima ter sofrido qualquer tipo de violência sexual está completamente descartada.”

"Já sabemos que ela saiu sozinha da casa noturna, depois das 5h, e também já ouvimos todos os envolvidos. Ainda não podemos divulgar todos os detalhes, mas a história está bem clara. Tenho 24 anos de experiência, e posso afirmar que a investigação nos permitiu montar o caso com nitidez.”

O depoimento do inspetor ocorreu na mesma tarde em que o ônibus que teria atingido a jovem era periciado, também na 151ª DP. Roberto foi questionado quanto à validade da inspeção, uma vez que o veículo não foi apreendido no momento da ocorrência, visto que até então não havia suspeita de atropelamento. "Claro que isso comprometeu a perícia. Também é importante observar que o ônibus estava equipado com câmera de vigilância, mas essas imagens não foram apresentadas à polícia. Apesar de todos esses problemas, no entanto, nós temos várias informações que sustentam nossa linha de investigação”, disse o inspetor.

O que diz o Corpo de Bombeiros

O comandante do 6º Grupamento de Bombeiro Militar, tenente-coronel João Luiz de Moraes, recebeu a reportagem de A VOZ DA SERRA na tarde de ontem, 27, para detalhar o atendimento prestado a Camila de Castro na madrugada de domingo, e também o auxílio prestado pela corporação às investigações da Polícia Civil, em conjunto com a agência de inteligência do 11º Batalhão de Polícia Militar.

"Às 5h36 de domingo nós recebemos um chamado da Polícia Militar para o atendimento de um caso de mal súbito na Praça Getúlio Vargas. Quando nossa equipe médica chegou ao local, encontrou Camila no chão. A guarnição da Polícia Militar estava lá, mas não havia nenhum outro veículo no local. Vendo a vítima nessa situação, a equipe buscou os sinais vitais e tentou conversar com ela, sem resposta. Ela apenas abria os olhos quando era chamada pelo nome. Nossa equipe médica tentou então colocá-la sentada para continuar conversando, e nesse momento começou a perceber um grande sangramento na região vaginal. A vítima foi então colocada na ambulância, e durante o deslocamento para o hospital apresentou dificuldade para respirar. Podemos garantir, no entanto, que ela chegou com vida ao Raul Sertã. Nossa equipe de saúde deixou a vítima na sala de trauma e continuou ali apoiando, fazendo a entubação das vias aéreas e tudo mais, e quando o médico chegou para poder atender, ele teve que cortar a roupa da vítima. A roupa estava íntegra, isso é um fato que eu sustento. A calça que ela vestia, uma legging preta, só foi rasgada para que a equipe médica pudesse ter acesso ao sangramento. E quando a equipe médica pôde finalmente ver a situação, se deparou com um quadro muito atípico. Não era menstruação, era uma coisa terrível, muito sangue, corte, e isso causou estranheza a todas as pessoas que estavam ali. A própria equipe médica me relatou isso. A partir daí nós pegamos a cópia dos documentos do Raul Sertã, e colaboramos de todas as formas para que essa situação seja completamente investigada. O objetivo da corporação é que a verdade seja esclarecida, com muita cautela e muita transparência, como é praxe na Polícia Civil. Eu reafirmo que, por ser uma situação atípica, tem que ser muito bem investigada. Nós não podemos afirmar nada, e em momento algum nós afirmamos alguma coisa. Não fizemos isso, mas achamos sim uma situação estranha, que precisa ser investigada. Inclusive eu pedi que dois membros da guarnição que prestou atendimento à vítima fossem à 151ª Delegacia Policial na tarde de terça-feira, 26, para agilizar as investigações passando todas as informações que nós temos sobre o caso. Nós confiamos plenamente que a verdade vai ser apurada, e agora precisamos aguardar o resultado da perícia. É fato que a calça estava íntegra, sugerindo que o corte não foi de fora para dentro. É preciso se basear apenas em fatos, e todos esses fatos foram narrados para a Polícia Civil. Faço questão de repetir que o Corpo de Bombeiros confia plenamente na investigação policial.”

O que diz a concessionária de transporte

A Faol emitiu nota oficial na tarde de ontem, que segue na íntegra:

"A Friburgo Auto Ônibus, tendo em vista os fatos noticiados pela imprensa, envolvendo a jovem Camila de Castro, vem informar que até o presente momento não há quaisquer indícios do envolvimento do coletivo da empresa com o episódio havido no último domingo, dia 24 de agosto de 2014.

Informamos ainda que a empresa não está medindo esforços para colaborar com as autoridades públicas para a elucidação do caso.”

Errata

A matéria publicada sobre o caso na edição de ontem, 27, apresentou um erro de digitação. Ao informar que o motorista do ônibus poderia ser indiciado por homicídio culposo, explicamos que o procedimento se aplicaria "quando há intenção de matar”. A informação correta é "quando não há intenção de matar”. 

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