EDITORIAL - Licença para crescer

terça-feira, 12 de agosto de 2014
por Jornal A Voz da Serra

O SEBRAE — Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas — está cadastrando as microempresas para participarem do projeto Negócio a Negócio da instituição. Mais uma vez o Sebrae se une às pequenas e médias empresas do país, que representam 99% das pessoas jurídicas instaladas e respondem por mais de metade dos empregos formais da economia nacional. 

O MERCADO interno brasileiro responde à crise consumindo produtos principalmente das MPE, mantendo assim aquecida a economia e expandindo-a em muitos casos. Nova Friburgo se encaixa neste contexto, pois sua economia está calçada nas micro e pequenas empresas e os resultados até agora têm sido bem sucedidos.

ALÉM DA falta de dinheiro mundial, os efeitos das altas taxas de juros continuam prejudicando a sociedade produtiva organizada e afastando ainda mais a economia informal de sua ampla reestruturação. A queda na produção industrial este ano, conforme verificado na comparação com 2013, é indicativo de que a crise econômica, embora superada, não está debelada e pode até crescer.

PORÉM, é louvável o esforço das MPE para continuar a garantir o sucesso econômico do Brasil. Responsável por grande parcela da população ativa, as empresas nacionais mostram que o esforço vale a pena, superando assim a descrença de muitos quanto ao desempenho brasileiro. É a grande resposta das pequenas empresas ao desafio mundial.

O EMPREENDEDORISMO, por paradoxal que seja, tem os seus efeitos negativos, inclusive numa cidade como Nova Friburgo. Aqui, assim como nas demais cidades, a economia informal tem sólidas raízes, motivadas por quase os mesmos problemas. Para se ter uma ideia, em 2003, a economia subterrânea representava 21% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Em 2013, esse percentual ficou em torno de 17,2% do PIB.

EM DIVERSOS ASPECTOS da pesquisa, Nova Friburgo se encaixa perfeitamente, revelando que os problemas estruturais que impedem a evolução da economia são, de certa forma, iguais. O empresariado local não se cansa de reclamar das elevadas taxas de juros, da concorrência desleal dos grandes conglomerados e da falta de crédito. Tais fatores, evidentemente, dizem respeito à rigidez da economia brasileira, atrelada ao pagamento da dívida externa e sem condições de oferecer reais possibilidades de relaxamento.

OS NÚMEROS são expressivos e devem merecer uma atenção dos governantes para evitar a expansão da informalidade e oferecer condições reais de crescimento, adotando uma nova política tributária, quer a nível nacional, quer municipal. No caso friburguense, a sociedade aguarda proposição de medidas pelo Executivo e Legislativo que beneficie o crescimento econômico, assim como cabe a cada eleitor votar corretamente e pressionar seus representantes no Congresso para que a reforma saia do papel para a realidade.


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