Vinicius Gastin
A Copa do Mundo entra nos momentos decisivos e não há mais espaço para erros. O perdedor de cada partida das oitavas de final dará adeus ao Mundial. Para evitar a eliminação precoce, o técnico Luiz Felipe Scolari, especialista em competições eliminatórias, começou a preparar a Seleção Brasileira ontem à tarde, na Granja Comary, em Teresópolis. O Brasil encara o Chile no próximo às 13h, no Mineirão, e o treinador corre contra o tempo para acertar os últimos detalhes. O questionamento feito por torcedores a jogadores como Daniel Alves e Paulinho, e a boa atuação de Fernandinho no segundo tempo contra Camarões pressionam Felipão por mudanças.
"Se eu pudesse escolher, escolheria outra seleção para enfrentar. Porque eu vi jogos do Chile, joguei contra o Chile e sei das qualidades. Algumas pessoas não viam dessa forma e achavam que o Chile seria descartado logo. Eu acho o mais difícil. Tem catimba, tem qualidade, organização. Eles têm tudo. Agora não pode errar. Na fase seguinte, não dá para ter tropeço, não pode conceder como em um ou outro jogo oportunidades tão vivas ao adversário. Vai ter que ter uma postura equilibrada, bem pensada, jogo muitas vezes de um gol. Vamos tentar fazer diferente”, analisa o técnico.
De acordo com Scolari, a concentração de jogadores e comissão técnica será fundamental para avançar às quartas de final. O acesso da torcida ao centro de treinamento da Seleção Brasileira tende a ser ainda mais restrito. Não foram poucas as pessoas que viajaram quilômetros e não conseguiram ter acesso à Granja Comary. O encontro com os craques é privilégio para poucos, talvez apenas para quem trabalha no dia a dia com os atletas, como o estudante William Machado, 23 anos. O jovem teresopolitano foi selecionado para fazer parte da equipe de apoio da concentração do time verde e amarelo. "Eu conhecia um rapaz que estava com uma equipe aqui dentro da Granja Comary. Então, pedi uma chance e consegui trabalhar durante esse período”, conta.
William e mais algumas dezenas de funcionários se desdobram para oferecer os melhores serviços aos jogadores. Entre camareiras, cozinheiras, faxineiras e tantas outras funções, o garoto diz que a oportunidade é a realização de um sonho. "É uma experiência única. Ter uma Copa no nosso país e a Seleção na minha cidade é fantástico. É um orgulho fazer parte desse momento de alguma forma. A minha família e os amigos sempre perguntam pelos jogadores e como é trabalhar tão próximo deles.”
O convívio, entretanto, é limitado. O garoto passa a maior parte do tempo arrumando os cômodos da concentração e, por isso, nem sempre pode acompanhar os passos do ídolo. Os poucos encontros acontecem casualmente pelos corredores do luxuoso hotel, mas são suficientes para William eleger o jogador mais simpático. "Ainda não conversei com ninguém, mas a gente encontra alguns pelos corredores. Gostei muito do Marcelo, ele parece ser o mais brincalhão e simpático. Mas não tem bagunça.”

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