São mais de 500 histórias com o mesmo desfecho: pacientes mais saudáveis recuperando qualidade de vida perdida com a obesidade. Um dos projetos de maior sucesso da Secretaria de Saúde, o Programa de Cirurgia Bariátrica do Hospital Estadual Carlos Chagas, operou semana passada seu 500º paciente. Implantado em dezembro de 2010, o programa fez mudar um cenário no Rio de Janeiro: o número de cirurgias realizadas pelo SUS em todo o estado cresceu mais de 3.000%. Juntos, os pacientes operados pelo projeto já perderam mais de 3,5 toneladas.
“Operar 500 pacientes significa o resgate da vida social de 500 pessoas, mais ainda, de 500 famílias. Muitos pacientes obesos se consideram excluídos socialmente, excluídos do convívio familiar, perdem emprego, perdem a oportunidade de aproveitar bons momentos que a vida proporciona. A cirurgia é a oportunidade que eles têm de recuperar esses bons momentos”, explicou o coordenador do programa, Cid Pitombo.
Em 100% das cirurgias, Pitombo e sua equipe utilizam a videolaparoscopia, técnica menos invasiva e mais segura, que agiliza a recuperação e reduz o tempo de internação do paciente. O Hospital Estadual Carlos Chagas tem ainda UTIs exclusivas adaptadas para este perfil de paciente e o único tomógrafo para obesos da América Latina.
INÍCIO DE UMA NOVA VIDA - Paciente de número 500 no programa, o técnico de enfermagem Valter Esterlino, que pesa 135 quilos, estava tenso. Depois de tentar emagrecer por meio de vários métodos, ele vê na cirurgia o início de uma nova vida. E nada melhor do que receber apoio de quem já passou pelo procedimento. O eletricista Luiz Alberto Kron, de 21 anos, que já perdeu 70 quilos desde a operação, deu o incentivo que Valter precisava para entrar no centro cirúrgico tranquilamente. “Tudo vai melhorar a partir de agora”, disse o eletricista a Valter.
De acordo com o técnico de enfermagem, a principal expectativa em relação à cirurgia é viver de maneira saudável e livre de obstáculos que atrapalham seu trabalho, por conta da obesidade.
“Eu sou hipertenso e filho de pais diabéticos. Por isso, o medo de ficar doente é muito grande. Sem falar nas dificuldades que sinto no meu trabalho. Falta um pouco de agilidade por causa do meu peso. Espero que tudo dê certo com esta cirurgia e que eu consiga trabalhar e viver melhor”, afirmou Valter.

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