Tratamento de esgoto

Um sonho que começa a se tornar realidade
segunda-feira, 07 de janeiro de 2013
por Dalva Ventura
Tratamento de esgoto
Tratamento de esgoto

É difícil acreditar, mas quando passar pela avenida observe com atenção o nosso rio Bengalas. Tenho certeza de que você vai ter uma surpresa, uma grata surpresa, pois ele está bem mais limpo. Quando não está muito cheio, a água que corre em seu leito fica tão clara que dá até para ver o fundo. Além disso, o Bengalas não está mais malcheiroso. Duvida? 

Pois é verdade. E a prova está numa das fotos que ilustram esta reportagem, tirada pelo leitor de A VOZ DA SERRA, Jorge Plácido. Nelas, é possível ver claramente uma garça comendo um peixe nas margens do rio. A foto em questão foi tirada entre a Rua Leuenroth e a Igreja São Bento. Uma cena impossível há muito pouco tempo, quando o esgoto de toda a cidade era lançado in natura dentro do rio. 

Sim, demorou, demorou muito. Mas quando ninguém mais acreditava, o milagre aconteceu. Graças a uma ordem judicial, a Águas de Nova Friburgo, que havia assumido recentemente a concessão do serviço de tratamento de água e esgoto de Nova Friburgo, recebeu uma intimação da justiça dando-lhe um prazo de 15 dias para começar a construir a primeira estação de tratamento da cidade. . 

Na ocasião—mais precisamente em 2010—a primeira Estação de Tratamento de Esgotos de Nova Friburgo (ETE) começou a ser viabilizada. E a toque de caixa. A sorte é que a velha Caenf já estava buscando um terreno tecnicamente adequado para a construção. O local escolhido foi criticadíssimo e nem poderia ser diferente. Uma estação de tratamento de esgoto logo ali? Bem no centro da cidade, ao lado do Parque São Clemente, um dos pontos turísticos mais visitados da cidade, onde se situa o Nova Friburgo Country Clube?    

A empresa tinha lá suas razões, é fato. Para começo de conversa, a tal ETE não podia ser construída em qualquer local, pois seu objetivo era tratar o esgoto daquela região específica. Outra dificuldade: encontrar uma área plana de dois mil metros quadrados que fosse tecnicamente adequada para a construção. A concessionária afirma, porém, que houve toda uma preocupação com o paisagismo e a emanação de odor. Deve ter havido mesmo. 

No começo, os moradores próximos não gostaram nada de sua nova vizinha, principalmente no que diz respeito ao cheiro. Foi, porém, uma fase de adaptação, eles próprios disseram. No mês passado, a concessionária ainda instalou um sistema adicional de exaustão com filtro químico para tirar qualquer possibilidade de emanação de odor. Quem mora perto, garante. Funciona. Cheiro, não tem mais. Melhor assim.  

Além da ETE Olaria, este ano entrou em operação a do Centro, localizada no Vale do Sol, próximo a Duas Pedras, que trata o esgoto de 10 bairros—outros 35% do esgoto do município. Tem também a ETE Campo do Coelho, uma estação que atende só 2.000 habitantes

Em Conselheiro Paulino, a empresa promete entregar mais uma estação, a de Conselheiro Paulino, que será construída num terreno ao lado da Stam. Só está aguardando a licença dos órgãos ambientais para iniciar a obra. Além da grande Conselheiro Paulino, irá atender todos aqueles bairros em torno. Com isso, 90% do esgoto de Nova Friburgo será tratado. Vai ficar faltando tratar o esgoto da Ponte da Saudade, do Cônego e dos distritos. 

 

Estação processa 120 mil litros de esgoto por segundo 

A reportagem de A VOZ DA SERRA acompanhou de perto todas as etapas de tratamento do esgoto na estação de Olaria, que beneficia 15 bairros: Olaria, Alto de Olaria, Bairro da Graça, Bela Vista, Parque São Clemente, Vale dos Pinheiros, Via Expressa, Catarcione, parte do Centro, parte do Cordoeira, Paissandu, Perissê, Santa Elisa, Vila Guarani e Ypu.

Depois dela, 30% do esgoto gerado na cidade passou a receber tratamento adequado. Em outras palavras, mais de dez milhões de litros de esgoto por dia deixaram de ser jogados diretamente no rio. 

A engenheira ambiental responsável pela operação de esgotos da Águas de Nova Friburgo, Jamila Machado Aquini, nos acompanhou na visita, explicando o passo a passo da estação. Para começo de conversa, é bom que se diga que a tecnologia utilizada é bastante inovadora. Necessita de pouco espaço e consome pouca energia. 

O sistema adotado permite que cerca de 95% da matéria orgânica seja removida durante o processo de tratamento, gerando, assim, pouquíssimos resíduos. 

A estação trabalha incessantemente e processa cerca de 120 litros de esgoto por segundo. Não é brincadeira. Funciona assim: todo o esgoto que sai de nossas casas vai para um interceptor—canos grossos instalados ao longo do rio. De lá, este esgoto cai em dois tanques que os técnicos chamam de elevatórias e, a seguir, é bombeado até a estação para começar a ser tratado.  

Este esgoto bruto segue, então, para tanques totalmente vedados para não dispersar nenhum odor. Lá ficam as chamadas “peneiras rotativas”, que giram permanentemente para separar o material sólido do líquido. A seguir, este material segue para outro equipamento chamado “hidrociclone” para remoção da areia. Em seguida, esta é descartada no aterro sanitário. 

O que sobra vai para o “reator biológico”, que utiliza lodo ativado para eliminar o material poluente, isto é, a matéria orgânica presente no esgoto. Desse reator passa, então, para o chamado “decantador secundário”, que clarifica o efluente. Em seguida, este é, então, encaminhado para o rio. 

Segundo Jamili Aquini, o fato de o esgoto de alguns bairros, como Ponte da Saudade e Cônego, serem lançados diretamente no rio não comprometem a qualidade da água. “Por serem menos populosos e ficarem mais distantes, já sofrem um processo de autodepuração ao longo do caminho”, explica. “Claro que não se trata de água potável e nem para banho, mas não chegam a gerar odor”, garante. 

Uma pena também que ainda existam casas cujo esgoto é lançado diretamente nos rios. Segundo a concessionária, porém, uma equipe monitora permanentemente a tubulação em todo o percurso dos rios para ver se tem algum cano danificado ou alguma ligação que ainda precisa ser conectada ao interceptor. 

Interessante ressaltar, lembra a engenheira, que tanto esta como as demais estações de tratamento do município utilizam uma técnica natural de tratar o esgoto. Os poluentes são removidos basicamente através de microorganismos presentes na natureza. 

 

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