Greve dos policiais e bombeiros deixam as ruas com patrulhamento reduzido

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
por Jornal A Voz da Serra
Greve dos policiais e bombeiros deixam as ruas com patrulhamento reduzido
Greve dos policiais e bombeiros deixam as ruas com patrulhamento reduzido

Henrique Amorim

Os líderes do movimento grevista dos policiais civis e militares, bombeiros e agentes penitenciários garantiram nessa sexta-feira, 10—primeiro dia da paralisação decretada em todo o Estado—que pelo menos 80% dos integrantes das corporações teriam cruzado os braços e que só os casos de extrema urgência seriam atendidos. A informação é contestada pelo Comando Geral da PM, que garante a normalidade no policiamento em todo o Estado. Em Nova Friburgo, ao longo dessa sexta-feira, contudo, a ausência do patrulhamento e da circulação de viaturas do 11º BPM foi notoriamente observada.

Em vez das patrulhas do batalhão, foram os veículos da Ronda Tática Motorizada (Rotam), da Guarda Municipal, que marcaram presença nos pontos base de observação e patrulhamento do centro da cidade, como a esquina da Rua Sete de Setembro com a Avenida Euterpe Friburguense, a Praça Dermeval Barbosa Moreira e a esquina da Avenida Alberto Braune com Rua Duque de Caxias. Ao todo são nove viaturas e 25 guardas que auxiliam no reforço da segurança. Todos eles desarmados.

De acordo com o secretário municipal de Ordem Urbana, coronel Hudson Aguiar, a implantação da Rotam foi antecipada para dar maior segurança à população. Na tarde dessa sexta-feira, homens da Guarda Municipal, inclusive, impediram pequenos furtos na Avenida Alberto Braune.

Policiais querem piso-base de R$ 3,5 mil por mês: Estado já concedeu 39% de aumento parcelado

Os policiais civis e militares e bombeiros optaram pela greve por tempo indeterminado em assembleia na quinta-feira, 9, no Rio de Janeiro. Os grevistas das três corporações, que somam em todo o Estado cerca de 70 mil homens, reivindicam a elevação do piso para R$ 3,5 mil, mais vale-transporte e vale-alimentação de R$ 350, além da soltura do cabo bombeiro Benevenuto Daciolo, acusado de incitamento e aliciamento a motim.

Os líderes da greve solicitaram ainda que todos os policiais militares de folga e licenciados ocupassem os quartéis junto com seus familiares. O Estado já concedeu 39% de reajuste aos policiais em duas parcelas—para este mês e fevereiro de 2013—, o que não agradou aos grevistas. Um policial civil em início de carreira, por exemplo, recebe salário de R$ 1.530.

O porta-voz da PM no Estado, coronel Frederico Caldas, disse que a greve não surtiu o efeito que os manifestantes esperavam e garantiu a normalidade em todo o Estado nessa sexta-feira, embora já tivessem sido expedidos até o fim da manhã 11 mandados de prisão de policiais grevistas.

O secretário estadual de Defesa Civil e comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Sérgio Simões, anunciou que 14 mil homens do Exército e outros 300 da Força Nacional de Segurança já estariam de prontidão para garantir a segurança na capital e interior a qualquer momento.

Aparente normalidade nos quartéis da PM e do Corpo de Bombeiros

No quartel do 11º BPM a aparência era de total tranquilidade nessa sexta-feira, com pouca circulação de viaturas e policiais fardados no pátio. Os serviços administrativos teriam funcionado sem alterações. O comandante do 11º BPM, tenente-coronel Marcelo Freiman de Sousa Ramos, não fez declarações oficiais, cumprindo determinação do Comando-Geral da corporação. Fontes ligadas à PM no estado, entretanto, confirmaram que poucos PMs teriam aderido à greve em todo o interior e que o patrulhamento ostensivo nas ruas foi reduzido, coincidentemente, a partir dessa sexta-feira, por força da mudança no quadro de escalas dos policiais militares.

No Corpo de Bombeiros o anúncio do comando de greve dá conta da manutenção de 30% do efetivo trabalhando normalmente para o atendimento a ocorrências de resgates e salvamentos. No quartel do 6º grupamento da corporação, em Nova Friburgo, a rotina aparentemente também foi normal, inclusive com pronto-atendimento de uma equipe na manhã dessa sexta-feira, num incêndio no Centro. Já na 151ª DP a informação é que seriam registradas ocorrências de casos graves, como flagrantes ou remoções de cadáveres.

Cidadãos se sentem desprotegidos sem a polícia nas ruas

Entre a população paira a dúvida. “Desde o início da manhã não vi um PM no Centro de Nova Friburgo. Nos sentimos desprotegidos. Se a greve for a frente mesmo, como ficará o carnaval? Quem virá para a rua ou deixará seus filhos se divertirem sem garantia de segurança?”, questionou a aposentada Neuza Barbosa da Silva Rosa, 63 anos.

Já o profissional liberal Fernando Rizzoleto, 47 anos, acredita que a greve não irá à frente. “O Estado já anunciou o reajuste e dificilmente vai rever sua posição. Se os policiais não aceitarem o Exército virá para as ruas garantir a realização do carnaval, esfriando a greve”, acredita. Há a expectativa de que alguns serviços, como o transporte de cargas e valores, sejam prejudicados nos próximos dias devido à redução no policiamento nas ruas.

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