(SECOM) Reveja conceitos. Mude opiniões. Respeite travestis, homens e mulheres transexuais. Esse é lema do Dia Nacional da Visibilidade Trans (para transexuais e travestis), marcado por várias atividades como a solenidade realizada nesta segunda-feira, 6, na Câmara de Vereadores de Nova Friburgo, em que a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social e Trabalho foi representada pelo assessor da unidade, Gilberto Paulo de Souza Filho.
O evento é realizado pelo Centro de Regional de Referência de Promoção da Cidadania LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) Hanna Suzart, e faz parte do programa Rio sem Homofobia, da Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos.
A solenidade foi marcada por várias atividades como ato público, mesa de discussão, apresentação do filme “Basta um dia”, do cineasta Vagner Almeida, e atividades culturais, e contou com a presença de autoridades, representantes de vários segmentos da sociedade e militantes da causa Trans.
O desconhecimento sobre travestilidade e transexualidade apenas faz agravar o quadro de rejeição social desta parcela da sociedade.
Segundo o Centro de Referência Hanna Suzart, travesti é a pessoa nascida com o genital masculino que social e psicologicamente pertencem ao gênero feminino. Estes cidadãos devem ser identificados socialmente e politicamente como travestis e não como homens e mulheres.
Já os transexuais são divididos em dois grupos: mulheres transexuais—são aquelas que nasceram em um corpo masculino. Homens transexuais—são aqueles que nasceram em um corpo feminino. Nesses dois casos, se a pessoa desejar, a cirurgia de readequação genital é reconhecida como importante medida de garantia da saúde e qualidade de vida e pode ser feita pelo Sistema Único de Saúde (SUS) do Ministério da Saúde.
É importante ressaltar que a cirurgia não é o que define a transexualidade de alguém, pois uma pessoa pode ser considerada transexual mesmo sem a realização da cirurgia, que considerado apenas um complemento estético ao estado psicológico do transexual.
O Dia Nacional da Visibilidade Trans busca chamar atenção para alguns problemas enfrentados por essa população, como a falta de oportunidades no mercado de trabalho por preconceito e discriminação, esses que geralmente são frutos de desconhecimento sobre a diversidade sexual. Outro problema é o nome civil, conhecido como o nome de batismo, em que o travesti e o transexual ficam presos, pois sua identidade de gênero não condiz com o sexo biológico que possuem.
Sobre a falta de oportunidades no mercado de trabalho para travestis e transexuais, a militante da causa Trans da Associação de Travestis e Transexuais do Estado do Rio de Janeiro (Astra/Rio) e consultora da TV Globo, Bárbara Aires, afirma que os gays e as lésbicas conseguem emprego de forma mais fácil e com menos discriminação do que os Trans.
E essa seria uma das causas, juntamente com a rejeição familiar, de essas pessoas serem forçadas a se prostituírem. “Eu mesma sofri muito, passei muitas dificuldades, rejeição mesmo, e tive até que me prostituir. Se um amigo não intercedesse por mim, hoje eu não teria um emprego”, destaca Bárbara.
Segundo Sula Marques Dutra, psicóloga do Centro de Referência Hanna Suzart, a finalidade da data é dar visibilidade à questão da transexualidade e travestilidade, promovendo a cidadania e divulgando as informações sobre os direitos dessa população. O Centro Hanna Suzart, que é o responsável pelas questões LGBT da região serrana e centro-norte, engloba 13 municípios e também realiza eventos como o Dia da Visibilidade Lésbica e o Dia do Orgulho Gay.
Para a presidente do Centro Hanna Suzart, Silvia Furtado, o ato de cidadania realizado na Câmara de Vereadores visa promover a cidadania dos que sofrem com a falta de respeito e com a intolerância da sociedade. “Esse é um momento de resgate, a população Trans tem que acreditar que o poder público esta interessado em implementar as políticas públicas para esse segmento”, enfatiza a presidente do Hanna Suzart.
Fizeram parte do evento Gilberto Paulo de Souza filho, assessor da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social e Trabalho, Tenente Ponce, do 11º Batalhão da Polícia Militar, Luciano Lima, presidente do Grupo Diversidade de Teresópolis, Elizabeth Siqueira, assistente jurídico do Centro Hanna Suzart, Ana Lívia Ramalho, assistente social do Centro Hanna Suzart, o vereador Cláudio Daniel e o cineasta e membro da Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS, Vagner João Benício de Almeida.
Assim, o Dia Nacional da Visibilidade Trans busca mostrar que a vida de travestis e transexuais geralmente é marcada por episódios de violência e exclusão, mas que o respeito e a solidariedade podem mudar essa situação.

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