Editorial - Livros ao léu - 10 de fevereiro 2012

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
por Jornal A Voz da Serra

A MUDANÇA do secretariado municipal não contemplou a secretaria Pró-Leitura no organograma do primeiro escalão do governo. A primeira secretaria de leitura do país pode perder esta condição, incorporando-se às atividades da secretaria de Educação.

A DECISÃO do então prefeito pela criação da secretaria, em 2009, ainda permanece estranha ao universo das estruturas de governo preocupadas mais com verbas do que com propostas de progresso e desenvolvimento de toda a população. O incentivo à leitura que o prefeito fez demonstrou a triste constatação do péssimo hábito de leitura do povo brasileiro.

A SITUAÇÃO das bibliotecas públicas em todo o país, em termos gerais, é péssima, e apesar dos esforços de seus funcionários, cumprem a função de garantir à população o acesso gratuito aos livros. Pesquisa realizada pelo Ministério da Cultura identificou cerca de 4 mil bibliotecas públicas em todo o país, em sua esmagadora maioria municipais. Mais de 80% de seu público é formado por estudantes, um indicador da falta de bibliotecas nas próprias escolas.

O ACERVO da grande maioria destas bibliotecas não é atualizado há vários anos; essencialmente, elas não compram livros, mas sobrevivem com doações, o que significa que crescem ao acaso e sem uma política racional de aquisições voltada para as necessidades de seus frequentadores específicos, os estudantes. Infelizmente este é o caso da nossa biblioteca.

O PATRIMÔNIO cultural de Nova Friburgo é um bem que não pode ficar sem o apoio das autoridades do município, do estado e do governo federal. É dever do Estado e de todos os cidadãos que precisam ter acesso aos livros. Além disso, devido à sua abrangência educacional, tornou-se referência para diversos municípios realizarem trabalho semelhante. Tamanho esforço necessita, assim, de uma infraestrutura compatível com o material que conserva, em recursos humanos e bens materiais.

O ESFORÇO do governo em reconstruir a cidade deve contemplar ações que levem o município para o caminho do desenvolvimento, retomando a sua qualidade de vida e elevando a autoestima da população. Não devemos ter o título de cidade “não leitora”. A secretaria de Leitura tem pela frente, desde a sua criação, uma tarefa desafiadora e ao mesmo tempo gratificante, ainda mais agora, no pós-tragédia. E o governo pode colaborar para a sua continuidade, com pouco dinheiro, beneficiando assim todos os cidadãos.

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