RJ-116 em meia-pista: pare e siga
Eloir Perdigão
Equipes da concessionária Rota 116, Energisa e Oi Telemar trabalharam durante toda a terça-feira, 3, e ontem, 4, no quilômetro 70 da estrada RJ-116, em Mury, em frente ao Hotel Mury Garden, onde uma barreira bloqueou metade da pista. No fim da tarde de terça-feira o secretário de Defesa Civil, coronel João Paulo Mori, esteve no local e junto com o superintendente da Rota 116, David Augusto Barbosa, decidiu pela reabertura do tráfego em meia-pista, no sistema pare e siga.
A interrupção do tráfego prejudicou moradores e quem tinha que passar pelo local. As casas ficaram sem energia elétrica e sem telefone e os moradores não podiam passar com seus carros. Passageiros da linha Theodoro faziam o restante do percurso a pé e os da Viação 1001 faziam transbordo. Motoristas profissionais também foram prejudicados.
Muita vegetação desceu junto a barreira e estava sendo retirada pela equipe da Rota 116, inclusive com o emprego de uma motosserra. Fios de energia elétrica e de telefone foram arrebentados e as equipes da Energisa e da Oi Telemar trabalhavam para sua recuperação.
Os caminhoneiros tiveram que exercitar sua paciência. Era o caso de Fábio Suet Farinha e Oberejam Coelho Botelho, que esperavam a liberação da via durante todo o dia. Eles lamentavam não terem recebido nenhum aviso da barreira, o que só foi providenciado após as 10h30, nas praças de pedágio. Fábio trafegava de Tanguá para Cantagalo, carregado com cianeto, matéria-prima para cimento. Deveria chegar ao destino às 13h e às 18h ainda não sabia se passaria ou não. Oberejan trafegava vazio, pois havia descarregado o caminhão em São Gonçalo e retornava a Nova Friburgo. Vários motoristas de caminhões parados até o alto da serra estavam na mesma situação, ávidos pela liberação da pista. Em caso contrário passariam a noite no próprio caminhão, por medida de segurança. Voltar, nem pensar.
Passageiros da Viação 1001 passavam apressados pelo local da barreira, após deixar um ônibus em direção ao outro para seguir viagem. Hamilton Barcelos seguia para Cachoeiras de Macacu, após um dia de trabalho na empresa Silthur, em Nova Friburgo. “Pelo menos vale a mesma passagem”, dizia, rindo da situação. Fernando Gomes de Araújo, também morador de Cachoeiras, estava satisfeito por conseguir passar, nem que fosse à base do transbordo. Chegaria ao destino praticamente no mesmo horário de sempre, sem muito atraso, o que o deixava satisfeito.
A moradora de um sítio próximo, Maria Luíza Araújo, chegou a se assustar com o estrondo da barreira. Correu para o portão para ver os estragos: a estrada interditada e os postes caídos, deixando o local sem energia elétrica e telefone. “Foi um estouro terrível”, afirmou, preocupada com o trabalho no Hospital Municipal Raul Sertã no dia seguinte cedo. Não sabia se pegaria o ônibus próximo de casa ou se teria que andar um bom trecho até onde estava parando.
Para satisfação de todos, equipes da Defesa Civil e Rota 116 decidiram liberar a estrada em meia-pista para veículos leves, ônibus e caminhões pequenos, no sistema pare e siga. De acordo com o superintendente David, a evolução do maciço seria acompanhada, na situação sem chuva, naquele momento. Caso voltasse a chuva a estrada seria novamente fechada. A situação seria reavaliada permanentemente até a solução definitiva da situação. O Departamento de Estradas de Rodagem (DER), como órgão fiscalizador da concessionária, também já havia sido convocado para fazer uma vistoria no local.
Funcionários da Rota 116 cravaram trilhos de cinco metros de comprimento, com dois metros abaixo da superfície, onde foi afixada uma tela de alta resistência. Caso houvesse novo movimento do material da barreira ela iria “embarrigar”, mas não romperia, o que se constituiria num sinal, requerendo providências em seguida, como a paralisação do trânsito. A liberação de meia pista da estrada facilitou não somente o tráfego de veículos como também o restabelecimento da fiação no local.
Tráfego na rodovia de acesso a Nova Friburgo está liberado para caminhões de até dois eixos
O acesso de veículos à região de Nova Friburgo pela Rodovia RJ 116 (Itaboraí–Nova Friburgo–Macuco) está liberado para veículos de passeio, ônibus e caminhões de até dois eixos. A medida é recomendada pela Defesa Civil estadual depois de autorizar a liberação ao tráfego, às 19 horas de ontem (terça-feira, dia 3/1) do trecho no quilômetro 70, em Mury, onde ocorreu um deslizamento de terra. A Concessionária Rota 116 S/A, já iniciou as obras emergenciais para a liberação total do tráfego, mas por enquanto o local ainda está sendo operado no sistema de pare e siga, com a liberação alternada dos veículos.
Para evitar o trânsito de caminhões acima de dois eixos no trecho do quilômetro 70, operadores de tráfego nas praças de pedágio de Itaboraí e Cachoeiras de Macacu estão comunicando aos motoristas sobre o impedimento. Também no posto da polícia rodoviária estadual em Theodoro de Oliveira, no alto da serra entre Cachoeiras de Macacu e Nova Friburgo, policiais estão fazendo o bloqueio dos caminhões acima de dois eixos.
“É uma medida paliativa, recomendada pela Defesa Civil que ainda está avaliando as causas do rompimento da encosta. A decisão de restringir o acesso de veículos acima de dois eixos é da Defesa Civil e deve ser respeitada por todos os usuários”, explica David Augusto Barbosa, superintendente-geral da Rota 116.
Já no quilômetro 128, entre Cantagalo e Macuco, a rodovia, que opera no sistema de pare e siga, deverá estar totalmente liberada ao tráfego no início da tarde desta quarta-feira, dia 4/1. Operários trabalham na finalização das obras emergenciais de recuperação da rodovia que, devido às fortes chuvas deste início de ano, criaram um desnível de cerca de 30 centímetros naquele trecho.
Informações sobre as condições de tráfego na RJ-116 podem ser obtidas através do telefone 0800 282 0116.

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