José Duarte
Em 48 horas choveu o esperado para um mês em Nova Friburgo. Além disso, ainda há previsão de chuva para as próximas 24h, o que aumenta o medo do transbordamento dos rios que cortam a cidade.
Até agora foram registrados pequenos deslizamentos e quedas de barreiras e alagamento em vários pontos da cidade. Foi o bastante para deixar as autoridades friburguenses em alerta máximo—e já foi montado um esquema especial de emergência desde as primeiras horas da noite de domingo.
A cada toque de sirene e alerta, ou mesmo informações veiculadas nas redes sociais, o clima de tensão toma conta do friburguense. Inclusive, ao serem abordados pela reportagem, alguns assim reagiram: “Vão trabalhar, vocês não têm o que fazer? Vão pras ruas ver o que está acontecendo! Não é o momento de ficar vasculhando a vida alheia”, desabafou uma senhora ao ser interpelada pela reportagem, confundindo a situação. Afinal, era exatamente isso que repórter e fotógrafo estavam fazendo.
“Moro no Cordoeira, fui prejudicado somente no meu trabalho, porque com as chuvas que estão caindo aumentam os buracos em todas as vias, que já não são boas.”
Ângelo Ozório Asth, 48, taxista, Cordoeira
“Por enquanto ainda não fui prejudicado, mas estou com muito medo. O volume de água do rio é muito grande. Ano passado saí de casa com água no peito. Fico vigiando os rios o tempo, pois ano passado perdi muito material. O maior problema é o medo.”
Antonio Gomes, 69, comerciário, Riograndina
“Meu carro foi invadido pelas águas. Estou muito apreensiva. Moro na Rua Padre Sabóia de Medeiros e o clima já começa me preocupar. Estamos rezando para a chuva parar, porque a cheia dos rios é um terror para todos nós.”
Joana Darc, 52, aposentada, Centro
“Eu morava em São Geraldo. Em 2011 perdi tudo, além de meu filho, minha nora e meu neto. Estou vivendo numa garagem cedida por um amigo no Solaris I. Desde abril fiz inscrição para o aluguel social e até agora não recebi nada. E esta noite entrou água na garagem onde estou alojado.”
Nestor Rogério Cardinot, 52, auxiliar de serviços gerais, Solares I
“Na casa da minha filha, na Rua José Tessarollo Santos (antiga Baroneza), onde estamos morando, entrou água porque o rio transbordou esta noite. Foi pouca água, mas preocupou. Em 2011, ela perdeu tudo e agora quis ir para a casa dela no São Jorge, mas lá também está interditado. Não temos como pagar aluguel, está muito alto, fizemos inscrição para o aluguel social e até agora nada foi resolvido.”
Mariza Azevedo, 69, dona de casa, Rua Baroneza
“Até agora não fui prejudicado. Moro em Mury, na Avenida Hamburgo, mas estou com muito medo, não por mim, mas pelas pessoas todas. Se o rio que passa por lá encher, certamente vai alagar a rua. Hoje, o sentimento nosso é de muito medo, porque a chuva não para.”
Edvar Tomé, 45, motorista autônomo, Mury

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