O título desta crônica é um clichê manjadíssimo, que quase nunca corresponde à realidade. Tudo continua na mesma e sempre fico pensando que o bom mesmo seria ter um botão “reiniciar”, que acionado no dia 31 de dezembro zeraria tudo, em meio a tradicional festa e queima de fotos. Aí sim, um bom e novo ano dependeria apenas de nós.
Mas a vida não permite devaneios e assim entramos 2012 com vários assuntos pendentes, os pessoais e da nossa cidade, coitada, que sofreu tanto no ano que terminou. Um dos temas recorrentes é a construção da Estrada do Contorno. Essa antiga aspiração dos friburguenses parece que desta vez vai sair mesmo do papel, bancada pelo governo do estado.
Com um custo aproximado de 350 milhões de reais, a nova estrada terá 42 quilômetros de extensão e ligará Mury ao trevo de Duas Barras, utilizando estradas estaduais e algumas vicinais de Bom Jardim. O projeto topográfico, viário e estrutural já foi autorizado e pago. O traçado ainda não foi oficialmente divulgado mas sabemos será construído um túnel com 800 metros em Mury e seu traçado passará pelo Stucky e o Colonial 61.
É claro que sou completamente a favor de uma estrada que desvie o transito pesado do centro de Nova Friburgo. Com a aceleração das obras do Comperj—Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro—em Itaboraí e todas as decorrentes da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, a demanda por cimento crescerá e consequentemente o trafego de caminhões e bitrens pelas ruas do centro.
Acho quem nem é preciso enfatizar que o trânsito interno de Nova Friburgo está um caos. Vias estreitas e malconservadas, sinalização precária, transporte urbano deficiente, excesso de carros nas ruas, absoluta falta de planejamento e, para piorar, nenhuma perspectiva de melhoria, sequer a longo prazo. Apenas como curiosidade, Nova Friburgo em 2010 tinha uma frota de quase 85 mil veículos para uma população de 185 mil habitantes, isso sem contar os veranistas e turistas.
Quando sabemos que algumas cidades estudam a redução do tráfego de veículos em suas ruas centrais, dar de cara com bitrens circulando ao longo do Rio Bengalas, em frente a escolas e residências é, no mínimo, desanimador. Sem dúvida, precisamos muito da Estrada do Contorno e, de quebra, aproveitar a oportunidade para fazer uma verdadeira revolução no trânsito friburguense.
No entanto, o grande ponto de discórdia é seu traçado. Por falta de informações precisas e conhecendo a região onde será construída, existe o receio de que possa provocar danos ambientais permanentes em uma região quase intocada do nosso município. Além disso, sabemos muito bem que a abertura de túneis é sempre demorada e complicada, ainda mais com o nosso tipo de terreno.
Existe uma segunda opção, mais barata e próxima do centro da cidade mas, como em princípio já foi descartada pelo governo do estado, só nos resta, acredito, acompanhar atentamente as audiências públicas que serão realizadas e cobrar uma fiscalização rigorosa dos órgãos ambientais durante a sua construção. A meu ver, uma obra desse porte precisa ser discutida de forma muito transparente pelo governo e a sociedade friburguense.
É o mínimo que esperamos que aconteça nos próximos meses e lembro que, de desastres ambientais, já bastou o de janeiro deste ano.
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E por falar nisso, fazendo minhas caminhadas pelas ruas e matas do Alto Sans Souci, dei de cara com dois enormes cortes na encosta do final da rua Estavayer-Le-Lac, que ao contrário da cidade suíça que lhe empresta o nome, fica encarapitada em nossas montanhas. A rua é pequena e tem poucas casas, terminando em um precipício de onde se tem uma bela vista da cidade.
Até uns três meses atrás o terreno estava intocado, com árvores e mata. Tentei saber com algum morador o que era aquilo mas, a única pessoa que encontrei nada tinha a dizer. O dois pontos desmatados não têm cercas ou qualquer placa indicando os responsáveis pela obra. Não há nenhuma espécie de contenção e, com as chuvas constantes, a lama escorre livremente morro abaixo.
Pois é... eu aqui preocupado com a Estrada do Contorno e bem na minha vizinhança aparece uma coisa dessas, aparentemente para a construção de residências. No momento que o governo federal classifica Nova Friburgo como um dos 31 municípios das regiões sul e sudeste que apresentam risco muito alto de deslizamentos e inundações, dá uma tristeza danada essa imagem.
Como disse lá no início da crônica, mais um assunto de 2011 para resolver.
Carlos Emerson Junior

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